Por que escritório de arquitetura e design (ainda) não é uma startup?

Eu evito usar termos em outras línguas sempre que posso, mas neste caso é inevitável porque “startup” ainda não tem uma tradução completa e suficiente em português. Este termo se refere a empresas com três características básicas (segundo Eric Ries):

  • Inovadora
  • Criada do e para o ambiente de extrema incerteza
  • Escalável
  • Vejamos agora se as empresas (ou escritórios, ou ateliê) de arquitetura, urbanismo ou design se enquadram nesta categoria.
  • A essência destas atividades é o desenvolvimento da inovação em seus produtos, sejam estes cidades, edifícios, objetos ou marcas. Seria muito difícil argumentar contra este ponto, e nem tentarei. Ponto para nós.

    Continuar lendo

    Marketing para arquitetos, linha zero

    Muitos escritórios de arquitetura, urbanismo e design que entram em contato conosco pedem informações sobre “como fazer marketing “. Aprofundando a conversa, logo percebemos que o desejo é, na verdade, saber como construir planos de comunicação e estratégias de captação de novos clientes. Falaremos sobre isso por aqui em breve, mas antes é importante deixar claro o que é marketing de fato, até porque essas empresas já investem (e muito!) em ferramentas de marketing e nem percebem.

    Continuar lendo

    O esvaziamento dos centros urbanos

    Segundo Flávio Villaça, o planejamento urbano no Brasil passou por quatro grandes fases entre 1875 e 1992:

    1. 1875 – 1930: Planos de embelezamento
    2. 1930 – 1965: Planos de conjunto
    3. 1965 – 1971: Planos de desenvolvimento integrado
    4. 1971 – 1992: Planos sem mapas

    1930 – 1965

    Período em que houve a expansão do planejamento para todo o território da cidade, ciência e técnica passaram a ser incorporados aos planos. Seus principais objetivos eram a eficiência e funcionalidade, com grande foco em saneamento e transporte. A indústria automobilística permitiu o surgimento de muitos novos bairros, e este foi um dos principais fatores contributivos para o abandono dos centros. Exemplos emblemáticos de planos deste período são o Plano de Avenidas em São Paulo (Prestes Maia) e o Plano Agache no Rio de Janeiro. O Estado Novo marcou o período com o intervencionismo estatal, a população urbana chegou a 31%, e a tendência populista buscava a facilidade para a aquisição da casa própria num sistema de vendas a crédito. Continuar lendo

    Lançamentos da Apple abrem novas possibilidades para arquitetos

    A Apple anunciou no último dia 30 de novembro um conjunto de relançamentos que abrem novas possibilidades de hardware e software para nós, arquitetos e urbanistas. Um dos pontos mais interessantes foi que a empresa de Cupertino trabalhou no redesenho de produtos mais acessíveis, e não nos mais caros, como vinha fazendo nos últimos anos. Particularmente para nós, brasileiros, a desvalorização recente do real em relação ao dólar encareceu seus produtos em território nacional a níveis inéditos, e estava desmotivando muita gente. Essa tendência tende a se inverter nos próximos meses em especial com o lançamento do novo MacMini e do MacBook Air, este último com preços muito mais próximos à nossa realidade do que o MacBook Pro, produto em que a Apple apostou nos anos recentes.

    O MacMini, modelo mais barato da Apple para CPU não recebia atualizações desde 2014 e muita gente apostava que sairia de linha. A ação da Apple foi em sentido oposto: manteve o nível de preços do modelo anterior mas transformou o produto numa máquina muito poderosa para nossas necessidades, começando com uma configuração mais básica de entrada com processador i3 de 4 núcleos e 3,6 GHz, Cache L3 compartilhado de 6MB (com possibilidade de Boost até 4,6GHz em i7 de 6 núcleos), 8 GB de memória SO‑DIMM DDR4 com 2666 MHz, com possibilidade de configuração até 64 GB e suporte para até três monitores, sendo dois monitores com resolução de 4096 x 2304 a 60 Hz conectados via porta Thunderbolt 3 e um monitor com resolução de 4096 x 2160 a 60 Hz via porta HDMI 2.0. E, como não podia faltar, SSD de 128 GB expansível até 2TB. As novas portas USB-C são também Thunderbolt 3 e permitem uma velocidade de transferência de até 40 Gbps. Realmente inédito para um MacMini.

    Esta é uma configuração realmente incrível e potente para nossas necessidades mais avançadas, como suporte a sistemas BIM, realidade aumentada, integração de comunicações em nossa cadeia de produção, renderização em hiper-realismo com uma velocidade à qual não tínhamos acesso num produto com esta faixa de preços (nos EUA, o modelo básico custa US$ 799,00 sem os impostos).

    Screen Shot 2018-11-18 at 09.23.53.png

    Continuar lendo

    [e]

    Olá! Hoje começamos uma nova série de textos sobre empreendedorismo, identificada por um [e] antes do título (como neste). Apesar de muito se falar sobre o assunto, em nosso ramo de atividade ainda ensaiamos o empreendedorismo profissional, pouco utilizamos das mais recentes técnicas e tecnologias que estão revolucionando o mundo, como a preparação para a transformação digital, o Scrum para conduzir projetos, o Canvas para idealizar o negócio ou a estratégia do Oceano Azul ao observar a concorrência. Continuar lendo

    A perversa lógica salarial (ou: por que você talvez nunca tenha carteira assinada)

    Pelas leis atuais (mesmo após a reforma trabalhista recente, pois esses itens não mudaram), e de acordo com a tabela de Imposto de Renda vigente, as pessoas físicas brasileiras são consideradas de alta renda (faixa mais alta, tributada em 27,5%) quando seu salário bruto está situado a partir de R$ 4.664,68. Acontece que, sobre este salário, incidem obrigatoriamente, e no mínimo:

    • IRPF retido na fonte: 27,5%
    • INSS: 11%
    • FGTS: 8%

    E sobrou para o trabalhador o montante de R$ 2.495,60. A partir deste valor, este marajá tupiniquim (segundo a Receita Federal) terá ainda que retirar as despesas com habitação, transporte, saúde, educação, vestuário e lazer.

    Além disso, para o empregador, há a incidência de Encargos Sociais que, para arquitetos por exemplo, é de 85,64%, conforme Tabela de Honorários do CAU/BR (mas pode chegar a 174% para trabalhadores na obra). Ou seja, para o trabalhador hipotético acima citado, se tiver o mesmo enquadramento do arquiteto (um dos mais baixos), para o mesmo salário líquido de R$ 2.495,60, o empregador desembolsa R$ 8.659,51. Ou seja, para cada R$ 3,47 que o empregador desembolsa, apenas R$ 1 efetivamente chega aos bolsos do trabalhador no fim do mês. E não termina por aí. Continuar lendo