Modelagem econômico-financeira: agência reguladora

A partir da aprovação da Lei Geral de Concessões (Lei Federal 8.987/1995), se estabeleceram de forma clara as regras para concessões de serviços públicos no Brasil. Estas concessões, na qual a remuneração do prestador do serviço (concessionária) é remunerado diretamente pelos usuários por meio de tarifas, é também conhecida como concessão comum ou concessão simples.

A concessão comum, ao contrário do que ocorre em outros países, não foi enquadrada por nossa legislação como parceria público-privada (PPP) por não haver desembolso público de contraprestações pecuniárias. Na concessão comum, a receita de tarifas é suficiente para cobrir o custeio do serviço prestado. Continuar lendo Modelagem econômico-financeira: agência reguladora

Modelagem econômico-financeira: cálculo do WACC

Continuando nossa série de textos sobre este assunto, hoje faremos um exemplo de cálculo da taxa de desconto a ser aplicada ao fluxo de caixa. Não vamos aqui repetir os conceitos anteriormente apresentados de CAPM, WACC e de como o custo de capital se aplica à taxa de desconto em modelagens de PPP. A ideia deste texto é que seja mais prático e que fique clara sua interpretação.

Para nosso exemplo, vamos considerar o método mais utilizado nas modelagens de concessões e parcerias no Brasil: a obtenção de dados puros de referência dos Estados Unidos (veja os motivos no texto “A questão da origem“), e posterior “importação” para uso no Brasil por meio de acréscimo de indicador do risco-país. Vejamos cada um de seus componentes: Continuar lendo Modelagem econômico-financeira: cálculo do WACC

Como medir financeiramente um projeto de investimento imobiliário?

Existem muitas formas de se fazer isso, mas o investidor imobiliário costuma utilizar as formas mais tradicionais de verificação de qualidade econômico-financeira de projetos: Taxa Interna de Retorno (TIR) e Valor Presente Líquido (VPL), ainda que estejam cientes de suas limitações. Em parte, isso acontece por haver referenciais setoriais consolidados para esses dois indicadores. Vamos demonstrar aqui, de forma simples, como ambos funcionam. Para isso, apresentaremos um exemplo simples em conformidade com o que se pratica atualmente no mercado brasileiro.

VPL

O Valor Presente Líquido é o mais simples de entender, porque consiste numa operação simples de trazer todos os fluxos financeiros a valor presente e somá-los no período em que está sendo feita a análise, quase sempre o período zero (n=0). Esta operação é feita em regime de juros compostos: Continuar lendo Como medir financeiramente um projeto de investimento imobiliário?

Cities 1.5: uma aula do ex-prefeito de Toronto

Bicicleta em área urbana

Apresentado por David Miller, diretor administrativo do Centro de Política e Economia Climática do C40 e ex-prefeito de Toronto (2003-2010), o podcast semanal da C40 aborda soluções transformadoras para os desafios climáticos mais urgentes da atualidade. Miller entrevista prefeitos, formuladores de políticas municipais, economistas, líderes jovens, acadêmicos e outros profissionais que estão na linha de frente dessa batalha. O podcast cobre uma ampla gama de tópicos, como a criação de resiliência nas cidades para enfrentar os impactos das mudanças climáticas, a busca pela justiça climática e resiliência global, a transição para uma economia mais sustentável, o orçamento climático e a transformação de compromissos em ações concretas, além do uso de mapeamento de dados para acelerar a descarbonização.

O podcast enfatiza a importância de manter o aumento da temperatura média global dentro da meta de 1,5 grau estabelecida no Acordo de Paris de 2015. Desde então, líderes urbanos têm mostrado que essa meta é não apenas essencial, mas também alcançável, contanto que ações rápidas e decisivas sejam tomadas. Se não agirmos, as temperaturas globais podem quase dobrar a meta original, resultando em impactos devastadores para o clima global e colocando todos em risco de catástrofe total. Continuar lendo Cities 1.5: uma aula do ex-prefeito de Toronto

Por que Medellín virou cidade exemplar para o mundo?

A segunda maior cidade da Colômbia enfrenta os mesmos impactos da crise climática que aflige a todas as grandes concentrações urbanas do planeta: temperaturas em elevação, elevação das cotas (níveis em altura) de alagamentos, deslizamentos de terra, poluição do ar e seus reflexos nos sistemas públicos de saúde, habitação, mobilidade etc. Mas Medellín, ao contrário de muitas outras grandes cidades, não ficou de braços cruzados. Agiu de forma inteligente e integrada, aplicando na prática soluções que os urbanistas já conhecem – e defendem – há muito tempo.

O item mais importante foi o investimento em ampliação de áreas verdes urbanas: criou e ampliou parques lineares, inclusive em corredores de tráfego de automóveis; criou e protegeu corredores ecológicos e áreas de conservação. Este primeiro aspecto já conseguiu reduzir em 4,5 graus Celsius a temperatura média nas regiões em que foram implantados, e já reduziu em 2 graus Celsius a temperatura média de toda a cidade. O município de Medellín ainda quer ampliar esta iniciativa e reduzir mais 4 a 5 graus Celsius adicionais nos próximos anos. Continuar lendo Por que Medellín virou cidade exemplar para o mundo?