Custos e despesas do espaço construído

O tradicional pensamento patrimonialista tendia a traduzir o investimento em um ativo construído como aqueles desembolsos realizados em construções, reformas, no máximo em montagens e instalações. Raramente incluía custos de manutenção e operação (O&M) enquanto investimentos. Isso gerava evidentes descompassos entre expectativas e realidade da qualidade do ativo no longo prazo, normalmente evidenciando em seu aspecto visual essa lacuna de previsões.

Especialmente em ativos públicos, para os quais quaisquer desembolsos precisam ser planejados e reservados antecipadamente em lei, o que se vê são os recorrentes problemas de manutenção, operação deficiente, e o nebuloso entendimento de que a causa desses problemas seria a “falta de recursos”. Claro que faltarão recursos que não tiverem nem sido dimensionados na idealização do ativo construído. Continuar lendo Custos e despesas do espaço construído

PPP habitacional no Brasil: texto revisado!

A segunda edição do livro PPP habitacional no Brasil acaba de ganhar uma versão revisada. O livro digital já está disponível na loja Kindle (link aqui) e a versão em papel deve sair já nos próximos dias.

Se você já possui o livro digital, basta sincronizar sua biblioteca em seu computador, tablet, celular ou dispositivo Kindle e receberá gratuitamente esta versão atualizada. Continuar lendo PPP habitacional no Brasil: texto revisado!

Reforma tributária e as concessões públicas

Estudo de viabilidade econômico-financeira

Este assunto provavelmente se configura como uma das maiores lacunas de informações para as concessões públicas no Brasil, principalmente para os projetos em fases de seleção, de estruturação ou de licitação. Apesar de haver uma estrutura básica e passos bem definidos, ainda há muitas variáveis de indefinição que nos impede de fazer qualquer tipo de detalhamento a esse respeito nas estruturações. Por hora, a maior parte dos projetos seguem sendo estruturados na estrutura tributária anterior (ainda em vigor), deixando os eventuais ajustes necessários para um futuro reequilíbrio contratual. Segue assim porque mesmo as honrosas tentativas de estruturação no novo formato seguem a partir de estimativas, ou seja, provavelmente seus contratos também serão levados à necessidade do reequilíbrio contratual. Continuar lendo Reforma tributária e as concessões públicas

Importância dos cenários econômico-financeiros

Uma prática comum e perigosa é a construção de estudos econômico-financeiros (planos de negócios, estudos de viabilidade, avaliações, modelagens etc.) baseada em um único cenário mais provável, obtido por meio de ponderações médias. O resultado pode ser perigoso para a tomada de decisão pelo risco de representar um resultado impossível, tal como dizer que o resultado mais provável ao rolar um dado será igual a 3,5.

A prática mais saudável é nunca ignorar riscos, e incluí-los nas previsões de fluxo de caixa, não no custo de capital. E a melhor forma de se fazer isso é construindo cenários alternativos e possíveis de fluxo de caixa. Parece óbvio, mas as empresas tendem a usar “atalhos” para construção de fluxos de caixa projetados, ou seja, a partir de um fluxo hipotético viável, aumentando a taxa de desconto para considerar seus riscos de variação. Continuar lendo Importância dos cenários econômico-financeiros

Miopia corporativa sobre o BIM

Corporate blindness BIM

Erro comum nas grandes empresas tem sido entender o BIM como uma evolução tecnológica que provoca a necessidade de ajustes nos processos e procedimentos atuais. BIM não é um software. BIM não é um padrão adicional. Os softwares autorais BIM para projetos de arquitetura e engenharia já existem há décadas – e são os mesmos  de hoje. Não é essa a revolução que estamos vivendo hoje em relação ao BIM, mas a migração em massa de nossos processos e nossa forma de trabalhar para o mundo digital.

Projetos são conjuntos de informações e dados estruturados. No atual contexto de interconectividade entre bancos de dados e maior exigência de rigor quanto à gestão da informação, o ambiente de negócios do setor está sendo transformado em seu nível estratégico, e não no operacional. As informações geradas e compartilhadas agora precisam seguir certos padrões mínimos para que tenham valor no contexto de trabalho colaborativo e interconectividade. Continuar lendo Miopia corporativa sobre o BIM