Tomada para recarregar carro elétrico

Como deveria ser o ponto de energia elétrica na garagem ou estacionamento para carregar um veículo elétrico?

Recentemente, foi publicada pela revista Auto Esporte uma matéria que passou rapidamente sobre o assunto da instalação elétrica do ponto.

O texto dizia o seguinte: “A recomendação deste padrão é de que as tomadas de 110 Volts tenham no mínimo 10 amperes e no máximo 20 amperes. Já as de 220 Volts possuem corrente de 20 amperes. Em qualquer uma é possível carregar e o custo é o mesmo, só muda o tempo de recarga.”

Do ponto de vista técnico de instalações elétricas, essa afirmativa não faz muito sentido para uma determinada potência elétrica de carregamento. Isso acontece porque a potência (P) é igual à multiplicação entre a tensão (U), em volts, e a corrente (i) em ampéres:

P = U . i

Portanto, quanto a tensão elétrica dobra (de 110 V para 220 V), a uma dada potência (P) fixa, a corrente elétrica deveria ser dividida por dois, e não dobrada. No exemplo, se a 110V a corrente é de 10A a 20A, mantida a potência elétrica, na tensão de 220V a corrente deveria ser de 5A a 10A. O texto da revista dá a impressão que a corrente elétrica em 220V seria a mesma ou maior que em 110V, o que não faz sentido.

Pelo que podemos inferir, a partir do texto é recomendação de se prever até 20 A de corrente para 110V, e isso ajuda a dimensionar o disjuntor desse circuito. Provavelmente, a corrente em 220V seria menor que essa, pela lógica apontada acima. Continuar lendo Tomada para recarregar carro elétrico

Um problema inadiável

Cada brasileiro gera, em média, aproximadamente 1kg de lixo por dia (365 kg por ano). Portanto, uma única residência com 4 pessoas gera, em média, praticamente 1,5 toneladas de resíduos por ano. O custo médio atual para as prefeituras darem alguma destinação a este volume todo (longe da ideal) é de R$ 125/tonelada. Ou seja, esta residência de 4 pessoas custa R$ 180 por ano para a prefeitura dar solução ao lixo por ela gerado. E não existe almoço grátis: se você não paga taxa nem tarifa para isso, este dinheiro está sendo retirado dos cofres públicos e reduzindo investimentos em outras áreas, como saúde, educação e segurança pública, por exemplo.

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Vídeo: dicas para se fazer bons projetos de Arquitetura

Olá, pessoal. Tenho acompanhado muitos colegas de profissão, alguns recém-formados, outros ainda estudantes, com dificuldade em produzir seus primeiros projetos. Gravei este vídeo com a intenção de ajudar, dando algumas dicas que aprendi ao longo destes 19 anos de profissão.

O objetivo é simplesmente indicar alguns caminhos, auxiliar o início de algumas caminhadas. Espero que ajude a quem precisa.

Abraços,

RT

https://youtu.be/YNKbnSfbYJw

O poder da narrativa na gestão da empresa de arquitetura ou design

Nós, humanos, temos muito mais facilidade para aprender qualquer coisa quando ouvimos alguém contando uma história. É uma atividade tão prazerosa que atravessa milênios e culturas por todo o globo terrestre. Pelo menos no imaginário popular.

Ao contar uma história, verificamos se uma proposta qualquer faz sentido. A narrativa precisa fazer sentido para ser crível, e esta é a transação básica de quem vive de contar histórias, como escritores e roteiristas. Além disso, permite apresentar, compreender e testar conceitos abstratos, complexos, ambíguos e mutantes.

Num mundo estável, racional e linear, contar uma história não passa de uma atividade lúdica. Mas no atual mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo), faz sentido retomar costumes primordiais para verificar se um atributo qualquer que se queira oferecer ao mercado teria, de fato, valor percebido pelo potencial cliente. E é isso o que grandes corporações estão fazendo. Curiosamente, copiando práticas cotidianas de arquitetos e designers para produzir mudanças que os próprios arquitetos e designers ainda precisam fazer. Continuar lendo O poder da narrativa na gestão da empresa de arquitetura ou design

Cálculo da taxa de desconto por WACC: exemplo para incorporação imobiliária

Explicaremos hoje como calcular a taxa de desconto pelo WACC (custo médio ponderado de capital), usando como exemplo o setor de incorporação imobiliária. Para o cálculo do WACC, você precisa primeiro calcular o custo do capital próprio pelo CAPM (veja aqui como fazer) e determinar o beta alavancado (clique aqui para ver como calcular).

Nos exemplos anteriores (links no parágrafo de cima), obtivemos:

  • Custo de capital próprio pelo CAPM = 9,09% ao ano, taxa real
  • Beta alavancado = 0,88 (real estate development, 15% de capital de terceiros)

Agora é necessário descobrir a taxa efetiva de captação desses 15% de recursos de terceiros (crédito). Vamos supor, a título de exemplo, que seja de 5,5% ao ano, taxa real (descontada a inflação).

Com todas essas informações em mãos, é fácil obter o custo médio ponderado de capital (WACC), a taxa mais utilizada para fluxos de caixa descontados:

 

rKP é o retorno exigido pelo capital próprio que obtivemos pelo CAPM (9,09%).

A parcela KP/(KP+KT) é a participação do capital próprio na estrutura de capital total (85%).

rKT é o retorno exigido pelo capital de terceiros que citamos acima (5,5%).

A parcela KT/(KP+KT) é a participação do capital de terceiros na estrutura de capital total (15%).

Tc é a alíquota de tributos sobre a renda (34% para lucro real).

Substituindo na fórmula:

WACC= 9,09% x 0,85 + 5,5% x 0,15 x 0,66

WACC = 8,27% ao ano

Repare que o custo de capital total da empresa com dívidas é menor que o da empresa que não tomou empréstimos. É por isso que as empresas usam dívidas em suas estruturas de capital.

Recomendo que você simule uma alavancagem maior (por exemplo, 25% de capital de terceiros) para entender bem o conceito. Não se esqueça de usar o beta alavancado.

Saiba mais:

Estudo de viabilidade econômica de empreendimentos imobiliários

Avaliação econômica de imóveis

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Leia também:

Custo de capital: o que é coeficiente de correlação