[e] Competição assimétrica


A era da transformação digital reduziu a clareza na identificação de concorrentes. Antigamente havia uma boa dose de certeza ao afirmar que os concorrentes pertenciam ao mesmo setor, eram razoavelmente parecidos entre si e fisicamente identificáveis no território.

Este cenário não existe mais.

Nos dias atuais, seus concorrentes podem ter uma existência e características completamente inesperadas, de difícil identificação e não estarem geograficamente localizados. Podem ter modelos de negócios inéditos, serem digitais e escaláveis a baixíssimo custo e entregar valor de forma mais rápida e eficaz a seus clientes.

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Breve histórico das vilas de São Paulo


Vários trabalhos caracterizam bem o que é uma vila na cidade de São Paulo. Apesar de haver outras definições encontradas por Solange Aragão (FAUUSP, 2000), a que melhor explica nosso objeto de estudo em seu trabalho é: conjunto de casas de mesma arquitetura implantada no interior de um terreno, conformando ruas e pátios. A lei municipal 10.015/85 define vila como um conjunto de pequenas habitações independentes, em geral idênticas, e dispostas de modo que formem rua ou praça interior, por via de regra sem caráter de logradouro público. A Lei de Vilas define o tipo como conjunto constituído por unidades habitacionais isoladas, agrupadas, geminadas ou sobrepostas em condomínio.

Devemos ter cuidado ao utilizar tais definições, pois referem-se à produção de um determinado período, compreendido entre 1937 e 1968, como veremos adiante. Existe um período anterior, das vilas operárias, quando os conjuntos eram produzidos em dimensões maiores, próximas a indústrias, e às vezes incluíam comércio, serviços, escolas e outros equipamentos. Neste primeiro período, as vilas criavam vias públicas de circulação (vide como ótimo exemplo a Vila Maria Zélia).

As vilas do terceiro período, viabilizadas pela lei municipal 11.605/1994 (Lei de Vilas), apresentam características distintas das produzidas em épocas anteriores, mas possuem a mesma estrutura física (casas reproduzidas várias vezes, dimensões relativamente pequenas, conformação de áreas coletivas internas) e fundiária (um único lote não dividido).

O tipo vila construído após a lei de 1994, por seguir o modelo de loteamento fechado, não tem mais a pequena rua de acesso às casas do interior da quadra, e a transição entre o espaço público da rua e o interior da vila é abrupto, via de regra com muros e guaritas. São constituídas em regime de condomínio e produzidas por incorporadoras imobiliárias.

Primeiro período: as vilas operárias

No final do século XIX, São Paulo vivia um surto de industrialização patrocinado pela indústria cafeeira, e a demanda por habitação foi incrementada pelo grande contingente de trabalhadores imigrantes que chegavam à cidade. Este cenário tornou a construção de casas para aluguel um negócio muito atraente, e casas precárias eram facilmente alugadas. Novos conjuntos de habitações insalubres eram construídos para suprir uma demanda que não parava de crescer. A cidade não estava preparada para receber, além de imigrantes, os que vinham de regiões próximas em busca de emprego. A oferta de moradias e a infraestrutura instalada estavam atrasadas em relação à velocidade de produção da cidade, que entre 1886 e 1900 vivenciou o seu crescimento mais vertiginoso – multiplicou por cinco sua população.

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[e] A administração da qualidade


A visão técnica de engenharia tende a ver a qualidade em termos de especificações, o conjunto de características de um produto ou serviço que os descrevem em termos de utilidade, desempenho ou de atributos. Também chamada de qualidade planejada, tem como contrapartida o que o cliente efetivamente recebe (qualidade real) – quanto mais próximas as duas estiverem entre si, maior a qualidade do produto ou serviço. Esta qualidade é também chamada de qualidade de conformação, de conformidade ou de aceitação.

Qualidade também significa regularidade, redução da variação em qualquer processo de trabalho. Este conceito está associado ao de confiabilidade.

Segundo a visão do cliente, qualidade recebe outra definição adicional: a de adequação ao uso (fitness for use), conforme definição de Joseph M. Duran, com dois significados: qualidade de projeto e ausência de deficiências.

Os investimentos necessários para o alcance a manutenção da qualidade são chamados de custos da qualidade e incluem o funcionamento do sistema da qualidade e evitar os custos de não haver qualidade. Estes custos dividem-se em duas categorias: custos de prevenção e custos de avaliação.

O controle da qualidade passou por três grandes períodos ao longo da história:

  1. Era da inspeção: separar o produto bom do defeituoso. Existe desde antes da Revolução Industrial, pois o artesão tinha interesse genuíno em seguir especificações rigorosas, seguindo suas próprias exigências estéticas ou com o objetivo de impressionar positivamente os clientes. Presente até hoje na produção utilitária ou artística. No início do século XX surgiu o inspetor da qualidade com essa função, desvinculado hierárquica e funcionalmente do supervisor. Mais tarde, esse inspetor se transformou num departamento de controle da qualidade
  2. Era do controle estatístico: com a produção em massa industrial a inspeção de todos os produtos da linha de montagem se tornou impossível. Como solução ao problema, surgiu em 1924, com Walter A. Shewhart, dos Laboratórios Bell, a inspeção por amostragem, cujas propriedades observadas são estendidas ao lote do qual foi extraída a amostra. Utiliza-se uma carta de controle que informava visualmente os desvios dos elementos observados e os limites de tolerância
  3. Era da qualidade total: Armand Feigenbaum apresentou este conceito em 1961, partindo do interesse do cliente. Isto significa ir muito além da conformidade com as especificações e rigoroso controle dos processos. Inclui um sistema da qualidade que permeia toda a organização – a qualidade é problema de todos, envolve toda a operação da empresa e exige visão sistêmica. Neste sistema, o fator humano é primordial, pois, no final das contas, todo produto ou serviço é realizado por um par de mãos humanas. Depende, portanto, de participação e apoio de pessoas.

A qualidade deve estar embutida no produto ou serviço desde o início, sempre do ponto de vista do cliente, abrangendo todos os estágios do ciclo de produção, dos quais Feigenbaum elencou oito: Continuar lendo

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Investir em ações vale a pena no longo prazo. Mesmo em dólar.


Repetimos sempre que o investimento em uma carteira diversificada de ações é um bom negócio no longo prazo. O que nós não sabemos é o quão longo é esse prazo. De qualquer forma, para quem pode (e deseja) esperar, o retorno é bastante compensador.

Recentemente, com a elevação das taxas de juros nos títulos públicos dos Estados Unidos, as moedas menos fortes (como o real) sofreram forte desvalorização (origem da crise na Turquia). Neste momento, há quem esteja alegando que a vantagem de longo prazo da bolsa brasileira não se reproduziria em dólar (ou outra moeda forte). Continuar lendo

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[e] A evolução da Escola Clássica


O século XX viu o surgimento de grandes empresas e, com elas, maior demanda por organização além do chão de fábrica. Naquele momento histórico ficou evidente a necessidade de um sistema de conhecimentos para a totalidade das operações organizacionais. Surgiram então, dentro dessas mesmas empresas, soluções para a organização interna e a profissionalização de sua administração, condições básicas para o crescimento sustentado de qualquer tipo de organização, independente de quem a administrasse. O final da década de 1920 viu o surgimento de duas importantes referências: Pierre du Pont (1870 – 1954) e Alfred Sloan (1875 – 1966).

Du Pont criou e implantou técnicas de administração, finanças e operações em duas grandes corporações: DuPont e General Motors. A primeira, fundada em 1802, cresceu rapidamente como fabricante de pólvora. Pierre assumiu sua presidência em 1915 e conduziu sua ampliação, modernização e diversificação, comprou outras empresas do mesmo ramo e expandiu negócios para a indústria química. As soluções criadas para a administração do conglomerado só precisariam ser revistas meio século depois. Ele introduziu o conceito de retorno sobre o investimento (return on investment, ROI) cuja forma de cálculo é hoje conhecida como fórmula DuPont.

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Vilas: lei de 1994 x vilas antigas


Há muitos equívocos publicados pela internet quando se fala na Lei de Vilas de São Paulo. A verdadeira Lei de Vilas com este nome é a lei municipal 11.605/1994. Esta lei instituiu a possibilidade de se construir condomínios de casas em lotes de até 15.000m² na zona urbana do município.

Por adotar a figura jurídica do condomínio, o lote não é parcelado e cada unidade tem direito a uma fração ideal de terreno, conforme a Lei Federal 4.591 e registrado conforme os quadros da norma técnica NBR 12.721.

Estes condomínios não devem ser confundidos com as vilas de meados do século XX, em geral construídas como ruas sem saída, passagens estreitas através de quadras ou mesmo casas em renques (sequências de casas idênticas) construídas por pequenos e médios investidores para aluguel. Estas últimas beneficiavam-se de um dispositivo do Código de Obras Arthur Saboya que permitia a aprovação automática de casas “populares” ao longo de passagens de miolos de quadra quando cujas aprovações de abertura de viário eram solicitadas à prefeitura. O código exigia alargamento de via para manobras em casos de ruas sem saída ou travessia de quadras (daí a origem de alargamentos viários presentes até os dias de hoje). Continuar lendo

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[e] De Henry Fayol a Peter Drucker


O engenheiro francês Henry Fayol publicou, em 1916, os princípios do processo administrativo:

  1. a administração é função distinta das demais funções da empresa (como operação, finanças, comercial, contabilidade, técnica, etc.)
  2. a administração compreende cinco funções: planejamento, organização, comando, coordenação e controle

Segundo Fayol, a administração é uma atividade comum a todos os empreendimentos humanos (família, negócios, governo), portanto todos deveriam estudá-la. Propôs também que a empresa é um sistema racional de regras e de autoridade com o objetivo primário de fornecer valor a seus consumidores. Seu pioneirismo reside na visão de que a administração deveria ser vista como função separada das demais funções da empresa, com maior impacto quando há separação do trabalho dos administradores das atividades operacionais. Como a separação de funções não significa obrigatoriamente a separação de pessoas, este princípio se aplicaria à prestação de serviços em organizações pequenas, como escritórios de arquitetura com reduzido número de colaboradores.

Fayol elencou dezesseis papeis dos gerentes: Continuar lendo

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Uma leitura do atual cenário macroeconômico


O ano de 2018, até o presente momento, apresentou instabilidades domésticas e externas relativamente incomuns. A greve de caminhoneiros, inédita em termos de escala e impactos macroeconômicos foi alimentada por fatores políticos de esvaziamento de poder, perda de representatividade e instabilidades presentes desde os protestos de 2013, e provocou importante interrupção na infraestrutura de produção e de consumo no país.

A atividade econômica retraída e baixas taxas inflacionárias no período recente contribuíram para a redução da taxa básica de juro da economia (Selic), criando um cenário de maior atratividade à tomada de crédito e investimentos. Os índices ainda baixos de confiança do consumidor e dos empresários adiam a retomada de investimentos em fatores de produção. Um primeiro movimento de inflexão na confiança foi registrado ainda no ano de 2017 em diversos setores, apontando para a entrada em nova fase do ciclo econômico (possível início da retomada da atividade econômica). Os setores em si também não se apresentam em fases semelhantes, pois alguns apresentam melhores índices que outros. Continuar lendo

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[e] O que foi o movimento da administração científica?


Frederick Winslow Taylor, nome mais destacado deste movimento, ingressou na Midvale Steel em 1878, onde observou problemas das operações fabris (presentes em várias organizações até os dias de hoje), como: falta de divisão clara da divisão de responsabilidades da administração com o trabalhador; ausência de incentivos para melhorar o desempenho; trabalhadores não cumprindo com suas responsabilidades; decisões baseadas em intuição e palpite; falta de integração entre departamentos; operários despreparados para execução de tarefas exigidas; ignorância sobre os benefícios da excelência de desempenho, conflitos entre capatazes e empregados sobre o volume de produção.

A partir de suas observações, desenvolveu um sistema de administração de tarefas que mais tarde ficou conhecido como sistema Taylor, taylorismo e, depois, administração científica. O principal motivo do estudo dos tempos foi a busca da precisão para definir o valor dos salários. Posteriormente, percebeu-se seu valor intrínseco de permitir o aprimoramento do trabalho operacional através da racionalização de movimentos.
Na segunda fase do movimento, a ênfase se desloca da produtividade do trabalhador para o aprimoramento dos métodos de trabalho. Naquele momento, Taylor apresentou seus princípios da administração de uma empresa:

  1. Seleção e treinamento de pessoal
  2. Salários altos e custos baixos de produção
  3. Identificação da melhor maneira de executar tarefas
  4. Cooperação entre administração e trabalhadores

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Thank you, world!


Em amarelo, todos os 112 demais países que acessaram este blog em 2018 (de janeiro a junho).

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