Pensamento urbanístico contemporâneo

Várias das atuais correntes predominantes no pensamento de base ao planejamento urbano internacional tiveram origens nos anos 1980 e 1990. Um dos principais motivos para isso foi o forte impulso dado pela tecnologia da informação à criação do atual contexto socioeconômico global. Entre outros elementos, as taxas de lucro das empresas dominantes cresceram, a internacionalização se acelerou a níveis inéditos, e, em decorrência, surgiram novas agendas políticas por parte dos governos. A geografia regional e urbana apresenta divisões espaciais do trabalho cada vez mais nítidas, as funções de produção foram descentralizadas pelo globo de forma extremamente flexível, enquanto as indústrias informacionais se concentraram em alguns poucos centros urbanos inovativas, como o Vale do Silício. Estes últimos, cristalizados como os centros propulsores da economia capitalista contemporânea, centralizam cada vez mais o poder de decisão de alto nível. Continue lendo “Pensamento urbanístico contemporâneo”

A construção do futuro invisível

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Quem eventualmente pensa que a computação nasceu junto com os computadores modernos do século XX, se engana. A programação como um algoritmo em linguagem real de programação (atuais exemplos poderiam ser C++, Pascal, Java, Visual Basic, etc.), ou seja, uma sequência de instruções bem definidas, é muito mais antiga, sendo uma das pioneiras ocidentais o algoritmo de Euclides, na Grécia Antiga.

Da mesma forma, a criptografia, atualmente utilizada para protocolos de segurança na internet, veio bem antes do primeiro computador elétrico surgir. O Império Romano já se utilizava de códigos criptografados para a transmissão segura de mensagens, protegendo seu conteúdo caso caíssem em mãos inimigas, pois os mensageiros desconheciam seus protocolos de decodificação. Outro exemplo clássico de uso da criptografia é o da Alemanha na II Guerra Mundial, com o Enigma. Continue lendo “A construção do futuro invisível”

É preciso compactar as cidades

Muitos de nossos problemas urbanos estão relacionados ao espraiamento das cidades (urban sprawl). São como manchas de azeite num prato, que muito depois de cessada a fonte, continuam expandindo suas fronteiras. Vamos avançando sobre antigas áreas rurais, sobre a Mata Atlântica, sobre os mananciais, sobre quem nos abastece de alimentos. Ampliamos a mancha de calor e mudamos os regimes de chuvas urbanas, pioramos nossas chuvas tropicais (que, por natureza, já seriam críticas). E deixamos para trás terrenos e imóveis vazios, o filé dos especuladores. O poder público, por sua omissão em planejar, se vê obrigado a levar infraestrutura aos confins urbanos de nosso país, e valoriza por tabela (e às vezes intencionalmente) o filé especulativo. Em vez de adensar, colocar mais prédios nas áreas centrais ou nos bairros cheios de infraestrutura ociosa, preferimos criar grandes manchas urbanas de baixa densidade. Continue lendo “É preciso compactar as cidades”