FGTS sob ameaça no Minha Casa Minha Vida 3

O governo está tão desesperado por reaquecer a economia que agora passou também a colocar em risco seus melhores ativos. A bola da vez é o Fundo de Garantia dos trabalhadores.

Tentando tapar um dos maiores furos por onde nossa economia faz água, diz o governo que quer reaquecer a construção civil. O problema é que os recursos que financiam a casa própria no Brasil são provenientes da poupança – que acabou. O Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) está tendo déficits mensais recordes com os saques de poupadores cansados de ver seu dinheiro corroído pela inflação.

Nosso mercado imobiliário só não entrou (ainda) em colapso porque existe outra fonte de recursos para imóveis de valores mais baixos, para famílias de menor renda. Essa fonte é o Fundo de Garantia dos trabalhadores. O FGTS empresta a taxas subsidiadas, pois seu objetivo é facilitar ao trabalhador de menor renda a aquisição da casa própria.

Mas o governo quer mudar isso. Continue lendo “FGTS sob ameaça no Minha Casa Minha Vida 3”

Sinal amarelo: o pior setembro desde 1997

O governo brasileiro acaba de divulgar o pior resultado de contas públicas de um mês de setembro desde 1997. Parece que pouca gente deu trela para isso, mas o fato é que a questão é séria. Séria o suficiente para a presidente da República se pronunciar imediatamente sobre o assunto e sinalizar o fim de algumas medidas de estímulo que já estão por aí há um tempo considerável, como a redução de IPI de diversos bens de consumo (já havia quem acreditasse que nem fosse mais tão “temporário” assim). Continue lendo “Sinal amarelo: o pior setembro desde 1997”

Que riscos o Brasil corre?

O Ministro da Fazenda Guido Mantega anunciou no último dia 6, que o país não cumprirá a meta cheia de superávit primário e deixou alguns analistas apreensivos. Isso ocorre porque o tal superávit primário é o resultado das contas do governo, tirando apenas o pagamento dos juros. O conceito é o de sempre: receitas menos despesas. Há vários anos o Brasil vem fazendo sua lição de casa e cumprindo essa meta, motivo pelo qual não estamos mais tão vulneráveis a ataques especulativos estrangeiros, como ocorreu nos primeiros anos do Plano Real.

O que significa não cumprir essa meta? Significa que nossas contas já não estão mais tão positivas, há um equilíbrio maior entre entradas e saídas de recursos. Mas pouco se disse que nos últimos anos o Brasil tem também batido recordes de arrecadação. A União nunca arrecadou tanto. Portanto, o governo nunca gastou tanto como atualmente. E os entusiastas das políticas econômicas atuais podem perguntar: há algum problema nisso?

Façamos uma análise fria para responder. Economias da Europa e Estados Unidos ainda estão em recuperação (e vai demorar para voltarem à linha natural de tendência). A Europa tem profundos problemas fiscais que não serão solucionados do dia para a noite, possuem endividamento muito alto em relação à arrecadação atual. Agora precisam reduzir bruscamente os gastos públicos, penalizando toda a população. Por que se endividaram tanto? Por que no passado suas economias iam bem. Exatamente como ocorre no Brasil de hoje. Mas foram surpreendidos pela crise bancária americana de 2008. Algumas economias, como a espanhola e a grega ampliaram muito seus endividamentos para bancar Jogos Olímpicos, emitindo títulos que não estão agora conseguindo pagar. Alguma semelhança? Continue lendo “Que riscos o Brasil corre?”