O que é Teoria Geral da Administração (TGA)


A Teoria Geral da Administração (ou simplesmente TGA) extrapola os limites de um único curso de graduação, e faz parte da estrutura curricular de cursos com proximidades óbvias (ciências econômicas, ciências contábeis, ciências atuariais) e outros nem tanto (odontologia, direito, arquitetura e urbanismo, engenharia, medicina, comunicações e outros cursos técnicos de nível superior).

Segundo Amaru Maximiano, a sociedade humana viabiliza praticamente todas as suas necessidades através de meios estabelecidos em sistemas organizados – as chamadas organizações, sistemas de recursos estabelecidos para realizar algum objetivo. Para tal, utilizam-se de dois componentes básicos:

  • processos de transformação
  • divisão do trabalho

As pessoas envolvidas com a organização recebem meios de subsistência (salários, abonos, lucros distribuídos, entre outras formas de remuneração) em retribuição por seu trabalho ou investimento. Estes rendimentos permitem às pessoas adquirir bens e serviços de que necessitam. Assim sendo, o desempenho das organizações é de interesse de clientes, usuários, funcionários, acionistas, fornecedores, ou seja, de toda a sociedade. Para atender a estas expectativas, as organizações precisam ser bem administradas, utilizar corretamente seus recursos e atingir seus objetivos.

O desempenho das organizações é medido basicamente em duas dimensões: eficácia, que mede em que grau os objetivos colocados foram atingidos, e eficiência, que indica se a organização utiliza seus recursos de maneira econômica, ou seja, mede sua produtividade.

O processo administrativo abrange cinco categorias principais de decisões (funções): planejamento, organização, liderança, execução e controle. As teorias da administração foram produzidas principalmente pela experiência prática das organizações, e o seu conjunto é chamado de teoria geral da administração (TGA), composta pelas seguintes subcategorias:

  1. Teoria: explicações, interpretações ou proposições;
  2. Enfoque: pensamento, abordagem ou perspectiva. Aspecto particular das organizações ou forma de estudá-las.
  3. Escola: linha de pensamento ou conjunto de autores com o mesmo enfoque. Escolheram o mesmo aspecto específico para analisar ou adotaram o mesmo raciocínio;
  4. Modelo de gestão: conjunto de doutrinas e técnicas do processo administrativo, em geral associado a uma base cultural (exemplo: modelo japonês);
  5. Modelo de organização: conjunto de características que definem a organização ou como é administrada;
  6. Doutrina: princípio de conduta, valores;
  7. Técnicas: soluções para problemas específicos

Bases históricas

A origem da administração está na Revolução Urbana (Oriente Médio, cerca de 4.000 a.C.), onde surgiram as primeiras cidades e estados sumérios (primeiras organizações formais), as quais demandaram as primeiras práticas administrativas. Ou seja, além do vínculo umbilical das práticas administrativas com o urbanismo, as mesmas nasceram na administração do estado. Onde hoje é o Iraque, por volta de 3.000 a.C. surgiu o registro de recebimento, armazenagem e desembolso de produtos em placas de argila, livros primitivos de contabilidade. Os sacerdotes-reis usavam parte do excedente da agricultura irrigada para pagar servidores do templo e financiar o comércio, criando assim a administração pública.

Talvez o maior exemplo de vínculo entre a arquitetura e a origem da administração esteja na construção das pirâmides egípcias, onde havia o problema de gerenciar enormes contingentes de mão-de-obra. Estima-se que na construção da pirâmide de Quéops, por exemplo, havia algo em torno de 100.000 pessoas trabalhando ao longo de 23 anos.

Há 2.500 anos, aproximadamente, surgiu na Grécia o conceito de democracia e a administração democrática das cidades-estados, grandes evoluções para uma época em que os monarcas administravam de acordo com os interesses da aristocracia. As bases da democracia foram colocadas pelo legislador Solon, a partir do princípio de igualdade entre os todos perante a lei, e desejava uma forma do povo governar a si próprio. Os cidadãos atenienses podiam, assim, participar da Assembleia oferecendo emendas e votando em questões de seu interesse, como paz e guerra, impostos, e obras públicas. Altos funcionários do Estado e estrategos (generais) eram eleitos. Também é da filosofia grega o método de procurar pelo verdadeiro conhecimento por meio da investigação sistemática, em vez de aceitar as explicações da mitologia.

Entre os séculos VIII a.C. e IV a. C., o Império Romano traz novo desafio para a administração: a gestão de grandes extensões territoriais. Para resolver este problema, os romanos basearam-se em três princípios: dividir para governar (divide et impera, fomentando rivalidades entre os povos vencidos), fundar colônias (que formaram as bases dos países europeus) e construir estradas. No século III a.C., o exército romano já tinha um nível de sofisticação que incluía alistamento de profissionais, regulamentação, burocratização, planos de carreira e organização. Durante a Idade Média, a Igreja Católica aproveitou as bases da administração romana para sua própria rede de dioceses, províncias e vigários.

No século XV, o poderio comercial e militar representado pela criação do Arsenal de Veneza (1436) se comprova já no ano seguinte, quando atinge o status de maior fábrica do mundo, com força de trabalho variando entre 1.000 e 2.000 operários. Em 1570, o Arsenal constrói e prepara para combate, 100 navios em apenas dois meses, utilizando para isto, métodos de produção e administração similares aos de uma montadora de automóveis do século XX.

A Reforma protestante, no século XVI, enfatiza o espírito individualista e empreendedor, e coloca a responsabilidade individual como substituta à submissão religiosa valorizada pela Igreja Católica. O trabalho duro é pregado como forma de melhorar a situação pessoal e beneficiar a comunidade. Estes conceitos, aliados à lógica cartesiana, desembocam em marcos da Revolução Industrial, como o sistema fabril, busca pela eficiência (da qual participaram Adam Smith e James Mill), a Fundição Soho (pioneira em conceitos que se tornariam universais nos dois séculos seguintes, como padronização, intercambialidade, planejamento de operações, planejamento e controle da produção, cronometragem de tempos e movimentos, incentivos salariais por produtividade, e entendimento da mão-de-obra como principal recurso da empresa), experiência iluminista e paternalista de Robert Owen em New Lanark, e as ideias de Charles Babbage publicadas em 1832 para a administração (Babbage também contribuiu com conceitos que permitiram o desenvolvimento posterior do computador e de algoritmos até hoje utilizados na internet).

Referências bibliográficas

MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria geral da administração. São Paulo: Atlas, 2006.

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