A oportunidade das Parcerias Público-Privadas

Um dos entendimentos que tem atravessado ileso diversos governos recentes, é o da necessidade urgente de aumentarmos o investimento em infraestrutura no país. Ainda que todo o investimento atualmente previsto se realize no prazo esperado, será necessário ampliá-lo, em muito, para atingirmos o patamar necessário para que haja crescimento do parque instalado. O baixo investimento em infraestrutura acaba por fazer apenas, e quando muito, a manutenção do que já existe. E quando o investimento não é suficiente para isso, acabamos por perder ativos que consumiram recursos no passado, e o déficit é ampliado.

O problema, que é também o motivo pelo qual chegamos ao patamar de penúria, é composto pela crise fiscal de estados e municípios que persiste desde a crise econômica brasileira iniciada em 2013, e a (cada vez mais) baixa capacidade de investimento direto estatal. Este último fator não é exclusividade brasileira, visto que atual sociedade global e tecnológica demanda cada vez mais infraestrutura, e em crescente grau de diversificação. Nenhum Estado nacional está dando conta de resolver sozinho o problema, enquanto o setor privado se encontra altamente líquido e em busca de projetos de investimento. Foi a observação deste cenário que levou a Grã-Bretanha a começar a fazer parcerias com o capital privado para ampliar o investimento em infraestrutura sem comprometer os cofres públicos. Continue lendo “A oportunidade das Parcerias Público-Privadas”

O (não tão novo) normal dos shopping centers

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Poucos setores da economia foram tão afetados pela atual crise econômica decorrente da pandemia de covid-19 quanto o varejo. Que o digam os shopping centers, os quais, além deste problema, ainda seguem modelos arquitetônicos de caixotes introspectivos, cujo desenho ignora qualquer possível abertura para a cidade, e raramente tenta algum desenho de adequação climática inteligente. Com suas estruturas de manutenção custosas e energeticamente ineficientes, estão neste momento altamente vulneráveis ao intenso choque de demanda varejista.

Mas a pandemia está longe de ser a principal causa da decadência dos shoppings, apenas parece ter acelerado um processo que já estava presente. O declínio do modelo já havia se iniciado há mais de uma década quando o primeiro caso de covid-19 foi identificado na China. Continue lendo “O (não tão novo) normal dos shopping centers”

Por que a queda dos juros é uma boa notícia?

Talvez você não tenha ficado muito feliz em ver a taxa Selic, taxa básica de juro de nossa economia cair de 14,25% para 7% ao ano, especialmente se ficar olhando para os retornos dos investimentos em renda fixa. Mas é bom lembrar que ter a maior taxa de juro real do planeta não é exatamente um bom negócio para o país, por diversos motivos.

As vantagens de termos a possibilidade de trabalhar com taxas mais baixas incluem: Continue lendo “Por que a queda dos juros é uma boa notícia?”

O que é spread bancário?

As empresas comerciais de revenda de mercadorias constroem seus resultados, grosso modo, na diferença entre o custo de aquisição e o preço de venda. Os bancos são empresas peculiares, que trabalham com o dinheiro como mercadoria, sendo seu custo (e preço) melhor expressado por taxas. A diferença entre o custo (taxa) de captação e a taxa de recolocação do recurso financeiro no mercado é chamado spread, uma diferença entre taxas.

O custo de captação de recursos pelos bancos é materializada pelas taxas de remuneração do capital dos correntistas: são as remunerações de poupança, fundos, certificados, títulos, etc. Portanto, possuem alta correlação com a taxa de juros pagas pelos títulos públicos, fixadas pelo Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) do Tesouro Nacional. Isso acontece porque os bancos transferem em tempo real recursos entre si para suas próprias contas no Banco Central, no chamado mercado interbancário. Os Depósitos Interbancários (DI) possuem taxa correlacionada a seu custo de oportunidade, ou seja, a taxa dos títulos públicos (Taxa Selic).

Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu esta taxa para a meta de 13% ao ano. Continue lendo “O que é spread bancário?”

Por que não há bolha imobiliária no Brasil?

Quando o nível de preços de um determinado mercado sobe por um período de tempo até um ponto em que despenca repentinamente, em geral é resultado de especulação sobre um conjunto de ativos que o precificou muito acima de seu real valor de mercado. Isto é uma bolha.

Alguém disse, há um tempo, que o Brasil viveu uma “bolha de queda suave”. Você já viu uma bolha de sabão desinflar? Este comportamento não é de bolha. No caso de nosso mercado imobiliário isto acontece principalmente por dois motivos: Continue lendo “Por que não há bolha imobiliária no Brasil?”

O que vai acontecer com o preço dos imóveis nos próximos 12 meses?

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Estudo da Poli confirma percepção deste blog

Estudo divulgado pelo Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da USP confirma duas percepções que tenho colocado neste blog:
1. Que não há indícios de bolha em nosso mercado imobiliário.
2. Que, mesmo assim, os preços de imóveis estão altos e há espaço para reduções.

Sinais de queda consistente no preço de imóveis

Boa notícia para quem quer comprar imóveis para moradia própria: ontem, pela primeira vez em muito tempo, foram publicados dados confiáveis que indicam queda consistente e generalizada de preços de imóveis em todo o território nacional.

Não espere por uma queda grande de preços (estouro de bolha). Mas uma queda de Continue lendo “Sinais de queda consistente no preço de imóveis”

Feliz Ibovespa novo

Finalmente o índice deixou de ser composto pelas ações mais negociadas para utilizar um critério mais racional e digno do principal índice de mercado doméstico: o valor de mercado das empresas. As críticas ao método antigo ganharam força depois que as ações da Continue lendo “Feliz Ibovespa novo”

Retração do crédito e o preço dos imóveis

O crédito imobiliário brasileiro, ainda quase totalmente lastreado em recursos da poupança e do FGTS, caminha para um possível problema de funding porque nem poupança, nem Fundo de Garantia cresceram na mesma velocidade da expansão imobiliária. Sim, havia uma folga financeira para isso, mas a folga se reduziu muito, e mesmo agora que nosso PIB puxou o freio de mão de vez, o crédito imobiliário continua em expansão. Sem uma solução milagrosa que crie repentinamente uma ampla cultura de funding alternativa lastreada em títulos e mercado secundário, o caminho é a inevitável Continue lendo “Retração do crédito e o preço dos imóveis”