A cidade utópica

O século 19 concentrou os problemas da industrialização em áreas urbanas repentinamente inchadas e despreparadas para o adensamento. Em questão de poucas décadas, a realidade humana se tornou mais sórdida, e seria quase impossível ao europeu da época dissociar a perda de qualidade ambiental do rápido processo de urbanização.

Num processo natural de reação, surgiram novas propostas de reformas sociais e econômicas em novas formas de comunidades, tais como os falanstérios (Owen) e familistérios (Fourier), as quais sugeriam profundas transformações sócio-culturais, muito além de ajustes físicos das formas urbanas. Era um momento de completo redesenho da organização humana à nova realidade industrial, mecanizada e exponencialmente mais ágil. Continuar lendo A cidade utópica

A cidade renascentista

A história da arquitetura costuma dividir o Renascimento em várias fases [1]:

  1. Primeiro Renascimento (1420 – 1500, na Itália)
  2. Renascimento tardio (1500 – 1600)
  3. Barroco (1600 – cerca de 1765)
  4. Rococó e Neoclássico (1750 – 1900, variando conforme a região)

Com a recuperação econômica e política europeia da Baixa Idade Média, também houve um resgate de referências culturais clássicas, evidentemente greco-romanas, associado ao desenvolvimento filosófico e científico ocidental. Também houve uma grande assimilação de conhecimentos adquiridos com outros povos, em especial os árabes e orientais.

O novo momento intelectual de retomada do racionalismo, em oposição ao misticismo medieval, provocou mudanças profundas na sociedade da época, o que se refletiu na pintura, escultura, arquitetura e urbanismo. A partir dos desenvolvimentos da perspectiva, sua expressão mais representativa surgiu em Florença e rapidamente se propagou pelo resto da Itália, um território onde o gótico medieval não era muito bem aceito por diversas razões culturais, em especial pelo vínculo com as referências romanas do passado. Em pouco tempo, a influência florentina já alcançava praticamente toda a Europa. Continuar lendo A cidade renascentista

A cidade romana antiga

A continuidade ocidental à cidade grega foi dada pela incrível expansão territorial e explosão de novos assentamentos humanos promovidos pelos romanos, principalmente nas áreas mediterrâneas. Este mar foi tão dominado pelo Império Romano que chegou a ser denominado mare nostrum (mar nosso). Continuar lendo A cidade romana antiga

Série “Desenho Urbano” começa em 4 de abril

Olá!

Tenho grande prazer em anunciar aqui a você que na próxima segunda-feira, dia 4 de abril de 2022, iniciaremos nossa mais extensa e longa série de textos sobre um assunto de foco: o desenho urbano. Neste exato momento em que escrevo, já há mais de quinze textos preparados para publicações semanais (e continuo produzindo mais), um trabalho que demandou esforço inédito de preparação neste blog em quase treze anos de existência.

Blocos habitacionais de Brasília
Blocos habitacionais de Brasília

Estou muito confiante na perspectiva de poder auxiliar muitos estudantes, profissionais, técnicos e cidadãos curiosos sobro o assunto nos próximos meses, como temos feito há mais de uma década. A aventura humana do desenho urbano é uma das histórias mais empolgantes que conheço, o que faz dessa tarefa também um grande prazer pessoal.

O próprio rótulo do tema já é objeto de debate. Derivado do inglês urban design, talvez tivesse uma tradução mais adequada como “projeto urbano”, substituindo o termo design de forma mais coerente com seu objeto epistemológico. Continuar lendo Série “Desenho Urbano” começa em 4 de abril

Logradouros brasileiros e portugueses

O termo “logradouro” adquire sentidos distintos no Brasil e em Portugal. O logradouro brasileiro se refere a vias e espaços públicos, em geral usados como referencial de endereço: ruas, avenidas, rodovias, quadras, largos, travessas, etc. Continuar lendo Logradouros brasileiros e portugueses