Custo de capital próprio (CAPM)


Falaremos hoje sobre o custo do capital próprio calculado pelo CAPM, terceira parte da série de 4 artigos sobre o custo de capital para uma empresa:

  1. O que é coeficiente de correlação?
  2. O que é Beta?
  3. Custo de capital próprio (CAPM)
  4. Custo de capital total (WACC)

O risco é um componente da taxa de desconto a ser aplicada na análise do fluxo de caixa. Ele não pode ser ignorado no cálculo do Valor Presente Líquido porque vivemos num mundo que inclui riscos – os quais precisam aparecer em nosso modelo de análise. Ninguém investiria nem em fundos de investimentos ultraconservadores sem considerar os riscos envolvidos – e lembre-se que retorno de risco zero é sempre teórico, não existe no mundo real.

Não existe uma definição universalmente aceita para o risco. Para o mundo das finanças, é a imprevisibilidade. Estatisticamente, a flutuação no comportamento de uma variável é medida pela variância ou por sua raiz quadrada, o desviopadrão. Variância e desvio-padrão mostram o quanto os valores assumidos pela variável podem se afastar do ponto médio (a tendência central). Ou seja, queremos a medida do quão imprevisível o comportamento desta variável será. Quanto mais ela varia, mais risco está nela embutido. Se não varia nada, você tem alto grau de certeza para apostar em seu comportamento futuro, o risco é baixo.

Em primeiro lugar, é necessário separar o risco sistemático do risco não sistemático. O risco sistemático (não diversificável) é externo à capacidade de diversificação do investidor: é caracterizado por fatores macroeconômicos, eventos externos ou globais. Câmbio, inflação, crises econômicas, desemprego, resultado do PIB são riscos sistemáticos. É difícil se precaver para este tipo de risco, que costuma atingir a economia doméstica de forma ampla. A diversificação dos investimentos não reduz o risco de colapso global ao qual o investidor está exposto. A crise de 2008 foi um desses colapsos, onde todos os setores sofreram impacto.

O risco não sistemático (diversificável) está associado ao risco setorial do empreendimento, portanto poderia ser reduzido se o empreendedor fizesse também outro investimento de proteção (hedge) em projetos que costumam apresentar resultados contrários aos de seu setor. Ativos que apresentam resultados inversos possuem correlação negativa entre si: quando um piora, o outro melhora. Por esse motivo o risco não sistemático também é chamado de risco diversificável, no qual a diversificação de investimentos reduz o risco global do investidor.

A questão central para a avaliação econômica é como medir o risco. Como transformar toda a incerteza em um valor, quantificá-lo? Como utilizar o desvio-padrão ou a variância em nossa planilha de estudo de viabilidade? Continuar lendo

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O que é Beta?


Continuamos hoje a série de 4 artigos sobre o custo de capital para uma empresa:

  1. O que é coeficiente de correlação?
  2. O que é Beta?
  3. Custo de capital próprio (CAPM)
  4. Custo de capital total (WACC)

Depois de entender como verificar a correlação entre dois ativos, a segunda pergunta que surge naturalmente é: em que magnitude um deles se afeta pela variação de um determinado referencial.

O investidor quer saber qual é a volatilidade do ativo em relação ao comportamento de outro cujo comportamento e risco sejam conhecidos. Conforme já dissemos várias vezes aqui no blog, variância é, no mundo financeiro, associada ao risco.

Existe um indicador que mede a variância de um determinado ativo comparado à variância de um parâmetro (em geral, um indicador de mercado). Este indicador é chamado de beta. É importante salientar que o beta não é uma medida de aderência, não verifica o quão correlacionado o comportamento do ativo está em relação ao comportamento geral do mercado, e sim a magnitude em que isto ocorre, sendo portanto uma medida de elasticidade.

A equação para o cálculo do Beta é a seguinte: Continuar lendo

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Custo de capital: O que é coeficiente de correlação?


Iniciaremos hoje uma série de 4 artigos sobre o custo de capital para uma empresa:

  1. O que é coeficiente de correlação?
  2. O que é Beta?
  3. Custo de capital próprio (CAPM)
  4. Custo de capital total (WACC)

Custo de capital é o custo de oportunidade que deve ser superado pelo empreendimento para valer a pena manter o negócio ativo. Se esta taxa não é ultrapassada pelo lucro líquido, significa que o investidor está perdendo dinheiro. Vamos explicar aqui, item por item, como calcular esta taxa.

Este cálculo atravessa três principais assuntos de interesse deste blog:

  • Viabilidade econômica de empreendimentos imobiliários (incorporação)
  • Gestão de escritórios de arquitetura e engenharia
  • Avaliação econômica de imóveis (pelo método da capitalização da renda)

O primeiro e mais rudimentar indicador de comportamento de qualquer ativo é a chamada correlação. Este é um termo utilizado cotidianamente, o que facilita seu entendimento. Por exemplo:

  • Correlação entre poluição do ar e aquecimento global
  • Correlação entre taxa Selic e inflação
  • Correlação entre desemprego e violência

E assim por diante. Continuar lendo

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CAU/BR aciona Andrade Gutierrez por difamação de arquitetos e urbanistas


Reprodução integral da matéria divulgada pelo CAU/BR:

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil protocolou em 03/03/17 na Justiça Federal do Distrito Federal  ação contra a Construtora Andrade Gutierrez com pedido de liminar objetivando a sustação da veiculação, em emissoras de rádio nacionais, de “spot” de campanha da empreiteira considerado difamatório contra a categoria de arquitetos e urbanistas por caracterizá-los como negligentes, imperitos e irresponsáveis. A empreiteira, uma das maiores do país, recorde-se, foi a primeira a assinar acordo de leniência com o Ministério Público Federal, em maio de 2016, por seu envolvimento em atos de corrupção descobertos  pela Operação Lava-Jato. Continuar lendo

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Livro “Introdução à administração do escritório de arquitetura” será atualizado


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Olá meus amigos leitores!

Tenho grande satisfação em avisar que o livro Introdução à administração do escritório de arquitetura terá o texto atualizado nos próximos dias.

Como todos os livros vendidos estão em formato digital, significa que o seu exemplar será atualizado automaticamente, sem custo adicional.

Caso isso não ocorra, para receber a atualização você deve: Continuar lendo

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Por que o blog não tem mais anúncios publicitários?


Estamos quase completando 8 anos de existência, e desde o início tivemos como missão trazer gratuitamente informação e análises de qualidade para você. Os anúncios eram uma forma de viabilizar nossas despesas com a manutenção do blog.

Temos agora grande prazer em anunciar que a venda de outros produtos e serviços, como livros e palestras já cobrem estas despesas. Significa que não haverá mais anúncios em sua tela, e o visual será mais objetivo (assim como o material publicado).

E para comemorar este momento, traremos em breve mais boas surpresas para você.

E tudo gratuito, como sempre.

Um forte abraço,

RT

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Livro “Estudo de Viabilidade…” com cupom de desconto


Aproveitando o clima de Carnaval, o eBook “Estudo de viabilidade econômica de empreendimentos imobiliários” faz parte de uma seleção de livros com direito a cupom de desconto no valor de R$5.

O leitor terá direito a R$5 de desconto na compra, inserindo o cupom CARNAVAL5 na página do livro antes de comprá-lo na Amazon.com.br. A promoção irá do dia 24 de fevereiro até 28 de fevereiro de 2017 às 23:59.

ATENÇÃO: cada leitor poderá utilizar o cupom somente UMA VEZ no site.

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Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R)


A necessidade de um indicador confiável para o nível de preços do mercado imobiliário residencial levou a ABECIP (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), e a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a lançar o IGMI-R. Este é o indicador mais confiável do setor por ser calculado com base nos laudos de imóveis financiados pelos bancos. O conceito é o mesmo do IGMI-C (Índice Geral de Preços Imobiliários – Comercial), lançado em 2011.

O IGMI-R usa metodologias adotadas por especialistas de mercado para fornecer o valor mais próximo possível da realidade para a transação do imóvel. As informações consideradas nos laudos de avaliação são mensuráveis e verificáveis, tais como localização, área privativa, características do entorno, padrão de acabamento, estado de conservação, número de dormitórios, etc. Continuar lendo

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Moedas brasileiras de 1942 a 2017


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Primeira família do Real

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Segunda família do Real

O período de combate à hiperinflação entre 1983 e 1994 deixou um histórico de rápidas mudanças de moedas no Brasil, o que causa até hoje confusão quando valores da época precisam ser atualizados. Fizemos coisas inéditas em todo o globo, como trocar 100% da moeda num único dia (1 de julho de 1994). Diversas vezes tivemos três zeros cortados e os nomes se repetiam para dificultar ainda mais a percepção do histórico de moedas. Nesses dez anos de solidão tupiniquim, as moedas oficiais passaram por uma pequena odisseia, então deixamos aqui um pequeno guia para lhe ajudar.

  1. Cruzeiro (Cr$) – 1942 a 1967. Este período inclui as primeiras emissões do Banco Central do Brasil. A partir de 1966, o nome do Bacen aparecia pela primeira vez nas cédulas de 10.000 cruzeiros.
  2. Cruzeiro Novo (NCr$) – 1967 a 1970. (1.000 cruzeiros = 1 cruzeiro novo). O nome foi criado temporariamente, até que a população se acostumasse com o corte de três zeros. O nome voltou a ser Cruzeiro em 1970.
  3. Cruzeiro (Cr$) – 1970 a 1986. (1 cruzeiro novo = 1 cruzeiro). O nome voltou ao padrão antigo, mas foi lançada uma nova família de cédulas, com projeto gráfico de Aloísio Magalhães. Era a primeira vez que nosso papel-moeda tinha projeto gráfico moderno.
  4. Cruzado (Cz$) – 1986 a 1989. (1.000 cruzeiros = 1 cruzado). Inaugura a saga dos planos de combate à hiperinflação dos anos 1980-1990. Circularam simultaneamente cédulas antigas de cruzeiros carimbadas ou não. A moeda era consequência do Plano Cruzado.
  5. Cruzado Novo (NCz$) – 1989 a 1990. (1.000 cruzados = 1 cruzado novo). O Plano Verão, após os planos Bresser e Maílson, interfere novamente no padrão monetário nacional.
  6. Cruzeiro (Cr$) – 1990 a 1993. (1 cruzado novo = 1 cruzeiro). Resultado do Plano Collor, a transição de governo trouxe de volta o padrão Cruzeiro e o congelamento dos depósitos em poupança como medida emergencial de combate à hiperinflação.
  7. Cruzeiro Real (CR$) – agosto de 1993 a julho de 1994. (1.000 cruzeiros = 1 cruzeiro real). Resolvidos os problemas de inflação de serviços, de custos e o desequilíbrio fiscal, faltava apenas eliminar a indexação da economia e a inflação inercial. O Cruzeiro Real foi a primeira medida para a resolução destes dois problemas, que se encerrariam com a substituição pelo Real em 1994. O Cruzeiro Real era, assim, parte do Plano Real.
  8. Real (R$) – desde julho de 1994. (1 URV = 2.750 cruzeiros reais = 1 real). O Plano Real substituiu toda a moeda nacional em 1 de julho de 1994, a maior troca de moeda da história. A estratégia foi transferir a indexação da economia para um único indicador confiável (URV) durante três meses, com rígido controle fiscal e monetário, e depois transformar este indexador em moeda. Houve substituição total de papel-moeda e controle monetário via taxas de juros pela meta da Selic (em vigor até hoje).

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