BIM não é uma escolha [GA]

 

Tecnologia

Aderir ou não ao BIM (Building Information Modeling) não é uma escolha disponível atualmente. Quem trabalha dentro do ecossistema BIM ganha tanto em eficiência que ficará impossível concorrer de fora dele daqui a pouco tempo. Não sou eu quem está dizendo isso, apenas tomo emprestadas as palavras do professor Rafael Sacks, do Israel Institute of Technology, um dos mais proeminentes nomes do assunto no mundo de hoje. Durante o BIM Fórum Conference Brasil 2024, o professor Sacks falou por mais de uma hora, e Inteligência Artificial operando o BIM, desenvolvendo um gêmeo digital (digital twin) e buscando as melhores soluções espaciais foi apenas a premissa inicial dessa fala. Qualquer alternativa fora desta realidade simplesmente não existia no mundo que o professor Sacks apresentou – mundo real de hoje, deixemos claro.

Este contexto está produzindo processos de baixo custo para assegurar qualidade de informação (foi apresentado o caso do projeto Hospital Odense, na Dinamarca). Para isso, os profissionais estão se preparando para diversos papéis neste enorme e complexo ecossistema, onde as funções tradicionais se somam a diversas outras de gestão e produção técnica em ambiente de colaboração digital. Para a interlocução universal, o professor Sacks reforçou a importância dos padrões neutros buildingSmart:

  • IFC: Industry Fundation Classes, formato padrão do modelo
  • BCF: padrão de comunicação durante o processo de desenvolvimento colaborativo, em especial no ambiente comum de dados (CDE)
  • COBie: padrão que define um conjunto mínimo de informações sobre o ativo construído, incluindo seus equipamentos, capturado durante o processo de projeto (design) e de construção em todos os projetos de edificações.

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Pensamento urbanístico contemporâneo

Várias das atuais correntes predominantes no pensamento de base ao planejamento urbano internacional tiveram origens nos anos 1980 e 1990. Um dos principais motivos para isso foi o forte impulso dado pela tecnologia da informação à criação do atual contexto socioeconômico global. Entre outros elementos, as taxas de lucro das empresas dominantes cresceram, a internacionalização se acelerou a níveis inéditos, e, em decorrência, surgiram novas agendas políticas por parte dos governos. A geografia regional e urbana apresenta divisões espaciais do trabalho cada vez mais nítidas, as funções de produção foram descentralizadas pelo globo de forma extremamente flexível, enquanto as indústrias informacionais se concentraram em alguns poucos centros urbanos inovativas, como o Vale do Silício. Estes últimos, cristalizados como os centros propulsores da economia capitalista contemporânea, centralizam cada vez mais o poder de decisão de alto nível. Continuar lendo Pensamento urbanístico contemporâneo

A construção do futuro invisível

woman in gray long sleeve shirt sitting on bed reading book

Quem eventualmente pensa que a computação nasceu junto com os computadores modernos do século XX, se engana. A programação como um algoritmo em linguagem real de programação (atuais exemplos poderiam ser C++, Pascal, Java, Visual Basic, etc.), ou seja, uma sequência de instruções bem definidas, é muito mais antiga, sendo uma das pioneiras ocidentais o algoritmo de Euclides, na Grécia Antiga.

Da mesma forma, a criptografia, atualmente utilizada para protocolos de segurança na internet, veio bem antes do primeiro computador elétrico surgir. O Império Romano já se utilizava de códigos criptografados para a transmissão segura de mensagens, protegendo seu conteúdo caso caíssem em mãos inimigas, pois os mensageiros desconheciam seus protocolos de decodificação. Outro exemplo clássico de uso da criptografia é o da Alemanha na II Guerra Mundial, com o Enigma. Continuar lendo A construção do futuro invisível

Mapa da futura rede de Metrô de São Paulo?

 

Mapa da Rede Metrô CPTM
Mapa da Rede Metrô CPTM

Circulou pelas redes sociais, já faz algum tempo, este mapa de uma pretensa futura rede de transporte de alta capacidade para a capital paulista e arredores. Apesar de obviamente não ser um documento oficial (vide a cor da linha 19), seus autores parecem ter se baseado em informações internas do planejamento estadual. Algumas proposições têm se mostrado condizentes com o rumo que as companhias estatais estão tomando. Por exemplo, a Linha 6 – Brasilândia-São Joaquim – já está em obras (veja aqui a informação oficial) e outras propostas do mapa estão sendo anunciadas.

Porém, ele parece ser um pouco desatualizado em alguns detalhes. Por exemplo, a linha 15 foi chamada de Prata, e não Branca. Além disso, algumas propostas recentes, como a Linha 18 (São Paulo – ABC) e a Linha 20 (Lapa – Afonsina / São Bernardo do Campo) também foram omitidas.

Como ponto positivo para o usuário, as Linhas 6, 18 e 20 foram propostas como Continuar lendo Mapa da futura rede de Metrô de São Paulo?

Cidades jardim do amanhã: uma leitura de Ebenezer Howard

A leitura do livro mais famoso de Ebenezer Howard (Garden cities of to-morrow, de 1898) neste momento histórico brasileiro é no mínimo interessante. Howard, assim como seus contemporâneos utopistas da Inglaterra da virada do século, imaginou um modelo para a cidade industrial que resolvesse as questões de salubridade e qualidade de vida da população operária. Mas a proposta de Howard foi ouvida, ficou famosa, e deu origem às new towns inglesas, cidades jardim, bairros jardim e subúrbios jardim por todo o mundo ocidental. Em São Paulo, os bairros do Pacaembu, Jardim América e Alto da Lapa são exemplos diretos da concretização de seu plano. Raymond Unwin e Barry Parker, discípulos de Ebenezer Howard, vieram da Inglaterra para desenhar estes bairros no planalto paulista.

Mas por que Howard fez tanto sucesso enquanto seus colegas foram relegados ao ostracismo e desapareceram dos livros de história ou teoria do urbanismo? Continuar lendo Cidades jardim do amanhã: uma leitura de Ebenezer Howard