Principais organismos multilaterais para parcerias público-privadas

As principais instituições financiadoras de projetos de concessões e parcerias público-privadas (PPP), atualmente são: Continuar lendo

O que é CRI?

O crédito imobiliário é atualmente financiado por duas fontes principais: os recursos da Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE) e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Mas também não é segredo para ninguém que ambos estão em forte retração.

A poupança tende a ser, cada vez mais, um investimento de baixo retorno ao investidor por diversos motivos (amadurecimento do mercado de capitais, mais opções ao investidor, queda na taxa Selic, entre outros), o que invariavelmente estimula a migração dos recursos para outros ativos, como títulos públicos (como os do Tesouro Direto), ações, fundos multimercado, fundos de investimento imobiliário (FII), investimentos no exterior, títulos privados de diversas naturezas (como debêntures), entre milhares de outras opções. Com isso, é de se esperar que essa fonte, que hoje em dia financia imóveis pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), faixa superior ao Minha Casa Minha Vida e inferior ao Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), venha a minguar em breve.

Por sua vez, o FGTS depende da realimentação por novas contas de empregados pela CLT (com carteira de trabalho assinada). E a tendência é que o emprego se reduza (parte dele se convertendo em empreendedorismo) e que se converta em outras formas de contrato (inclusive a contratação precária ou informal). Com isso, o FGTS também sofre pressão de retração.

A tendência, para a substituição dessas fontes, é que o Brasil passe a operar como grande parte do resto do planeta faz: através do mercado de capitais, em especial utilizando a conversão de créditos em títulos (securities), a assim chamada securitização. Já existem algumas realizações nesse sentido, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), que já fazem parte do composto de funding imobiliário no país.

Outro desses títulos é o Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), um título que certifica o direito ao crédito para seu detentor. O investidor recebe uma remuneração de juros e, periodicamente ou quando do vencimento do título, o valor investido, ou principal. Apesar de não haver investimento mínimo, a maior parte dos CRIs possui valor unitário de R$300.000. Continuar lendo

O que é securitização?

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Securitização significa a transformação de um ativo (por exemplo, valores a receber) em títulos – em inglês, securities.

A vantagem da securitização para o emissor é a possibilidade de repassar a dívida para outros, reduzindo seu ciclo financeiro, ou ciclo de caixa. Para o adquirente desses títulos em mercado aberto, a vantagem é a diluição do risco individual em muitos títulos individuais, permitindo a formação de uma carteira de risco calculável. E, para a macroeconomia, a vantagem global é a ampliação das fontes de financiamento para crédito (funding).

O mercado imobiliário brasileiro, em especial, depende basicamente do financiamento habitacional, seu maior volume financeiro. O crédito imobiliário tem hoje as seguintes fontes de financiamento:

  • Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos: 45%
  • Fundo de Garantia por Tempo de Serviço do trabalhador: 31%
  • Letras de Crédito Imobiliário: 18%
  • Certificados de Recebíveis Imobiliários: 6%

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FGTS sob ameaça no Minha Casa Minha Vida 3

O governo está tão desesperado por reaquecer a economia que agora passou também a colocar em risco seus melhores ativos. A bola da vez é o Fundo de Garantia dos trabalhadores.

Tentando tapar um dos maiores furos por onde nossa economia faz água, diz o governo que quer reaquecer a construção civil. O problema é que os recursos que financiam a casa própria no Brasil são provenientes da poupança – que acabou. O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) está tendo déficits mensais recordes com os saques de poupadores cansados de ver seu dinheiro corroído pela inflação.

Nosso mercado imobiliário só não entrou (ainda) em colapso porque existe outra fonte de recursos para imóveis de valores mais baixos, para famílias de menor renda. Essa fonte é o Fundo de Garantia dos trabalhadores. O FGTS empresta a taxas subsidiadas, pois seu objetivo é facilitar ao trabalhador de menor renda a aquisição da casa própria.

Mas o governo quer mudar isso. Continuar lendo

Prefeituras brasileiras descartam oportunidades

Todos os dias, volumes gigantescos de dinheiro se movimentam pelos mercados financeiros seguindo sua função natural: estão em busca de projetos. Fácil de entender: se, no final do mês, sobrar um dinheirinho na sua conta, você também vai procurar por um projeto. Se seu desejo for poupar, será para realizar algum projeto no futuro, e ao aplicar o dinheiro, você financia projetos atuais de terceiros, sejam públicos ou privados.

Beirute, Líbano

Beirute, Líbano

Fato é que não falta dinheiro nos mercados (as crises econômicas recentes já foram chamadas de crises líquidas). O que falta é projeto. Existem inúmeros fundos de private equity, investidores individuais, corporações em busca de crescimendo, anjos, seeders, e muitos outros investidores em busca de quem tem as ideias.

Dinheiro é como coelho: quer mesmo é se reproduzir. E deve, porque esta é sua função social. A virtualidade da moeda representa uma quantidade de valor econômico nas mãos de seu detentor. A função social daquele valor econômico acumulado é promover Continuar lendo

Retração do crédito e o preço dos imóveis

O crédito imobiliário brasileiro, ainda quase totalmente lastreado em recursos da poupança e do FGTS, caminha para um possível problema de funding porque nem poupança, nem Fundo de Garantia cresceram na mesma velocidade da expansão imobiliária. Sim, havia uma folga financeira para isso, mas a folga se reduziu muito, e mesmo agora que nosso PIB puxou o freio de mão de vez, o crédito imobiliário continua em expansão. Sem uma solução milagrosa que crie repentinamente uma ampla cultura de funding alternativa lastreada em títulos e mercado secundário, o caminho é a inevitável Continuar lendo

Rápida sobre o stress test do Citibank

Rapidinho, só uma provocação.

Claro que o stress test mostrou que o Citi não está tão saudável quanto o Bank of America. Mas é bom lembrar que isso é verdade em relação aos atuais fundamentos amplamente aceitos, aqueles que vieram do último Cisne Negro. Será que estamos mesmo fazendo os testes mais adequados? Até lá, vamos de Basileia III mesmo…

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