Os arquitetos a.G.

Existe ainda uma geração de arquitetos que acredita ser dona da sabedoria suprema em uma infinidade de assuntos que não lhe diz respeito. E isso não é privilégio de nossa classe, entre engenheiros existe o mesmo fato peculiar. São profissionais tão confiantes em si mesmos que pronunciam barbaridades em entrevistas à mídia impressa (ou na web) – e nossos fantásticos jornalistas imprudentemente os publicam. Ambos caem no ridículo e talvez não saibam disso.

Acho até engraçado ler algumas ideias e opiniões de nossos mestres – chega a dar dó de alguns. Não é possível que alguém leve tais palavras a sério. Bom, pensando melhor, é possível sim. Infelizmente. Fato é que eles ainda não perceberam que qualquer informação pode ser verificada a um clique de distância, e de qualquer lugar. E aqueles que têm renome (e deveriam protegê-lo, pela lógica usual), ficam mais pomposos para ditar regras a partir de suas sensações e percepções.

Eles ainda não chegaram ao ano de 1637, em que  Discurso do método de René Descartes foi publicado. Descartes, desconfiando de tudo e de todos, inclusive de si mesmo e de suas percepções, revolucionou a ciência e permitiu um desenvolvimento de base que levou à eficiência energética do vapor e mecanização nos anos 1700, que por sua vez levaram à Revolução Industrial nos anos 1800, às sucessivas revoluções tecnológicas dos anos 1900 e finalmente ao Google, aquele lugar onde o discurso vazio é destruído em uma fração de segundo.

Uma vez, durante o mestrado, um professor disse que meu método de cálculo de uma amostra estava errado (eu estava usando um livro de estatística básica). O jeito correto, segundo ele, era pegar uma amostra de 3% do universo (!!!!). Não era piada, ele falava sério. Eu estava na USP, e o tal professor é um figurão que dá entrevistas a torto e direito para tudo quanto é jornal e revista. Na hora eu fiquei revoltado, mas não disse nada. Ninguém naquela sala me apoiaria (oi, você acha mesmo que um grupo de arquitetos iria brigar pelo rigor estatístico?). Mas hoje, vendo de longe, penso que fiz o correto – respeitei, que é o que fazemos com espécies em extinção. Continuar lendo Os arquitetos a.G.

A proposição de irrelevância de Modigliani e Miller

Muitos estudos já produzidos sobre o financiamento de empresas (especialmente a estrutura de capital) ganharam relevância ao introduzir novos conceitos. Um dos mais importantes certamente é a proposição de irrelevância de capital de Modigliani e Miller, de 1958. Segundo esse trabalho, as decisões de financiamento de uma determinada firma não afetariam seu valor, pois este seria decorrente das decisões de investimento. Ou seja, a criação de valor proviria de como a empresa aplica este capital e não de como o obtém. Isto significaria também a Continuar lendo A proposição de irrelevância de Modigliani e Miller

Livro sobre estrutura de capital das incorporadoras brasileiras

Já está disponível na Amazon o livro Estrutura de capital de incorporadoras brasileiras: Teoria de Pecking Order (veja aqui). Escrito para investidores, gestores e técnicos, é resultado de uma pesquisa que desenvolvi na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) entre 2009 e 2011, sob a orientação do Prof. Dr. Eduardo Kazuo Kayo.

Este trabalho fala sobre o desempenho das incorporadoras imobiliárias brasileiras em suas estratégias de financiamento. O motivo principal deste trabalho foi o crescimento e modernização das incorporadoras brasileiras durante os anos 2000. Várias delas abriram o capital desde então, e passaram a ter ações negociadas na Bovespa.

Continuar lendo Livro sobre estrutura de capital das incorporadoras brasileiras