Perspectivas para o mercado imobiliário em 2019 (Prof. Claudio Tavares, Poli/USP, no VIII Sobrea)

Olá, pessoal! Normalmente não publicamos nada neste horário, mas o assunto é interessante para qualquer profissional do mercado imobiliário, e gostaríamos de dar a notícia em primeira mão. Estou aqui escrevendo de João Pessoa (PB), onde estamos assistindo ao VIII Simpósio do Sobrea (Sociedade Brasileira de Engenharia de Avaliações).

Ontem tivemos a felicidade de ouvir o Prof. Dr. Claudio Tavares de Alencar, do Núcleo de Real Estate da Poli (USP) falar sobre o que um Comitê de Mercado formado por 20 pessoas influentes e bem informadas sobre essa indústria esperam para 2019. Tavares separou os assuntos pelos seguintes tópicos: Continuar lendo

Breve histórico das vilas de São Paulo

Vários trabalhos caracterizam bem o que é uma vila na cidade de São Paulo. Apesar de haver outras definições encontradas por Solange Aragão (FAUUSP, 2000), a que melhor explica nosso objeto de estudo em seu trabalho é: conjunto de casas de mesma arquitetura implantada no interior de um terreno, conformando ruas e pátios. A lei municipal 10.015/85 define vila como um conjunto de pequenas habitações independentes, em geral idênticas, e dispostas de modo que formem rua ou praça interior, por via de regra sem caráter de logradouro público. A Lei de Vilas define o tipo como conjunto constituído por unidades habitacionais isoladas, agrupadas, geminadas ou sobrepostas em condomínio.

Devemos ter cuidado ao utilizar tais definições, pois referem-se à produção de um determinado período, compreendido entre 1937 e 1968, como veremos adiante. Existe um período anterior, das vilas operárias, quando os conjuntos eram produzidos em dimensões maiores, próximas a indústrias, e às vezes incluíam comércio, serviços, escolas e outros equipamentos. Neste primeiro período, as vilas criavam vias públicas de circulação (vide como ótimo exemplo a Vila Maria Zélia).

As vilas do terceiro período, viabilizadas pela lei municipal 11.605/1994 (Lei de Vilas), apresentam características distintas das produzidas em épocas anteriores, mas possuem a mesma estrutura física (casas reproduzidas várias vezes, dimensões relativamente pequenas, conformação de áreas coletivas internas) e fundiária (um único lote não dividido).

O tipo vila construído após a lei de 1994, por seguir o modelo de loteamento fechado, não tem mais a pequena rua de acesso às casas do interior da quadra, e a transição entre o espaço público da rua e o interior da vila é abrupto, via de regra com muros e guaritas. São constituídas em regime de condomínio e produzidas por incorporadoras imobiliárias.

Primeiro período: as vilas operárias

No final do século XIX, São Paulo vivia um surto de industrialização patrocinado pela indústria cafeeira, e a demanda por habitação foi incrementada pelo grande contingente de trabalhadores imigrantes que chegavam à cidade. Este cenário tornou a construção de casas para aluguel um negócio muito atraente, e casas precárias eram facilmente alugadas. Novos conjuntos de habitações insalubres eram construídos para suprir uma demanda que não parava de crescer. A cidade não estava preparada para receber, além de imigrantes, os que vinham de regiões próximas em busca de emprego. A oferta de moradias e a infraestrutura instalada estavam atrasadas em relação à velocidade de produção da cidade, que entre 1886 e 1900 vivenciou o seu crescimento mais vertiginoso – multiplicou por cinco sua população.

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Aluguel, o pior negócio 

Já falamos aqui sobre o mau negócio que tem sido investir em imóveis para aluguel.

Veja agora a comparação entre o preço dos aluguéis de São Paulo (capital) e o IGP-M (FGV).

  
Gráfico desenvolvido pelo Secovi-SP.

Detalhe: no início do gráfico (nov/14), a situação já era desvantajosa para o proprietário.

Hora de vender seu imóvel

Já tínhamos falado aqui que o imóvel para aluguel tem sido um péssimo negócio para o proprietário, na maior parte das vezes. Seu retorno é tão ruim que se compara ao da poupança (mas aluguel tem incidência de imposto de renda e despesas de manutenção do imóvel).

Agora temos mais um motivo para a alienação de imóveis: o governo vai mudar as alíquotas do Imposto de Renda sobre Ganho de Capital a partir de 1 de janeiro de 2016 (daqui a menos de três meses). A Medida Provisória 692/15 altera o texto da Lei Federal 8.981/95 e substitui a atual alíquota de 15% para Continuar lendo

Aluguel: perda fixa perdendo mais ainda

O investimentos em imóveis para aluguel tem sido chamado de perda fixa há vários meses, obviamente por sua baixa rentabilidade. Isso sem falar na imobilização do capital, depreciação do imóvel e baixa liquidez.

Agora, com o cenário recessivo, a perda fixa ficou pior ainda. As condições de negociação favorecem os locadores. Em geral, tem valido mais a pena vender o imóvel – mesmo com desconto, que está na média nacional de 7%.