Beta alavancado: o que é e como calcular

Em nossos textos anteriores sobre o assunto, já falamos da importância crucial da taxa de desconto em análises de fluxos de caixa.

Em nosso texto anterior, fizemos um exemplo de cálculo de custo de capital próprio pelo CAPM, que pode ser utilizado como taxa de desconto em empresas que não sejam financiadas por dívida alguma, mesmo que em pequena proporção (empresas com 100% de capital próprio).

Também já falamos sobre como calcular uma taxa de desconto para empresas com algum tipo de financiamento por capital de terceiros através do WACC.

O que ainda não tratamos por aqui foi sobre o aumento da percepção de risco por parte do acionista à medida que a proporção de dívidas aumenta na estrutura de capital da empresa. Continuar lendo

Custo de capital total (WACC)

Encerraremos aqui a série de 4 artigos sobre o custo de capital:

  1. O que é coeficiente de correlação?
  2. O que é Beta?
  3. Custo de capital próprio (CAPM)
  4. Custo de capital total (WACC)

Sempre que falamos de fluxo de caixa descontado (FCD), a taxa de desconto a ser aplicada será o custo de oportunidade do projeto, empreendimento ou empresa, dependendo do caso. E o custo de oportunidade do capital, nada mais é que o seu custo financeiro.

Agora que você já entendeu como é calculado o custo de capital próprio, falta apenas considerar o custo do capital de terceiros (passivo oneroso, aquele que exige pagamento de juros) para descobrir o custo de capital de todo o investimento responsável pelo fluxo de caixa. Este cálculo é essencial a três dos principais assuntos tratados neste blog:

  • Viabilidade econômica de empreendimentos imobiliários (incorporação imobiliária)
  • Gestão de empresas de arquitetura, engenharia e design
  • Avaliação econômica de imóveis (método da capitalização da renda, parte 4 da NBR 14.653)

O custo de capital total é calculado pelo custo médio ponderado de capital (em inglês, Weighted Average Cost of Capital – WACC). Este custo é calculado considerando o benefício fiscal do capital de terceiros. Este benefício decorre da dedutibilidade fiscal do pagamento de juros sobre as dívidas (o que não ocorre com o capital próprio):

Custo de capital de terceiros = rKT x (1 – Tc)

Onde:

rKT:      taxa paga pelo uso de capital de terceiros
Tc:         alíquota de tributos sobre a renda da empresa

Tendo isto em mente, o custo de oportunidade de uma empresa alavancada, calculada através do WACC, será: Continuar lendo

Custo de capital próprio (CAPM)

Falaremos hoje sobre o custo do capital próprio calculado pelo CAPM, terceira parte da série de 4 artigos sobre o custo de capital para uma empresa:

  1. O que é coeficiente de correlação?
  2. O que é Beta?
  3. Custo de capital próprio (CAPM)
  4. Custo de capital total (WACC)

O risco é um componente da taxa de desconto a ser aplicada na análise do fluxo de caixa. Ele não pode ser ignorado no cálculo do Valor Presente Líquido porque vivemos num mundo que inclui riscos – os quais precisam aparecer em nosso modelo de análise. Ninguém investiria nem em fundos de investimentos ultraconservadores sem considerar os riscos envolvidos – e lembre-se que retorno de risco zero é sempre teórico, não existe no mundo real.

Não existe uma definição universalmente aceita para o risco. Para o mundo das finanças, é a imprevisibilidade. Estatisticamente, a flutuação no comportamento de uma variável é medida pela variância ou por sua raiz quadrada, o desviopadrão. Variância e desvio-padrão mostram o quanto os valores assumidos pela variável podem se afastar do ponto médio (a tendência central). Ou seja, queremos a medida do quão imprevisível o comportamento desta variável será. Quanto mais ela varia, mais risco está nela embutido. Se não varia nada, você tem alto grau de certeza para apostar em seu comportamento futuro, o risco é baixo.

Em primeiro lugar, é necessário separar o risco sistemático do risco não sistemático. O risco sistemático (não diversificável) é externo à capacidade de diversificação do investidor: é caracterizado por fatores macroeconômicos, eventos externos ou globais. Câmbio, inflação, crises econômicas, desemprego, resultado do PIB são riscos sistemáticos. É difícil se precaver para este tipo de risco, que costuma atingir a economia doméstica de forma ampla. A diversificação dos investimentos não reduz o risco de colapso global ao qual o investidor está exposto. A crise de 2008 foi um desses colapsos, onde todos os setores sofreram impacto.

O risco não sistemático (diversificável) está associado ao risco setorial do empreendimento, portanto poderia ser reduzido se o empreendedor fizesse também outro investimento de proteção (hedge) em projetos que costumam apresentar resultados contrários aos de seu setor. Ativos que apresentam resultados inversos possuem correlação negativa entre si: quando um piora, o outro melhora. Por esse motivo o risco não sistemático também é chamado de risco diversificável, no qual a diversificação de investimentos reduz o risco global do investidor.

A questão central para a avaliação econômica é como medir o risco. Como transformar toda a incerteza em um valor, quantificá-lo? Como utilizar o desvio-padrão ou a variância em nossa planilha de estudo de viabilidade? Continuar lendo

O que é Beta?

Continuamos hoje a série de 4 artigos sobre o custo de capital para uma empresa:

  1. O que é coeficiente de correlação?
  2. O que é Beta?
  3. Custo de capital próprio (CAPM)
  4. Custo de capital total (WACC)

Depois de entender como verificar a correlação entre dois ativos, a segunda pergunta que surge naturalmente é: em que magnitude um deles se afeta pela variação de um determinado referencial.

O investidor quer saber qual é a volatilidade do ativo em relação ao comportamento de outro cujo comportamento e risco sejam conhecidos. Conforme já dissemos várias vezes aqui no blog, variância é, no mundo financeiro, associada ao risco.

Existe um indicador que mede a variância de um determinado ativo comparado à variância de um parâmetro (em geral, um indicador de mercado). Este indicador é chamado de beta. É importante salientar que o beta não é uma medida de aderência, não verifica o quão correlacionado o comportamento do ativo está em relação ao comportamento geral do mercado, e sim a magnitude em que isto ocorre, sendo portanto uma medida de elasticidade.

A equação para o cálculo do Beta é a seguinte: Continuar lendo

Custo de capital: O que é coeficiente de correlação?

Iniciaremos hoje uma série de 4 artigos sobre o custo de capital para uma empresa:

  1. O que é coeficiente de correlação?
  2. O que é Beta?
  3. Custo de capital próprio (CAPM)
  4. Custo de capital total (WACC)

Custo de capital é o custo de oportunidade que deve ser superado pelo empreendimento para valer a pena manter o negócio ativo. Se esta taxa não é ultrapassada pelo lucro líquido, significa que o investidor está perdendo dinheiro. Vamos explicar aqui, item por item, como calcular esta taxa.

Este cálculo atravessa três principais assuntos de interesse deste blog:

  • Viabilidade econômica de empreendimentos imobiliários (incorporação)
  • Gestão de escritórios de arquitetura e engenharia
  • Avaliação econômica de imóveis (pelo método da capitalização da renda)

O primeiro e mais rudimentar indicador de comportamento de qualquer ativo é a chamada correlação. Este é um termo utilizado cotidianamente, o que facilita seu entendimento. Por exemplo:

  • Correlação entre poluição do ar e aquecimento global
  • Correlação entre taxa Selic e inflação
  • Correlação entre desemprego e violência

E assim por diante. Continuar lendo

O que é custo de oportunidade?

Vários empreendedores utilizam a remuneração de poupança como parâmetro de custo de oportunidade, o que demonstra grande desconhecimento até conceitual sobre o tema. Custo de oportunidade é o que o investidor deixa de ganhar em outra opção por ter escolhido uma linha de investimento determinada. Exemplo: se eu compro um carrinho de cachorro quente, deixo de comprar um carrinho de pipoca, este é meu custo de oportunidade. Repare que são investimentos parecidos e com níveis de risco e liquidez semelhantes. Portanto, um investimento imobiliário, por exemplo, jamais teria a remuneração de poupança como custo de oportunidade, porque não possui nível de risco, nem de liquidez, semelhantes.

O risco, para as finanças, é variância. Ou seja, é o quão imprevisível será. Continuar lendo