Aversão irracional ao risco corporativo

O ser humano possui um mecanismo mental curioso: a permanente expectativa de ganho. Diversas pesquisas de economia comportamental demonstram que as pessoas dão maior peso às perdas que aos ganhos potenciais de mesma magnitude [1]. Isso é tão forte que, numa situação neutra (sem ganhos nem perdas) após a captação do risco, as pessoas sentem que houve perda.

A consultoria McKinsey fez uma pesquisa [2] com mais de 1.500 executivos de empresas globais em diversos setores, na qual apresentaram a seguinte hipótese: suponha que você esteja considerando um projeto cujo investimento seria de 10 milhões. Seu retorno potencial (a valor presente) é de 40 milhões em três anos, com alguma probabilidade de perder todo o investimento feito no primeiro ano. Qual seria a maior perda tolerável sem desistir do empreendimento? Continuar lendo Aversão irracional ao risco corporativo

Importância dos cenários econômico-financeiros

Uma prática comum e perigosa é a construção de estudos econômico-financeiros (planos de negócios, estudos de viabilidade, avaliações, modelagens etc.) baseada em um único cenário mais provável, obtido por meio de ponderações médias. O resultado pode ser perigoso para a tomada de decisão pelo risco de representar um resultado impossível, tal como dizer que o resultado mais provável ao rolar um dado será igual a 3,5.

A prática mais saudável é nunca ignorar riscos, e incluí-los nas previsões de fluxo de caixa, não no custo de capital. E a melhor forma de se fazer isso é construindo cenários alternativos e possíveis de fluxo de caixa. Parece óbvio, mas as empresas tendem a usar “atalhos” para construção de fluxos de caixa projetados, ou seja, a partir de um fluxo hipotético viável, aumentando a taxa de desconto para considerar seus riscos de variação. Continuar lendo Importância dos cenários econômico-financeiros

Nova família de livros técnicos

Este ano de 2026 trouxe uma nova família de livros técnicos econômico-financeiros, em especial meus dois principais títulos: Avaliação econômica de empreendimentos (segunda edição) e Estudo de viabilidade econômico-financeira (terceira edição).

Avaliação econômica de empreendimentos pelo método da renda NBR 14.653-4 Segunda Edição

Estudo de viabilidade econômica de empreendimentos imobiliários

Estas duas novas edições estão com textos completamente revisados e ampliados, exemplos revistos, novo material, e trazem importantes atualizações, inclusive ao nosso novo panorama tecnológico. Continuar lendo Nova família de livros técnicos

Significado do custo de capital [valuation]

MEF: Capital de Giro

Existem diversos ângulos pelos quais podemos observar o papel do custo de capital na determinação da taxa de desconto do fluxo de caixa, seja para a finalidade que for: avaliar um empreendimento, consruir um plano de negócios, estudar a viabilidade de um negócio ou modelar uma nova oportunidade para o mercado.

A literatura de avaliação de empresas (valuation) não parece ter qualquer dúvida sobre a questão e afirma recorrentemente o custo de capital como a taxa à qual o fluxo de caixa deveria ser descontado para que possamos conhecer o valor presente de uma série de montantes financeiros. O motivo para isso é simples: esta é a taxa com a qual são comparados os retornos sobre o capital investido para verificar se o empreendimento está gerando valor. Em outras palavras: o capital investido deveria ter um retorno mínimo igual ao custo de capital para que este investimento faça sentido e seja viável e atraente ao investimento. Continuar lendo Significado do custo de capital [valuation]

A revolução habitacional do Recife

PPP Morar no Centro Recife PE

A cidade do Recife sempre esteve na vanguarda da habitação social no Brasil: foi pioneira na instituição de zonas especiais de interesse social (ZEIS), exibiu ao país a força da resistência de uma comunidade carente ao interesse imobiliário (Brasília Teimosa), entre diversos outros exemplos. E no último sábado (31/01/26), reafirmou essa posição de vanguarda ao publicar o primeiro Edital de licitação de PPP de Locação Social do Minha Casa Minha Vida, incluindo retrofit de edifícios históricos, a recuperação de uma estrutura de concreto bem no centro da cidade e a produção habitacional para locação social em parceria com a iniciativa privada.

Mais que uma iniciativa de direito à moradia, a PPP Morar no Centro do Recife é um decisivo e estratégico passo de direito à cidade, um exemplo emblemático ao país. O projeto é composto por imóveis localizados na região central da capital pernambucana ou em seu entorno imediato, incluindo os bairros de São José, Santo Antônio, Boa Vista e Cabanga. Isso significa que a população atendida ficará próxima aos equipamentos públicos de melhor qualidade, de transporte coletivo abundante e dos maiores polos de oferta de emprego e renda. Além disso, o projeto inclui a construção de uma creche no Pátio 304, de reserva de área para outra creche no Cabanga, e construção da sede da Orquestra Criança Cidadã, uma belíssima iniciativa de inclusão social e desenvolvimento cultural. Continuar lendo A revolução habitacional do Recife