Pensamento urbanístico contemporâneo

Várias das atuais correntes predominantes no pensamento de base ao planejamento urbano internacional tiveram origens nos anos 1980 e 1990. Um dos principais motivos para isso foi o forte impulso dado pela tecnologia da informação à criação do atual contexto socioeconômico global. Entre outros elementos, as taxas de lucro das empresas dominantes cresceram, a internacionalização se acelerou a níveis inéditos, e, em decorrência, surgiram novas agendas políticas por parte dos governos. A geografia regional e urbana apresenta divisões espaciais do trabalho cada vez mais nítidas, as funções de produção foram descentralizadas pelo globo de forma extremamente flexível, enquanto as indústrias informacionais se concentraram em alguns poucos centros urbanos inovativas, como o Vale do Silício. Estes últimos, cristalizados como os centros propulsores da economia capitalista contemporânea, centralizam cada vez mais o poder de decisão de alto nível. Continue lendo “Pensamento urbanístico contemporâneo”

IAB/SP disponibiliza vídeos de aulas, palestras e debates

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Neste atual período de quarentena em função da pandemia do covid-19, o Instituto de Arquitetos do Brasil – Regional São Paulo disponibilizou em seu canal no YouTube uma série de vídeos de palestras, aulas e debates recentes. Continue lendo “IAB/SP disponibiliza vídeos de aulas, palestras e debates”

O PIB e o metrô

Caracas, capital da Venezuela, inaugura no mês que vem (dezembro/2013) uma nova estação de metrô, completando 74km de extensão de rede. É a mesma dimensão do metrô de São Paulo (a maior entre as brasileiras). A diferença é que Caracas tem uma população de 3,2 milhões de habitantes, enquanto a Região Metropolitana de São Paulo tem 20,8 milhões. Caracas não é o único exemplo para mostrar que o transporte urbano de massa no Brasil está muito atrasado. A Cidade do México, uma cidade com graves problemas de mobilidade urbana, tem 177km de trilhos de metrô (2,4 vezes mais que São Paulo) para uma população metropolitana de 26,1 milhões (1,25 vezes maior). Proporcionalmente, São Paulo está em situação pior.

O Rio de Janeiro, com 12 milhões de habitantes, tem 46km de metrô. Santiago, capital do Chile, com apenas 6,7 milhões de pessoas (pouco mais da metade do Rio) tem espantosos 102km de metrô (mais que o dobro do Rio). E o metrô de Santiago é de alta qualidade. O Rio tem pouco mais que os 43km de metrô de Valparaíso, no Chile, uma cidade que não tem nem 300.000 habitantes. Continue lendo “O PIB e o metrô”

Perspectivas para transporte e trânsito em São Paulo

Imagine uma solução para a mobilidade urbana de grandes cidades brasileiras (leia São Paulo), sem  reduzir população (pelo contrário, imagine que ela continuará aumentando). Também não vale colocar todo mundo num lugar só. Aposto que você verá um cenário com as seguintes características:

a) não está baseado no transporte individual motorizado, nem mesmo num mundo de motocicletas e táxis;
b) tem muito, mas muito mais metrô do que hoje (metrô de verdade, não monotrilhos estúpidos que destroem a paisagem e não transportam passageiros em número suficiente);
c) utilizam intensamente os trens urbanos atuais, mas com qualidade muito superior e melhor utilizados;
d) ônibus urbano é decente e utilizado com inteligência – ou seja, o exato oposto do que temos hoje em São Paulo;
e) as pessoas usam táxi quando precisam usar carro.

Veja que interessante: uma vida sem a propriedade de veículos automotores! Não acredita que seja possível? Então veja algum filme americano que se passa em Manhattan (precisou, usa um carro amarelo – e confortável).

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Automóvel: inimigo público das cidades

por Ricardo Trevisan, arquiteto e urbanista

O Metrô de São Paulo poderia ter sido iniciado em 1927, se a proposta da São Paulo Light & Power tivesse sido aceita pela prefeitura naquela época. A Light estava trabalhando nesta proposta desde 1924, num esforço de tentar manter seu contrato com a prefeitura, numa época em que a escassez de energia elétrica favorecia os ônibus que começavam a substituir os bondes. O chamado Plano Integrado de Transportes, realizado pelo escritório do urbanista canadense Norman Wilson propunha uma rede de trens de alta velocidade (que hoje chamamos de Metrô) integrada com uma rede de bondes. Esse tipo de sistema existe hoje em cidades europeias e funciona muito bem.

PropostaLight_27Desenho do Plano Integrado de Transportes, da Light, 1927, com Metrô para São Paulo no Vale do Anhangabaú

Porém, a Light encontrou pela frente Prestes Maia, que além de estar disposto a dificultar as concessões a empresas estrangeiras, estava também interessado num Continue lendo “Automóvel: inimigo público das cidades”

Táxi é mais vantajoso que carro próprio

do jornal O Estado de S. Paulo, 04 de abril de 2011

Para distâncias de até 20 quilômetros, mesmo em cidades como São Paulo, uso do táxi é a alternativa mais econômica

Andar de táxi reduz o estresse e o gasto com locomoção. Para distâncias curtas de até 20 quilômetros ao dia, mesmo nos grandes centros, o uso de táxis sai mais barato do que Continue lendo “Táxi é mais vantajoso que carro próprio”