Seleção adversa em concessões públicas

A definição de seleção adversa dada por Gregory Mankiw é a tendência de que o mix de atributos não-observados se torne indesejável do ponto de vista de uma parte desinformada. Observe que a “parte desinformada”, do ponto de vista econômico, não está definida ex ante, ou seja, pode ser tanto a parte ofertante quanto a demandante (vendedor ou comprador).

Para melhor entendimento desse risco em leilões de concessões públicas, o melhor a fazer é esquecer um pouco os exemplos clássicos de mercado de seguros ou de carros usados. Isso ocorre porque uma assimetria de informações no leilão (licitação) de um contrato de concessão pública tende a provocar prejuízos a ambas as partes no longo prazo: ao interesse público por prejudicar a entrega de benefícios, e ao investidor privado por criar um vínculo contratual prejudicial de longo prazo. Continuar lendo Seleção adversa em concessões públicas

Fluxo de caixa da empresa e do acionista

O consenso a respeito do mérito do fluxo de caixa esperado enquanto mecanismo adequado para a estimativa do valor intrínseco de um empreendimento é robusto a ponto de ser pouco questionado nos dias atuais. Tanto que o método tem um nome universalmente conhecido e amplamente aceito: fluxo de caixa descontado (FCD).

Por outro lado, isso não nos livra da eventual convivência com definições equivocadas e conflitantes, entendimentos equivocados sobre detalhes do método, e o convívio com informações pouco estruturadas e altamente dependentes de interpretação humana. Este texto trata de um dos pontos onde equívocos ocorrem com grande frequência: a diferenciação entre o fluxo de caixa do empreendimento como um todo e o fluxo de caixa que o acionista percebe em seu bolso. Continuar lendo Fluxo de caixa da empresa e do acionista

Escritório de arquitetura e engenharia não se paga em horas [GA]

Escritório de arquitetura

Um dos maiores avanços na gestão de empresas de serviços do campo da Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação do ativo construído (AECO) veio entre as décadas de 1980 e 1990, quando se popularizaram alguns conceitos-chave, como custos diretos variáveis e as despesas indiretas fixas. Com a adoção destes conceitos de controle contábil da prestação dos serviços, chegou também também o conceito de medição de custeio por horas trabalhadas dos profissionais envolvidos (os chamados “homens-hora”). E tivemos sucesso na democratização ampla desses conceitos entre os colegas.

Este avanço foi fundamental para importantes avanços na precificação e controle de custos e despesas dos escritórios. Mas também trouxe algumas armadilhas que se replicam muitas vezes sem o questionamento crítico adequado. Uma das mais perigosas é a utilização do método de quantificação de horas trabalhadas pelos profissionais como referência única e irrestrita de precificação dos serviços prestados em arquitetura e engenharia. O principal problema advém da prática de não observar a realidade do escritório como um todo na construção de preços – problema este que se torna crítico em escritórios em que existam custos fixos significativos. E fica ainda pior em escritórios de pequeno porte.
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Curso de viabilidade econômica de empreendimentos imobiliários

Estamos muito felizes em anunciar que um dos cursos digitais mais solicitados acaba de ser lançado! A partir de agora, você pode seguir o passo a passo de uma construção e análise de estudo de viabilidade econômico-financeira de empreendimentos imobiliários em nossa Plataforma Teachable.

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Neste curso, você verá desde o conhecimento básico para quem nunca teve contato com o tema, passando pelos métodos paramétricos e ágeis para obtenção dos custos e receitas de um empreendimento imobiliário, até a forma como se calcular o desconto máximo possível de ser concedido no estande de vendas! Continuar lendo Curso de viabilidade econômica de empreendimentos imobiliários

XIX Cobreap 2017: valor de liquidação forçada em cenários recessivos

(23/08/17) A apresentação de Osório Gatto e Rosana Murakami (Mercatto) foi o resultado de uma encomenda de dois grandes bancos (Itaú e Santander) para observar dívidas para avaliação de leilão. O mesmo cenário foi considerado para as duas instituições financeiras.

O conceito de Valor de Liquidação Forçada em norma técnica é relativamente recente (só surgiu na NBR 14.653). Não é um preço (venda) e sim o valor (estimável) numa situação de venda forçada (já falamos sobre este assunto aqui). A apresentação, neste caso, tratou deste valor em cenários recessivos.

Esta recessão foi demonstrada num gráfico de PIB privado e público, onde fica também demonstrada a recente recuperação (o primeiro trimestre de 2017 já voltou ao nível de 2014). E o PIB é uma variável de grande aderência com o mercado imobiliário, que demora a responder mas no longo prazo tem significativa aderência à produção de riqueza nacional. Continuar lendo XIX Cobreap 2017: valor de liquidação forçada em cenários recessivos