Como obter o risco-Brasil sem EMBI+ do Ipeadata

O Ipeadata deixou de publicar os dados de risco-Brasil do EMBI+ (calculado pelo banco J.P. Morgan) no dia 30 de julho de 2024. Com isso, a fonte a ser utilizada para diversas finalidades financeiras teve que ser alterada – uma delas é a de importação do custo de capital próprio (CAPM) norte-americano para a aplicação em projetos brasileiros.

O EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus) era uma forma de se calcular a diferença de remuneração de títulos públicos de dívida dos países emergentes em relação aos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O índice era baseado nos bônus emitidos por este grupo de países e mostrava os retornos financeiros obtidos a cada dia por uma carteira selecionada de títulos.

O índice de risco-país auxilia os investidores na compreensão do risco de investir naquele ambiente doméstico específico: quanto mais alto for seu valor, maior a percepção de risco. O EMBI+ foi criado para classificar países que apresentassem alto nível de risco segundo as agências de rating e que tivessem emitido títulos de valor mínimo de US$ 500 milhões, com prazo mínimo de 2 anos e meio. Continuar lendo Como obter o risco-Brasil sem EMBI+ do Ipeadata

Arquitetura popular brasileira – indicação de livro

Arquitetura popular brasileira. Livro. Günther Weimer

Este é, sem dúvida alguma, o livro mais interessante que já li sobre o tema, a começar pelo título. Günther Weimer constrói uma argumentação contra a tradicional arquitetura vernacular. E logo as primeiras páginas já valem o livro, trazem um interessante estudo sobre nossas influências culturais a partir das raízes mais antigas de nossa formação étnica, começando pela migração de povos asiáticos para a América do Norte e de lá descendo até nossas terras para formar nossos primeiros povoamentos indígenas, milhares de anos atrás.

Daí em diante, é impossível largar essa obra: aborda as origens do que chamamos de influência européia, a identificação da diversa e rica contribuição africana e as demais correntes imigratórias que recebemos mais fortemente nos últimos 150 anos. Weimer também identifica de forma precisa manifestações construtivas desprezadas pelo poder dominante, incluindo equívocos de se associar adaptações locais de técnicas ancestrais milenares de alhures em nossas terras, tais como as palafitas e a busca pelo contato com a água. Continuar lendo Arquitetura popular brasileira – indicação de livro

PEX: sistemas hidráulicos inteligentes

Os sistemas construtivos tradicionais são ainda aplicados em grande parte das obras no Brasil, apesar de sua dificuldade de manutenção, necessidade de quebrar revestimentos quando há algum problema, dos desperdícios de materiais e retrabalho, entre inúmeras outras desvantagens conhecidas há muito tempo. Quando se trata de sistemas hidráulicos, sanitários, drenagem e tubulação de gás, essas características se aguçam ainda mais.

Existe pelo menos uma alternativa viável, a custo acessível e fácil de encontrar. É um fantástico substituto aos sistemas hidráulicos tradicionais: o PEX (polietileno reticulado).

Suas características técnicas de elevada qualidade e resistência, facilidade de instalação e a possibilidade de substituir com tranquilidade o PVC, CPVC e o cobre tem levado esse sistema a ganhar mercado no país. O PEX consegue fazer curvas suaves, reduzindo a necessidade de conexões e, por consequência, o risco de vazamentos nessas emendas. Além disso, facilita a instalação em pontos de difícil acesso. Continuar lendo PEX: sistemas hidráulicos inteligentes

Diferença entre CDE e repositório de arquivos [GA]

Nossa forma tradicional de trabalhar em ambiente digital não era completamente integrada em termos de dados e informações, e a base do trabalho era sempre o arquivo de computador. A partir da ampla difusão da internet passamos a compartilhar ou armazenar esses arquivos em servidores remotos que disponibilizavam pastas de acesso coletivo, onde trocávamos arquivos entre diferentes profissionais e empresas. Este tipo de pasta de simples armazenamento e troca de arquivos é o repositório de arquivos simples, tais como o Dropbox, Google Drive e Autodesk Docs.

Mas a forma de trabalhar mudou. Com o BIM, é necessária a existência de um ambiente virtual onde diferentes pessoas envolvidas com o projeto possam trabalhar de forma colaborativa e sobre um mesmo modelo. Para essa necessidade, o repositório de arquivos é insuficiente. Surgiu assim o conceito de Ambiente Comum de Dados (CDE), designando espaços virtuais que organizam, gerenciam e compartilham dados e informações de um projeto em contexto BIM (Building Information Modeling). Continuar lendo Diferença entre CDE e repositório de arquivos [GA]

O que é gêmeo digital (digital twin) [GA]

Considere a existência de dois tipos de dados associados ao ativo construído: os dados obtidos do edifício real, capturados de sua manifestação concreta (dados reais), e os dados gerados no ambiente digital, virtual ou de simulações da máquina (dados sintéticos). O processo de idealização, projeto, viabilização, construção, operação, manutenção, recondicionamento e desativação do edifício envolve inúmeros processos de interação entre esses dois tipos de dados.

Idas e vindas são comuns, não apenas nos processos da arquitetura, mas também nos demais processos envolvendo outros agentes e contextos. O resultados dessas interações têm impactos diretos na qualidade construtiva, na sustentabilidade do ativo, nos custos e nos prazos.

A abordagem baseada nos resultados inicia os processos de projeto a partir dos benefícios esperados para usuários, comunidade e ambiente, travando-os como metas a serem atingidas, e trabalha com dados granulares de melhor qualidade e em ambiente conectado de forma a aplicar adequadamente no mundo real, sobre o qual se acumula conhecimento digital. Utiliza a cocriação com ferramentas de inteligência artificial (IA), simulando muitos cenários diferentes e selecionando aquele que apresentar melhor desempenho nos aspectos de interesse. Os resultados dessas interações deverão ter impactos não apenas em qualidade, sustentabilidade, custos e prazos, mas também em habitabilidade do ativo ou contexto, diversidade de soluções para a diversidade da demanda, considerar a receita operacional líquida do ativo, melhorar a experiência humana e ser acessível.

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