O projeto de uma casa

Por que saber onde fica o norte?

Sabendo a orientação do terreno (onde está o norte), podemos prever a trajetória aparente do sol (insolação) e os ventos predominantes. A insolação orienta o projeto quanto ao posicionamento dos ambientes. No hemisfério sul (que corresponde a quase todas as cidades brasileiras), a face norte recebe mais sol no inverno e menos (ou nenhum sol, dependendo da latitude) no verão. A face leste recebe insolação bastante horizontal pela manhã e nenhuma à tarde. A face oeste recebe a insolação horizontal da tarde e anoitecer.

Para cada região do país, a melhor orientação dos ambientes depende de seu clima, topografia e elementos naturais (visuais, corpos d`água, etc.). Por exemplo, do trópico de Capricórnio para baixo (regiões sudeste, sul e Mato Grosso do Sul), a face norte é valorizada por ser fresca no verão e aquecida pelo sol no inverno. Mais ao norte, receber mais sol nunca será uma opção desejada, mesmo no inverno.

A face sul, que recebe algum sol no inverno na região sudeste e Mato Grosso do Sul, não é desejada para qualquer ambiente de estar prolongado. Por isso nós, arquitetos, preferimos colocar na face sul da residência banheiros, áreas de serviço, depósitos, circulação, escadas, etc. O mesmo se aplica à face oeste em cidades quentes. A diferença é que a face sul tende a ter menor temperatura média. Quando a casa tem uma cave, o ideal é que fique em seu centro geométrico (local mais fresco). Mas se tiver que ficar na periferia do edifício, o ideal é que seja na face sul.

As faces mais nobres (em geral variando de norte a leste, dependendo da região do país) recebem os ambientes de permanência prolongada (salas, dormitórios, escritórios, etc.). Nossa cultura é de permanência prolongada na cozinha. Esta área nos é cara e nobre, não importa o que se diga em livros estrangeiros.

Por onde começar?

Uma de minhas primeiras professoras de projeto dizia que temos que considerar três aspectos básicos: o que Continuar lendo O projeto de uma casa

O que é piso de porcelanato líquido?

Algumas empresas estão vendendo um “novo” sistema para pisos residenciais, com o nome de porcelanato líquido. A verdade é que este tipo de piso nada tem de novo, e seu nome real é piso epóxi, muito utilizado nas décadas de 1960 e 1970 por arquitetos brasileiros em edifícios de uso público ou coletivo.

Biblioteca FAUUSP, piso epóxi. Projeto arquitetônico Villanova Artigas
Biblioteca FAUUSP, piso epóxi. Projeto arquitetônico Villanova Artigas
Biblioteca FAUUSP, piso epóxi. Projeto arquitetônico Villanova Artigas
Biblioteca FAUUSP, piso epóxi. Projeto arquitetônico Villanova Artigas
As vantagens do piso epóxi (ou porcelanato líquido, como queiram) são:

  • alta resistência a abrasão (desgaste por atrito)
  • ausência de juntas
  • acabamento naturalmente brilhante
  • resistência física e química
  • autonivelante
  • capa única monolítica

Com estas características, o piso epóxi costuma ser utilizado em locais que exijam Continuar lendo O que é piso de porcelanato líquido?

Dica para projetos de telhados de edifícios residenciais

Existe um problema recorrente em telhados de edifícios residenciais. Eu o vejo todos os dias, nos mais variados empreendimentos. Ele nasce no projeto de arquitetura, quando é definido o desenho básico das águas do telhado. Pela natureza do projeto do andar tipo, o perímetro do edifício costuma ser recortado, com balanços e reentrâncias.

Até aqui, nenhum problema. Ele surge apenas quando, por questões culturais, reminiscências dos telhados de casas em duas ou quatro águas, o projeto de arquitetura tenta reproduzir este modelo na cobertura do edifício, jogando as águas para a periferia recortada. Por consequência, a calha também fica toda recortada, cheia de curvas a 90 graus. Seja ela em metal ou na alvenaria impermeabilizada, o risco de falha de estanqueidade nessas curvas é elevado. E essas curvas estão, pela natureza da planta tipo convencional, sobre os dormitórios. Outro problema criado pelo próprio projeto é a passagem dos tubos de queda, que acabam se utilizando dos shafts de banheiros para conduzir as águas de chuvas. Isso reduz o espaço útil para a tubulação de coleta das próprias unidades e dificulta uma eventual manutenção.

Problema colocado, agora vou dar uma sugestão para resolvê-lo: Continuar lendo Dica para projetos de telhados de edifícios residenciais

Pré-dimensionamento de dutos de ar condicionado

Quem faz projetos de áreas corporativas sabe que o maior volume utilizado sobre o forro é o dos dutos de ar condicionado. No entanto, não nos ensinaram como fazer qualquer pré-dimensionamento deste sistema, costumamos ter alguma ideia de algumas soluções padronizadas e trabalhamos com elas até que o engenheiro mecânico nos confirme se o espaço útil sobre forro é suficiente. O problema é quando a planta não é convencional e o caminhamento de dutos é maior que o usual. E aí? Vamos ficar esperando o projetista de ar condicionado para evoluir a arquitetura?

As dicas abaixo me foram passadas por um dos melhores calculistas e projetistas de climatização de São Paulo, e deixo aqui para ajudar a quem precisa. Lembre-se que se trata apenas de um pré-dimensionamento, as dimensões finais serão dadas pelo projetista de mecânica.

Este pré-dimensionamento foi estabelecido para:

  • Região Sudeste ou Sul do Brasil
  • Pé-direito útil em torno de 3 metros
  • Áreas corporativas
  • Não se aplica a peles de vidro sem proteção em fachadas expostas a insolação direta

Cada 15 metros quadrados de área de piso exigem 1 TR de capacidade, o mesmo que 680 metros cúbicos por hora. Portanto, uma área de Continuar lendo Pré-dimensionamento de dutos de ar condicionado

Depoimento à revista aU (texto integral): conflitos entre sócios em escritórios de arquitetura 

Esta é a íntegra de meu depoimento à revista aU de agosto de 2015 (matéria de Juliana Nakamura):

1) Quais são os principais motivos que levam a conflitos entre os sócios de um escritório? Continuar lendo Depoimento à revista aU (texto integral): conflitos entre sócios em escritórios de arquitetura