Empreendimentos pioneiros de habitação social

Iniciativa pioneira de habitação social: Streatham Street, Henry Roberts, 1850

A cidade medieval, que já vinha sendo superada desde a Revolução Comercial burguesa na Europa, teve seu fim acelerado pela Revolução Industrial, em especial a partir de 1767 com a produção em massa de trilhos de ferro (Abraham Darby). Observe que, até então, as referências que consideramos urbanas nos dias atuais praticamente não existiam, e as primeiras indústrias têxteis se instalaram primeiro em zonas rurais (próximas à produção de matéria-prima), para depois se deslocarem a sítios próximos a cursos d’água (quando perceberam que este recurso era mais difícil de ser transportado que fardos de algodão). Foi só depois deste ciclo que essas indústrias ganharam escala e precisaram se posicionar próximas a fontes de carvão (força motriz das máquinas a vapor).

A cidade manufatureira inglesa já era um fato estabelecido por volta de 1820, quando havia cerca de 24.000 teares a vapor em operação. Porém, as referências rurais ainda não haviam sofrido evolução condizente aos grandes contingentes de trabalhadores, e sem qualquer estrutura urbana mínima de transporte, os operários precisavam se acomodar a distâncias viáveis de serem  vencidas a pé. Com isso, velhos bairros foram adensados ao extremo e transformados em áreas miseráveis, sem condições mínimas de salubridade ou de saneamento básico, o que logo se transformou em grandes epidemias de tuberculose (num primeiro momento) e de cólera e febre amarela (em momentos seguintes). Continuar lendo Empreendimentos pioneiros de habitação social

Qual é o seu assunto de interesse?

Olá!

De tempos em tempos eu costumo refazer essa pesquisa para entender melhor quem são os leitores deste blog e seus assuntos de interesse. Isso ajuda a criar textos que sejam mais úteis e interessantes a você.

Portanto, se puder responder unicamente à pergunta abaixo, me ajudaria muito!

Abraços a todos os leitores,

RT

Vitalidade e segurança nas cidades: os geradores de diversidade de Jane Jacobs

“Talvez a obra mais influente da história do urbanismo.” Foi assim que a crítica literária do New York Times classificou o mais famoso livro de Jane Jacobs (Morte e vida de grandes cidades) – e é muito provável que esteja correta.

A obra, publicada em 1961 por uma jornalista e política norte-americana em ataque ao urbanismo operacional modernista (que ela chamava de “urbanismo ortodoxo”), redesenhou os preceitos do planejamento urbano daquele ponto em diante. Seus ensinamentos continuam válidos (e muito) a qualquer pessoa que se disponha a dedicar tempo, vida e energia a pensar o mais complexo sistema já construído pela humanidade: a cidade. Prova disso é sua onipresença nos cursos de urbanismo por todo o planeta e as infinitas republicações (tenho em mãos neste momento uma tiragem de 2019).

A mais recente versão em português para o Brasil, da Martins Fontes, tem 510 páginas. Seria de extrema arrogância (e imprudência) tentar sintetizar uma obra seminal tão icônica num mero artigo de blog como este. Assim sendo, se você se interessa (acredito) pela qualidade de vida nas cidades, não há como escapar. É leitura obrigatória. Continuar lendo Vitalidade e segurança nas cidades: os geradores de diversidade de Jane Jacobs

José Canziani: aula sobre assentamentos pré-colombianos nos Andes Centrais

O arquiteto peruano José Canziani ministra, neste vídeo, uma magistral aula sobre a arquitetura pública em assentamentos humanos pré-colombianos no atual território do Peru. Continuar lendo José Canziani: aula sobre assentamentos pré-colombianos nos Andes Centrais

A emblemática PPP educacional do Uruguai

Se você está se perguntando porque uma PPP de educação no Uruguai seria emblemática, provavelmente está fazendo uma questão muito pertinente. Nosso vizinho é, sem qualquer dúvida, o Estado de bem-estar social (welfare state) mais bem-sucedido da América do Sul, e não é de hoje. Há muitas décadas que os uruguaios conheceram soluções (de fato) democratizantes no que diz respeito a direitos e benefícios sociais básicos. A habitação teve um gigantesco salto de qualidade (e quantidade) com uma construção de parcerias entre Governo e entidades setoriais de trabalhadores. Educação é de amplo acesso a todos, a ponto dos uruguaios desconhecerem a nossa realidade de vestibulares para educação superior. A Universidade da República oferece um número de vagas condizente com a demanda. Tanto que em vários cursos concorridos (Direito, por exemplo), sobram vagas para o atendimento à demanda interna, e eles recebem estudantes estrangeiros, entre os quais se incluem brasileiros.

Então por que um país como o Uruguai está fazendo uma PPP de educação? Continuar lendo A emblemática PPP educacional do Uruguai