6 ferramentas essenciais que os urbanistas desconhecem

Os cursos superiores de arquitetura e urbanismo exibem em seus currículos significativa carga horária em disciplinas de “planejamento urbano” – que deveria ser a espinha dorsal de conhecimento técnico em urbanismo, o mesmo do título profissional.

Entretanto, o que vemos hoje de forma generalizada, é uma forte limitação às teorias, história e projetos de urbanização, e praticamente nada referente ao planejamento em si.

O substantivo masculino, numa rápida pesquisa digital, retorna os sentidos de a) serviço de preparação de um trabalho, de uma tarefa, com o estabelecimento de métodos convenientes; planificação, e b) determinação de um conjunto de procedimentos, de ações (por uma empresa, um órgão do governo etc.), visando à realização de determinado projeto; planificação.

O que se tem visto nos órgãos públicos de planejamento urbano, quando estes recebem profissionais técnicos da área, é a completa ausência justamente de método, de procedimentos, de orientação para ações e de planificação. O que se vê é muito conhecimento teórico, um imenso e qualificado repertório, muita vontade de transformar a triste realidade urbana nacional, ótimos projetistas e nenhum palpite sobre metodologias de planejamento ou mesmo de trabalho.

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Em minha experiência pessoal, após viver um momento assim, decidi explorar outra área do conhecimento –  a administração – crente de que não encontraria nada relacionado a arquitetura e muito menos ao urbanismo por ali. Mas, para minha surpresa, encontrei (entre outras coisas muito interessantes ao arquiteto) as ferramentas que me faltavam ao planejamento urbano, porque a gestão de negócios usa tudo o que pode (e mais um pouco) de planejamento e controle do que você puder imaginar. O mais curioso é que quando algum assunto se aproxima de nossa área, como por exemplo em estudos de economia espacial, eles param e dizem que quem faz o resto são os urbanistas.

E deveríamos mesmo.

Veja algumas dessas ferramentas essenciais ao urbanista, que todos deveriam conhecer:

 

I. Usar direito planilhas eletrônicas

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Expectativas e principais indicadores do mercado imobiliário na América Latina (UPAV 2016)

Hardy Milsch é norte-americano, passou parte de sua vida profissional no México, e hoje é Vice-Presidente Senior e Country Manager da Prologis no Brasil, uma joint venture que representa um dos maiores players brasileiros em apoio logístico. A empresa possui mais de 65 milhões de metros quadrados de área locável no mundo, e ele não se intimida em iniciar seu pronunciamento dizendo que não se preocupa muito com a crise brasileira para seus investimentos. O motivo? As famílias mudam de marca quando o dinheiro fica curto, mas o consumo básico continua existindo. Para ele, só muda o cliente.

A visão de Milsch é de um futuro muito bom para o Brasil em termos de imóveis para apoio logístico, desde que as reformas que apontam no horizonte sejam concretizadas pelo governo. O crescimento recente do Brasil, México e China está ligado à ampliação do consumo das famílias, e o consumo brasileiro continua crescente. Isso tem a ver com outro motivo para seu otimismo: o e-commerce está tomando o lugar das lojas físicas, e esse canal exige três vezes mais espaço logístico para estoques que as lojas convencionais. Continue lendo “Expectativas e principais indicadores do mercado imobiliário na América Latina (UPAV 2016)”

Proteja seu dinheiro Especial: UPAV 2016 Mesa de abertura do congresso – Ciclos econômicos na América: cenários e tendências

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Relato pessoal da apresentação do Mesa Redonda 1, realizada em 20 de outubro de 2016, das 9h às 10h30, nas dependências do Hotel Windsor, no Rio de Janeiro (RJ), abrindo os trabalhos do congresso.

A mesa teve os seguintes palestrantes:

  • Caio Megale (Brasil), economista pela USP, colunista do jornal Valor Econômico, staff da equipe econômica do Banco Itaú;
  • Felipe Pontual  (Brasil), economista pela PUC-RJ, representante da ABECIP, especialista em mercado de capitais;
  • Martin Andrés Jaco (Brasil), engenheiro civil pela USP, representante da BR Properties.

Segue um resumo pessoal dos pontos mais importantes, anotados à mão.

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Por que não há bolha imobiliária no Brasil?

Quando o nível de preços de um determinado mercado sobe por um período de tempo até um ponto em que despenca repentinamente, em geral é resultado de especulação sobre um conjunto de ativos que o precificou muito acima de seu real valor de mercado. Isto é uma bolha.

Alguém disse, há um tempo, que o Brasil viveu uma “bolha de queda suave”. Você já viu uma bolha de sabão desinflar? Este comportamento não é de bolha. No caso de nosso mercado imobiliário isto acontece principalmente por dois motivos: Continue lendo “Por que não há bolha imobiliária no Brasil?”

Falta água em São Paulo. Faz tempo.

Água é vendida barata em São Paulo (considere barato como o preço cobrado menor que seu real valor de mercado). Por diversos motivos nenhum político vai querer corrigir isso, mas é a verdade. A relação de mercado é a seguinte: a demanda pela água é a população total da Região Metropolitana (20,8 milhões de pessoas em 2013, segundo estimativa do IBGE). Já a oferta, esta é mais complicada.

A natureza de São Paulo nos abençoou com alguns corpos d’água serpenteantes na baixa declividade do planalto. Mas nós, imprudentemente, colocamos muito mais gente que o ideal por aqui. Já no século 19 idealizamos represar alguns desses rios, ideias que criariam a Continue lendo “Falta água em São Paulo. Faz tempo.”

Retração do crédito e o preço dos imóveis

O crédito imobiliário brasileiro, ainda quase totalmente lastreado em recursos da poupança e do FGTS, caminha para um possível problema de funding porque nem poupança, nem Fundo de Garantia cresceram na mesma velocidade da expansão imobiliária. Sim, havia uma folga financeira para isso, mas a folga se reduziu muito, e mesmo agora que nosso PIB puxou o freio de mão de vez, o crédito imobiliário continua em expansão. Sem uma solução milagrosa que crie repentinamente uma ampla cultura de funding alternativa lastreada em títulos e mercado secundário, o caminho é a inevitável Continue lendo “Retração do crédito e o preço dos imóveis”