Feliz mundo novo

Enquanto parte do mundo [1] começa a retomar suas atividades “normais” da era pré-pandemia, surge a ilusão de que estamos retornando àquilo que se convencionou chamar de “velho normal”. As coisas parecem caminhar para voltar à forma como tudo era antes.

Mas certamente não é bem essa a melhor interpretação para o momento presente. A maior pandemia de nossa era se mostrou também um gatilho para diversas mudanças que estavam latentes, grande parte delas associadas a diversas possibilidades tecnológicas pré-existentes em 2020.

Isso pode não ter (ainda) mudado a estrutura física do mundo, mas mudou profundamente as estruturas de nossos modelos mentais. Assim começam as revoluções: com a percepção de que o mundo tangível não comporta mais o mundo da racionalidade humana em seu novo estágio. O passo seguinte todo mundo já conhece: a reforma física, custe o que custar (e pode doer).

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O (não tão novo) normal dos shopping centers

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Poucos setores da economia foram tão afetados pela atual crise econômica decorrente da pandemia de covid-19 quanto o varejo. Que o digam os shopping centers, os quais, além deste problema, ainda seguem modelos arquitetônicos de caixotes introspectivos, cujo desenho ignora qualquer possível abertura para a cidade, e raramente tenta algum desenho de adequação climática inteligente. Com suas estruturas de manutenção custosas e energeticamente ineficientes, estão neste momento altamente vulneráveis ao intenso choque de demanda varejista.

Mas a pandemia está longe de ser a principal causa da decadência dos shoppings, apenas parece ter acelerado um processo que já estava presente. O declínio do modelo já havia se iniciado há mais de uma década quando o primeiro caso de covid-19 foi identificado na China. Continuar lendo O (não tão novo) normal dos shopping centers