O valor do dinheiro ao longo do tempo: taxas de juros

O passar do tempo tem o poder de mudar o valor da moeda. Se você não acredita nisso, empreste dez mil reais hoje para serem devolvidos (os mesmos dez mil reais) daqui a um ano. Sabemos que isso não é justo. O que ocorre é que estamos acostumados a usar a moeda como o meio de troca por mercadorias. Mas e quando a mercadoria é a própria moeda?

Quando um imóvel é cedido ao uso de outro mediante a promessa de devolução e uma contrapartida financeira, chamamos esta de aluguel. Quando moeda é cedida ao uso de outros com as mesmas exigências, essa contrapartida financeira é chamada de juros e a perte emprestada a ser devolvida é chamada de principal. Existem inúmeras formas dessa operação ser realizada, com inúmeros métodos de definição da taxa a ser utilizada para o cálculo dos juros. Continuar lendo O valor do dinheiro ao longo do tempo: taxas de juros

Marketing para arquitetos 8: diferenciação

Seu cliente não percebe seu escritório da mesma forma que percebe os escritórios concorrentes. E a percepção humana é seletiva, observará prioritariamente aspectos nos quais esteja interessada. Se você pensa em trocar de carro, observará melhor os carros nas ruas. E se um modelo específico está em estudo, será identificado com maior facilidade, porque o subconsciente também se prepara para a busca (daí o motivo de se ter impressão que há um número muito maior de veículos daquele modelo nas ruas). Continuar lendo Marketing para arquitetos 8: diferenciação

A crise financeira de 2008

Os desdobramentos da crise de 2008 são sentidos até hoje em todo o mundo. Inclusive no Brasil, onde nossos raquíticos resultados de crescimento do PIB comprovam que a “marolinha” foi mais forte do que se pretendeu.

Esta história pode ser contada tomando por início o segundo mandato de Bill Clinton, ainda no ano 2000, quando a crise do momento era o estouro da bolha das “ponto-com”. As empresas de tecnologia baseadas na internet estavam em pleno crescimento, quase todas com capital tangível mínimo. Era difícil avaliar estas empresas, ninguém sabia ao certo seu potencial de criação de valor, ou de potencial geração de caixa futuro, ou valor de marca, ou qualquer outro parâmetro utilizado em outras empresas. Muitas delas cresciam com prejuízos em sequência. Para se ter uma ideia da falta de indicadores, algumas delas eram avaliadas pelo número de cliques que recebiam dos usuários. Isso criou um ambiente especulativo quando estas empresas abriram o capital, e a rápida circulação de suas ações nas mãos de investidores de curto prazo criaram uma elevação irreal de valor de mercado – uma bolha.

O estouro da bolha ocorreu em 2000, quando os investidores perceberam que o valor das negociações não eram coerentes com o potencial de geração de lucro das firmas. O mundo ainda estava se recuperando do estouro da bolha em 2001, quando houve os ataques de 11 de setembro. A confiança do investidor se retraiu ainda mais, e os efeitos na economia real já eram sentidos. Como sempre se faz em tempos de crise, as taxas de juros foram fortemente reduzidas.

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Prometeu desacorrentado (Landes) x Chutando a escada (Chang)

Trabalho apresentado à FEA-USP, durante a disciplina EAE111 – Introdução à economia II para não-economistas

Prometeu desacorrentado, David Landes, Ed. Campus x Chutando a escada, Ha-Joon Chang. Ed. Unesp.

A diferença entre os textos, além do formal, é também uma amostra do confronto entre um pensamento ocidental e um oriental. Logo de início, Landes exalta a Continuar lendo Prometeu desacorrentado (Landes) x Chutando a escada (Chang)

Gabriel Bolaffi: “Urban Planning in Brazil"

Gabriel Bolaffi “Urban Planning in Brazil: past Experience, current trends” (tradução parcial – primeira parte)

Publicada em: Habitat International vol. 16, N° 2, p. 99 a 111, 1992.
Tradução de Ricardo Trevisan

(p.99) Até o golpe militar 1964 não havia uma política nacional de planejamento urbano, apenas experiências pontuais de planejamento e desenho urbano ou experiências de renovação em várias cidades brasileiras. O Rio de janeiro foi completamente redesenhado e reconstruído no início do séc. XX segundo o padrão Haussmaniano em voga na época. No caso do Rio, foi feito por várias razões inclusive dar um aspecto Europeu à capital federal, expelir as classes “infectas e perigosas” da região central da cidade e implementar medidas sanitárias contra a febre amarela.

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