Como arquitetos e designers pensam – livro de Bryan Lawson

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Mais interessante que uma análise de processos de desenvolvimento de projetos, o livro de Bryan Lawson explora a fundo importantes aspectos da atividade cotidiana desses profissionais. A partir de uma investigação sobre mapeamento de processos, o autor conclui que estas atividades são extremamente distantes dos mapas de fluxos industriais onde este tipo de iniciativa se originou. E, curiosamente, nosso trabalho cotidiano como projetistas é incrivelmente próximo das mais recentes teorias sobre empreendedorismo, muito observada pelo setor de prestação de serviços. Continuar lendo

VI SBQP 2019: como foi

Olá, pessoal. Estou neste momento voltando para casa depois de três intensos dias de trabalho no VI Simpósio Brasileiro de Qualidade do Projeto no Ambiente Construído, realizado em Uberlândia entre 30/10 e 01/11 deste ano. Não sei mais dizer de quantos congressos e seminários já participei na vida, mas dois deles serão inesquecíveis: UPAV 2016 no Rio de Janeiro pela altíssima qualidade das discussões sobre aspectos macroeconômicos para o mercado imobiliário; e este SBQP pela altíssimo grau de profundidade e qualidade atingido nas discussões sobre a qualidade do projeto (seja em termos de project ou de design). Parabéns aos organizadores, foi fantástico. Uma honra para mim poder ter feito parte do evento.

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SBQP 2019: palestra de Koen Steemers sobre bem-estar e Five Ways of Well-being

Olá, pessoal! Estou aqui na cidade de Uberlândia participando do VI Simpósio Brasileiro de Qualidade do Projeto, onde vou apresentar um artigo sobre segmentação de empresas de arquitetura no município de São Paulo.

Mas depois falamos disso, o que quero contar agora é sobre uma palestra muito interessante que aconteceu ontem à noite, do professor Koen Steemers, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), autor do livro Healthy Homes: designing with light and air for sustainability and wellbeing.

O professor Steemers detalhou como cada um dos cinco caminhos para o bem-estar [1] pode receber uma importante contribuição da arquitetura. E importante porque, por haver uma curva normal de distribuição da população entre os estágios de bem-estar, um “impulso” (nudge) de 10% favorecido pelo ambiente construído colocaria uma proporção muito grande de pessoas em melhores níveis de prosperidade. Vamos a cada um deles: Continuar lendo

O que é plano de negócios?

O plano de negócios (business plan) é um documento estratégico que demonstra a viabilidade de um empreendimento explicando como os desafios estratégicos, de mercado, financeiros, de marketing, de pessoas e operacionais serão enfrentados.

Por ser estratégico, o plano de negócios não detalha questões operacionais, principalmente quando houver maior padronização neste aspecto. As únicas questões operacionais abordadas serão aquelas amplas, de impacto estratégico ou nos demais aspectos do negócio. Continuar lendo

Dez anos no ar! E você pode ganhar um livro em casa

Prezados leitores,

Hoje é um dia muito especial para nós: há exatamente 10 anos colocamos online a primeira versão deste blog, sem a menor suspeita de que aquele projeto pessoal um dia viraria este complexo de conexões e soluções digitais que está à sua frente.

Foram dez anos incríveis de ótimas surpresas vindo de fontes que nem sabíamos da existência em 2009. De lá para hoje, criamos uma escola digital, passamos a oferecer palestras, concedemos inúmeras entrevistas à imprensa nacional, participamos de eventos em várias cidades brasileiras, lançamos seis livros, fomos convidados por duas universidades brasileiras a apresentar nosso conteúdo a estudantes de graduação e pós-graduação, fomos citados como referência técnica em documentos oficiais… e talvez eu esteja ainda me esquecendo de mais alguns resultados, mas não importa. O importante é dizer que estamos muito felizes em te ver por aqui, não importa se nos acompanha desde 2009 ou se acabou de nos encontrar.

E, para comemorar esta data tão importante, vamos sortear um exemplar de nosso último livro publicado e enviar gratuitamente à residência da pessoa sortuda (desde que esteja no território nacional brasileiro). Para participar, basta inserir um comentário neste post informando seu desejo de participar do sorteio e informando um e-mail para contato (o comentário deverá estar no blog ricardotrevisan.com, não serão considerados em mídias sociais).

Fácil, hein? O sorteio será realizado no dia 31 de julho de 2019, e só considerará os comentários postados até 30/07/2019.

Boa sorte!

Um forte abraço,

Ricardo Trevisan

Resultado do sorteio (31/07/2019)

Sorteado: Joel Ferreira Junior

Vide comentários abaixo.

Obrigado a todos que participaram!

Abraços,

RT

Inclinação mínima do telhado por tipo de telha

Francesa: 36% (16 peças/m2)

Colonial: 30% (24 peças/m2)

Paulista: 30% (24 peças/m2)

Romana: 30% (16 peças/m2)

Portuguesa: 30% (17 peças/m2)

Fibrocimento: 13%

Metálica: 15%

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[e] A administração da qualidade

A visão técnica de engenharia tende a ver a qualidade em termos de especificações, o conjunto de características de um produto ou serviço que os descrevem em termos de utilidade, desempenho ou de atributos. Também chamada de qualidade planejada, tem como contrapartida o que o cliente efetivamente recebe (qualidade real) – quanto mais próximas as duas estiverem entre si, maior a qualidade do produto ou serviço. Esta qualidade é também chamada de qualidade de conformação, de conformidade ou de aceitação.

Qualidade também significa regularidade, redução da variação em qualquer processo de trabalho. Este conceito está associado ao de confiabilidade.

Segundo a visão do cliente, qualidade recebe outra definição adicional: a de adequação ao uso (fitness for use), conforme definição de Joseph M. Duran, com dois significados: qualidade de projeto e ausência de deficiências.

Os investimentos necessários para o alcance a manutenção da qualidade são chamados de custos da qualidade e incluem o funcionamento do sistema da qualidade e evitar os custos de não haver qualidade. Estes custos dividem-se em duas categorias: custos de prevenção e custos de avaliação.

O controle da qualidade passou por três grandes períodos ao longo da história:

  1. Era da inspeção: separar o produto bom do defeituoso. Existe desde antes da Revolução Industrial, pois o artesão tinha interesse genuíno em seguir especificações rigorosas, seguindo suas próprias exigências estéticas ou com o objetivo de impressionar positivamente os clientes. Presente até hoje na produção utilitária ou artística. No início do século XX surgiu o inspetor da qualidade com essa função, desvinculado hierárquica e funcionalmente do supervisor. Mais tarde, esse inspetor se transformou num departamento de controle da qualidade
  2. Era do controle estatístico: com a produção em massa industrial a inspeção de todos os produtos da linha de montagem se tornou impossível. Como solução ao problema, surgiu em 1924, com Walter A. Shewhart, dos Laboratórios Bell, a inspeção por amostragem, cujas propriedades observadas são estendidas ao lote do qual foi extraída a amostra. Utiliza-se uma carta de controle que informava visualmente os desvios dos elementos observados e os limites de tolerância
  3. Era da qualidade total: Armand Feigenbaum apresentou este conceito em 1961, partindo do interesse do cliente. Isto significa ir muito além da conformidade com as especificações e rigoroso controle dos processos. Inclui um sistema da qualidade que permeia toda a organização – a qualidade é problema de todos, envolve toda a operação da empresa e exige visão sistêmica. Neste sistema, o fator humano é primordial, pois, no final das contas, todo produto ou serviço é realizado por um par de mãos humanas. Depende, portanto, de participação e apoio de pessoas.

A qualidade deve estar embutida no produto ou serviço desde o início, sempre do ponto de vista do cliente, abrangendo todos os estágios do ciclo de produção, dos quais Feigenbaum elencou oito: Continuar lendo