Diferença entre direção e execução de obra

Alguns bancos exigem a apresentação de ART ou RRT de Execução de Obra para o financiamento imobiliário, sendo esta decorrente das exigências de seguradoras. Entretanto, este documento é um dos que mais geram dúvidas e confusões tanto entre clientes quanto aos profissionais de arquitetura e engenharia.

A Execução de Obra é anotada exclusivamente pela atividade 2.1.1 do RRT do CAU (quando arquiteto e urbanista) ou pela atividade 25 da ART do CREA (quando engenheiro). E, ao contrário do que algumas pessoas ainda pensam por mero desconhecimento, não existe limite de área ou número de pavimentos que possam ser de responsabilidade de arquitetos e urbanistas, inclusive estrutural. A diferença está no tipo de serviço (e ainda assim, são poucas as diferenças). Por exemplo, um arquiteto não pode se responsabilizar sozinho por (entre outros) estradas, ferrovias, pistas de aeroporto. O engenheiro, por sua vez, não pode se responsabilizar de forma solitária por planos diretores, urbanismo, projetos arquitetônicos, entre outras atividades.

A atividade de Execução de Obra é muito diferente da Direção de Obra, outra confusão comum. A direção é a assistência técnica à obra, e é realizado por visitas periódicas ao canteiro (com quantidade mínima estabelecida em contrato) para verificação do cumprimento do projeto e orientações gerais à equipe. Este é o serviço mais comum no Brasil, pois aqui é muito comum o investidor contratar diretamente a mão-de-obra de execução (a chamada autoconstrução ou autogestão) – motivo pelo qual as prefeituras costumam aceitar este documento. O profissional deve tomar muito cuidado aqui, pois esta não é a atividade de execução de obra. Portanto, não é o responsável pela execução de seus componentes, e sim pela direção técnica dos processos construtivos. Continue lendo “Diferença entre direção e execução de obra”

O que é spread bancário?

As empresas comerciais de revenda de mercadorias constroem seus resultados, grosso modo, na diferença entre o custo de aquisição e o preço de venda. Os bancos são empresas peculiares, que trabalham com o dinheiro como mercadoria, sendo seu custo (e preço) melhor expressado por taxas. A diferença entre o custo (taxa) de captação e a taxa de recolocação do recurso financeiro no mercado é chamado spread, uma diferença entre taxas.

O custo de captação de recursos pelos bancos é materializada pelas taxas de remuneração do capital dos correntistas: são as remunerações de poupança, fundos, certificados, títulos, etc. Portanto, possuem alta correlação com a taxa de juros pagas pelos títulos públicos, fixadas pelo Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) do Tesouro Nacional. Isso acontece porque os bancos transferem em tempo real recursos entre si para suas próprias contas no Banco Central, no chamado mercado interbancário. Os Depósitos Interbancários (DI) possuem taxa correlacionada a seu custo de oportunidade, ou seja, a taxa dos títulos públicos (Taxa Selic).

Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu esta taxa para a meta de 13% ao ano. Continue lendo “O que é spread bancário?”

Fusão operacional entre BB e Caixa: a consagração das obviedades para os negócios imobiliários

Esqueça por um instante partidos e posições políticas. Esqueça a ideologia que você acredita ser a mais correta sobre a participação do Estado na economia. Tente imaginar uma explicação para um estrangeiro sobre como funcionam os bancos do governo no Brasil. São quatro instituições: Banco Central, BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

A função do Bacen é fácil de explicar, basta falar da execução da política monetária, fiscalização, regulação, comparar com o Fed e o BCE, e o cara já entendeu. O BNDES é o banco de fomento, de transferência de recursos públicos, de crédito para o investimento (conceito econômico, aquele que faria o PIB crescer, se fosse maior). O BB é um banco de varejo. De economia mista, vá lá, é a vontade de nossos governos que seja assim, faz parte de nossa cultura bancária, enfim… Tem seu core business na competição direta com os bancos privados. E a Caixa é o banco da habitação, do negócio imobiliário, da operação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço do trabalhador – FGTS, dos programas sociais, dos programas de transferência de renda, e da poupança. E um pouco mais. Continue lendo “Fusão operacional entre BB e Caixa: a consagração das obviedades para os negócios imobiliários”

Proteja seu dinheiro: Letras de Crédito Imobiliário (LCI)

Ultimamente tem sido difícil encontrar uma aplicação financeira que empolgue minimamente o investidor. É de amplo conhecimento que a poupança está sendo devorada pela inflação real (levemente diferente da oficial), e que os fundos de renda fixa e CDB mal a superam. O Ibovespa, na casa dos 53 mil pontos ainda está muito longe do pico histórico de 73 mil pontos, e continua andando de lado. Alguns títulos de tesouro direto, como os NTN-B, são negociados com deságios desanimadores. Nem o dólar anima.

Neste cenário desolador, algumas alternativas existem, sim. Uma delas é o LCI, Letras de Crédito Imobiliário, uma aplicação isenta de Imposto de Renda e que entrega Continue lendo “Proteja seu dinheiro: Letras de Crédito Imobiliário (LCI)”

William Handorf: Gerenciamento de capital na economia global e indicadores de risco – anotações pessoais

Palestra de William Handorf – anotações pessoais
Gerenciamento de capital na economia global e indicadores de risco
Fecomercio, São Paulo, 24/08/2011, 9h às 13h

William Handorf
Ex-diretor do Fed (Federal Reserve) de Richmond. Professor do Departamento de Finanças da George Washington University. Diretor do Federal Home Loan Bank de Atlanta. Publicou diversos artigos em vários journals sobre banking, mercado imobiliário, seguros, educacionais, entre outros. Tem ampla experiência nos setores público e privado.

Mesa:
Milto Bardini – Conselheiro da ABBC – Associação Brasileira de Bancos
Manuel Enriquez García – Presidente da Ordem dos Economistas do Brasil
Paulo Rabello de Castro – Presidente do Conselho de Planejamento Estratégico Fecomercio
Francisco da Silva Coelho – Diretor Educacional e de Negócios da ABBC
Antonio Claudio Paiva – Sócio-Diretor da Analitix Soluções em Finanças

Paulo Rabello de Castro: a crise de 2008 começou muito antes, aquele ano foi apenas o sintoma de uma doença mais antiga. Já dava sinais aparentes em Continue lendo “William Handorf: Gerenciamento de capital na economia global e indicadores de risco – anotações pessoais”

Como funciona a poupança? De onde vem o rendimento?

Quando você deposita seu dinheiro num banco, eles não vão guardar esse dinheiro num cofre e esperar você voltar para buscá-lo. Pelo menos não todo ele. Na verdade, o que o banco faz é tomar um empréstimo com você, ou seja, você passa a ser credor do banco. É por isso que qualquer instituição financeira depende de sua imagem de solidez e segurança para sobreviver (e é por isso que seu gerente está sempre de terno e gravata).

Foto do jornal O Estado de S. Paulo

Uma parte do dinheiro que você deposita, o banco é obrigado a reservar. Outra parte, ele usa para ganhar dinheiro (o que você depositou ele não ganha, porque terá que devolver). E como o banco ganha dinheiro? Continue lendo “Como funciona a poupança? De onde vem o rendimento?”