Falência do bairro-jardim brasileiro?

Implosão de Pruitt-Igoe, 1972

A morte urbana de regiões e bairros por falta de diversidade de usos não é nenhuma novidade. O exemplo mais emblemático provavelmente é a implosão do conjunto residencial Pruitt-Igoe, de Saint Louis (EUA), em 16 de março de 1972.

O projeto, que seguia à risca os preceitos da arquitetura e urbanismo modernos, premiado, escolhido por unanimidade pelo júri, se provou um grande fiasco. As causas, muito associadas ao uso do solo monofuncional e à falta de participação da comunidade no desenho, levaram o governo local a preferir investir mais alguns milhões de dólares em sua completa aniquilação. Charles Jencks atribuiu ao instante da primeira detonação, a morte do modernismo no campo (falamos mais sobre esse assunto em Competicidade). Continue lendo “Falência do bairro-jardim brasileiro?”

Teletrabalho e a era das cidades médias

Estas palavras são escritas em plena pandemia de 2020, de forma a ser ainda cedo para delinearmos com nitidez suas consequências. Ainda assim, algumas tendências se sobressaem, e já é possível algum vislumbre de cenários futuros. Uma dessas tendências diz respeito à geolocalização dos cérebros. Explico: a preocupação em relação à localização de pessoas de alta qualificação e elevada produtividade já é uma preocupação de governos há décadas. Em geral, o preparo (educação formal e informal, treinamento, apoio ao desenvolvimento profissional) consome uma quantia considerável de investimentos, os quais, independentemente de quem tenha financiado de fato tal preparo, decorre do consumo de recursos de uma dada economia. É, portanto, um investimento social, ainda que indireto. Continue lendo “Teletrabalho e a era das cidades médias”

Iluminação pública: mercado potencial para arquitetos

O crescente interesse dos municípios brasileiros em buscar parcerias com a iniciativa privada é uma tendência contemporânea forte, que aparentemente não se alterará tão cedo. O setor privado possui alta liquidez e está em busca de bons projetos para investir. Os municípios e estados brasileiros enfrentam crises fiscais e demandam pesados investimentos na deficitária infraestrutura nacional. Aliar essas coisas em projetos de qualidade, bem estruturados, que reduzam os riscos para ambas as partes é o que buscam inúmeras iniciativas atuais pulverizadas por todo o território nacional, promovidas por diversas partes interessadas nestes projetos. Continue lendo “Iluminação pública: mercado potencial para arquitetos”

Competitividade e as cidades em 2020: Mogi das Cruzes

Cada vez mais cidades brasileiras acordam para a nova realidade competitiva municipal, e passam a se movimentar ativamente em busca dos melhores recursos, pessoas e qualidade de vida. Veja, como exemplo, que Mori das Cruzes investiu em anúncio de página inteira na revista Exame para informar sua intenção competitiva institucional.

Mori das Cruzes anuncia na revista Exame
Mori das Cruzes anuncia na revista Exame

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Competicidade: como as cidades competem entre si e por que isso pode ser bom

As cidades estão em constante competição pelos melhores recursos e mais interessantes investimentos. Para isto, se valem de suas principais qualidades, procurando construir um lugar de bem-estar, justo, responsável, agradável, atraente e amistoso ao empreendedorismo. Tratamos deste assunto em nossa nova publicação, disponibilizada a partir desta semana para você: Competicidade, um trabalho objetivo que aproxima e compara ações, programas e projetos das mais variadas realidades, unindo o conhecimento do urbanismo com a da estratégia competitiva, desde estudos da gestão Ronald Reagan nos Estados Unidos da década de 1980, passando pela experiência bem-sucedida de Beirute na recuperação da Guerra Civil no início da década de 1990, até a as mais novas tendências de financiamento ao Poder Público no Brasil do século 21. Continue lendo “Competicidade: como as cidades competem entre si e por que isso pode ser bom”

Modalidades de reabilitação de centros urbanos

Quando se fala em reabilitação, recuperação, revitalização ou renovação de centros urbanos, existem diferentes estratégias de intervenção, de acordo com as características de cada caso.

Algumas delas são:

Renovação urbana: quando o existente é demolido e substituído por um outro padrão. Em geral, nestes casos, a ocupação é intensificada e a população original, expulsa do local. Exemplo: Baixa Pombalina, em Lisboa.

Revitalização urbana: tem o objetivo de retomar a vida econômica e social de uma área vista como decadente. Neste caso, a meta é trazer vida a uma área degradada e/ou abandonada. Exemplo: Nova Luz, em São Paulo (SP).

Requalificação urbana: procura integrar melhor a área às necessidades urbanas contemporâneas. Busca aumentar a atratividade e competitividade de uma área urbana. Exemplo: Porto Maravilha, no Rio de Janeiro (RJ), em suas intenções originais.

Conservação integrada: conservação, restauro e outras obras de reabilitação para novas funções. É uma aliança da proteção ao patrimônio construído ao desenvolvimento urbano. Exemplo: Bolonha, 1960.

Reabilitação urbana: a estratégia de gestão urbana procura requalificar a cidade, valorizar potencialidades e melhorar a qualidade de vida mantendo a identidade do lugar. Demanda negociação com a população local, preferencialmente com a participação desta no projeto. Exemplos: Hipercentro de Belo Horizonte (2007), Centro Antigo de Salvador (2010). Continue lendo “Modalidades de reabilitação de centros urbanos”

Em que cidade investir em imóveis?

Uma consultoria fez um levantamento baseado em vários indicadores para cidades até 1 milhão de habitantes. O resultado foi publicado em Exame, veja o link a seguir:
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Prefeituras brasileiras descartam oportunidades

Todos os dias, volumes gigantescos de dinheiro se movimentam pelos mercados financeiros seguindo sua função natural: estão em busca de projetos. Fácil de entender: se, no final do mês, sobrar um dinheirinho na sua conta, você também vai procurar por um projeto. Se seu desejo for poupar, será para realizar algum projeto no futuro, e ao aplicar o dinheiro, você financia projetos atuais de terceiros, sejam públicos ou privados.

Beirute, Líbano
Beirute, Líbano

Fato é que não falta dinheiro nos mercados (as crises econômicas recentes já foram chamadas de crises líquidas). O que falta é projeto. Existem inúmeros fundos de private equity, investidores individuais, corporações em busca de crescimendo, anjos, seeders, e muitos outros investidores em busca de quem tem as ideias.

Dinheiro é como coelho: quer mesmo é se reproduzir. E deve, porque esta é sua função social. A virtualidade da moeda representa uma quantidade de valor econômico nas mãos de seu detentor. A função social daquele valor econômico acumulado é promover Continue lendo “Prefeituras brasileiras descartam oportunidades”

Automóvel: inimigo público das cidades

por Ricardo Trevisan, arquiteto e urbanista

O Metrô de São Paulo poderia ter sido iniciado em 1927, se a proposta da São Paulo Light & Power tivesse sido aceita pela prefeitura naquela época. A Light estava trabalhando nesta proposta desde 1924, num esforço de tentar manter seu contrato com a prefeitura, numa época em que a escassez de energia elétrica favorecia os ônibus que começavam a substituir os bondes. O chamado Plano Integrado de Transportes, realizado pelo escritório do urbanista canadense Norman Wilson propunha uma rede de trens de alta velocidade (que hoje chamamos de Metrô) integrada com uma rede de bondes. Esse tipo de sistema existe hoje em cidades europeias e funciona muito bem.

PropostaLight_27Desenho do Plano Integrado de Transportes, da Light, 1927, com Metrô para São Paulo no Vale do Anhangabaú

Porém, a Light encontrou pela frente Prestes Maia, que além de estar disposto a dificultar as concessões a empresas estrangeiras, estava também interessado num Continue lendo “Automóvel: inimigo público das cidades”