O melhor ano da história

ano

Meus amigos leitores,

Hoje escrevo para agradecer a vocês pelas quase 150.000 visitas a este blog apenas em 2016 (e ainda estamos em novembro!). Certamente nossas melhores expectativas não chegavam nem perto desse grande salto em relação a todos os anos anteriores.

Chegamos ao oitavo ano de existência efetivamente consolidados como referência, tanto no Brasil quanto internacional: aproximadamente 10% dos acessos (15.000) foram originados fora do Brasil, com grande peso para os Estados Unidos e países de língua portuguesa, principalmente Portugal, Angola e Moçambique. Grande abraço a todos os irmãos de língua materna!

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O que é Project Finance?

Project Finance é uma modalidade de estruturação financeira para a realização de projetos de grande porte, onde a principal fonte de receita para o pagamento do serviço da dívida de seu financiamento e do produto ou serviço resultante vem do fluxo de caixa gerado pela sua própria operação. Quando 100% dos recursos para o pagamento da dívida vem do fluxo do projeto, é chamado project finance non recourse, ou project finance puro. Esta característica de autofinanciamento permite a realização de projetos cujo porte seja superior ao de seu patrocinador. Portanto, é adequado para:

  • Projetos de vulto, onde o patrimônio da empresa seria insuficiente para aproveitar uma oportunidade de investimento tradicional (corporate finance)
  • Projetos de longo prazo de maturação, em que o investidor tradicional não se interessaria pelo período de retorno do capital (payback) alongado
  • Projetos de infraestrutura onde o poder público não possui recursos suficientes para sua realização, especialmente em países em desenvolvimento, onde o Estado tem baixa capacidade de financiamento de obras públicas
  • Parcerias público-privadas (PPP), onde a aliança de capital viabilize projetos de interesse público de forma atraente ao investidor privado. Neste formato, o poder público transfere os riscos da construção e da operação à iniciativa privada para maior eficiência em sua própria operação

O Project Finance possui uma engenharia financeira complexa e altamente alavancada. Por este motivo, o foco de interesse principal é a gestão de seus riscos. Não significa necessariamente que o Project Finance seja mais arriscado que o Corporate Finance – tudo depende da estruturação do projeto, em especial quanto à estruturação das garantias.

Este tipo de financiamento é muito utilizado em todo o mundo há décadas, e tem financiado projetos ligados a Continuar lendo O que é Project Finance?

O que é Capital de Giro Líquido (CGL) da empresa?

Também chamado de Capital Circulante Líquido (CCL), o CGL corresponde à chamada Folga Financeira (financial slack). É a quantidade de recursos financiada pelo Passivo Exigível a Longo Prazo e por recursos próprios (Patrimônio Líquido) que não foi imobilizada no ativo.

As exigibilidades de curto prazo (fornecedores, tributos diferidos, mão de obra, dívidas operacionais, etc.) não devem financiar ativos permanentes ou imobilizados, sob risco de insolvência. Também não é recomendável que o ativo circulante (disponibilidades imediatas, valores a receber a curto prazo, estoques, despesas diferidas) seja exatamente o mesmo que o passivo circulante porque não existe um casamento perfeito entre entradas de recursos e processamento de pagamentos. O adicional de ativo circulante em relação ao passivo circulante é o Capital de Giro Líquido.

CGL = AC – PC Continuar lendo O que é Capital de Giro Líquido (CGL) da empresa?

A Teoria de Pecking Order na estrutura de capital das incorporadoras brasileiras

 

Cheguei agora onde eu queria. Os posts anteriores sobre a proposição de irrelevância, trade-off e teoria da agência foram necessários para o entendimento da Teoria de Pecking Order (ou teoria da hierarquia de preferência, numa tradução livre).

A famosa pesquisa de Myers e Majluf, de 1984, colocam a questão da assimetria de informações: os gestores possuem mais informações sobre a magnitude dos investimentos, o retorno de cada investimento e outras características da firma que os investidores externos. Assim, os gestores prefeririam emitir ações quando os preços estão sobrevalorizados. Como os investidores sabem disto, exigiriam um desconto para comprá-las. Os gestores dariam, então, preferência a outras formas de financiamento, como o endividamento. Myers, em outro trabalho, sugere que as empresas seguem uma ordem de preferência para seu financiamento (pecking order). A sequência de preferência seria pelos recursos próprios (lucros retidos), seguido pela dívida de baixo risco, dívida de alto risco e, por fim, a emissão de ações.

Bulan e Yan, em 2010, estudaram a proposição do pecking order em função do ciclo de vida da firma e identificaram que Continuar lendo A Teoria de Pecking Order na estrutura de capital das incorporadoras brasileiras

A Teoria da Agência na estrutura de capital das empresas

A Teoria da Agência se preocupa com os problemas decorrentes da separação entre propriedade e controle. Segundo esta teoria, o gestor (agente) agiria de acordo com seus interesses e incentivos, que estão muitas vezes em conflito com os interesses dos acionistas (principal), especialmente com relação à emissão de ações e ao tamanho ótimo da firma. Estes conflitos seriam especialmente severos em firmas com grande fluxo de caixa. O gestor tenderia a maximizar sua utilidade, seu poder e suas mordomias, e deixaria em segundo plano os interesses do acionista, o qual gostaria de maximizar o valor da firma.

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