Iluminação especial de bens culturais

Os sistemas de iluminação pública de bens especiais de valor patrimonial e histórico precisam ser desenhados com a devida observação às cartas internacionais de conservação patrimonial, incluindo as boas práticas e recomendações da UNESCO e do ICOMOS. Devem ser observadas, no mínimo, os seguintes documentos:

  • Carta de Atenas: base teórica da conservação, CIAM, 1931.
  • Carta de Veneza: documento mais influente até hoje, define os pilares básicos da autenticidademínima intervençãodistinção clara entre novo e antigorespeito às diversas fases históricas.
  • Carta de Burra: introduz o conceito de significado cultural (cultural significance) e as diretrizes de conservação baseada em valores, participação da comunidade, processo de gestão contínua.
  • Carta de Florença: foco nos jardins históricos como patrimônio.
  • Carta de Washington: foco em centros históricos urbanos, conservação integrada ao planejamento urbano.
  • Documento de Nara sobre autenticidade: reconhecimento de que autenticidade não é só material, inclui forma, uso, tradição, espírito.
  • Carta de Carcóvia: reforço de identidade local, diversidade cultural, integração com a sociedade contemporânea.
  • Princípios de Valetta: diretrizes internacionais para a conservação e gestão de áreas urbanas históricas.

Neste contexto, a iluminação de bens culturais e históricos deve obrigatoriamente ser concebida não apenas enquanto solução funcional, mas como uma intervenção sensível num repositório de valor histórico, artístico, simbólico, ou referencial de uma determinada comunidade (o bem a ser iluminado). Qualquer intervenção contemporânea, incluindo os sistemas de iluminação, deve respeitar a integridade, autenticidade e legibilidade do bem cultural, evitando falsificações históricas, mimetismo estilísticos e interferências indevidas. Continuar lendo Iluminação especial de bens culturais

Seleção adversa em concessões públicas

A definição de seleção adversa dada por Gregory Mankiw é a tendência de que o mix de atributos não-observados se torne indesejável do ponto de vista de uma parte desinformada. Observe que a “parte desinformada”, do ponto de vista econômico, não está definida ex ante, ou seja, pode ser tanto a parte ofertante quanto a demandante (vendedor ou comprador).

Para melhor entendimento desse risco em leilões de concessões públicas, o melhor a fazer é esquecer um pouco os exemplos clássicos de mercado de seguros ou de carros usados. Isso ocorre porque uma assimetria de informações no leilão (licitação) de um contrato de concessão pública tende a provocar prejuízos a ambas as partes no longo prazo: ao interesse público por prejudicar a entrega de benefícios, e ao investidor privado por criar um vínculo contratual prejudicial de longo prazo. Continuar lendo Seleção adversa em concessões públicas

Aversão irracional ao risco corporativo

O ser humano possui um mecanismo mental curioso: a permanente expectativa de ganho. Diversas pesquisas de economia comportamental demonstram que as pessoas dão maior peso às perdas que aos ganhos potenciais de mesma magnitude [1]. Isso é tão forte que, numa situação neutra (sem ganhos nem perdas) após a captação do risco, as pessoas sentem que houve perda.

A consultoria McKinsey fez uma pesquisa [2] com mais de 1.500 executivos de empresas globais em diversos setores, na qual apresentaram a seguinte hipótese: suponha que você esteja considerando um projeto cujo investimento seria de 10 milhões. Seu retorno potencial (a valor presente) é de 40 milhões em três anos, com alguma probabilidade de perder todo o investimento feito no primeiro ano. Qual seria a maior perda tolerável sem desistir do empreendimento? Continuar lendo Aversão irracional ao risco corporativo

Importância dos cenários econômico-financeiros

Uma prática comum e perigosa é a construção de estudos econômico-financeiros (planos de negócios, estudos de viabilidade, avaliações, modelagens etc.) baseada em um único cenário mais provável, obtido por meio de ponderações médias. O resultado pode ser perigoso para a tomada de decisão pelo risco de representar um resultado impossível, tal como dizer que o resultado mais provável ao rolar um dado será igual a 3,5.

A prática mais saudável é nunca ignorar riscos, e incluí-los nas previsões de fluxo de caixa, não no custo de capital. E a melhor forma de se fazer isso é construindo cenários alternativos e possíveis de fluxo de caixa. Parece óbvio, mas as empresas tendem a usar “atalhos” para construção de fluxos de caixa projetados, ou seja, a partir de um fluxo hipotético viável, aumentando a taxa de desconto para considerar seus riscos de variação. Continuar lendo Importância dos cenários econômico-financeiros

Proporção de arquitetos no Brasil [GA]

Estamos atualmente em um mercado em que existiam mais de 105 mil arquitetos em 2012, quando foi criado o CAU/BR, e cresceu a taxas constantes de aproximadamente 8% ao ano nos anos seguintes. Essa taxa de crescimento é suficiente para dobrar uma população em apenas nove anos: em 2018 já éramos mais de 166 mil arquitetos.
Em apenas seis anos, passamos de uma relação aproximada de um arquiteto para cada 1.905 habitantes para outra de um profissional para cada grupo de 1.266 brasileiros. Enquanto isso, a prévia do Censo de 2022 já mostra que a população brasileira está crescendo a uma taxa de 0,7% ao ano. Em outras palavras, a quantidade de arquitetos cresce 1.142,8% mais rápido que a população do país.

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