Preço dos imóveis: aconteceu o que prevíamos

Diversas vezes neste blog, desde 2014, falamos sobre preços de imóveis, sempre reafirmando que em nenhum momento visualizamos queda nominal significativa nos preços. E o que aconteceu foi justamente isso: apesar da crise econômica, queda na renda, desemprego, redução na velocidade de vendas, baixa absorção e altos estoques residenciais, tirando um ou outro caso pontual, o preço dos imóveis, em termos nominais não caiu nem 5% e permanece praticamente estável desde junho de 2015.

Mas isso não significa que não tenha havido queda real – muito pelo contrário: com o IPCA flertando com a inflação de 2 dígitos ao ano, a queda do poder de compra da moeda não foi nada desprezível. Se compararmos com a queda na renda das famílias então, veremos que a queda real no valor dos imóveis está em sua plenitude. Continue lendo “Preço dos imóveis: aconteceu o que prevíamos”

Estudo da Poli confirma percepção deste blog

Estudo divulgado pelo Núcleo de Real Estate da Escola Politécnica da USP confirma duas percepções que tenho colocado neste blog:
1. Que não há indícios de bolha em nosso mercado imobiliário.
2. Que, mesmo assim, os preços de imóveis estão altos e há espaço para reduções.

O preço dos imóveis vai cair?

Ainda não ouvi falar de alguém que esteja adiando a compra de um carro na esperança de ver seu preço diminuir. E isso não vai ocorrer tão cedo por motivos óbvios: há um grande contingente de consumidores que continuarão a comprar automóveis no atual patamar de preços, há crédito facilitado, e não há por que acreditar que as montadoras reduziriam suas margens por aqui. Mas quando o produto em questão é um imóvel, há uma certa esperança de uma repentina e acentuada queda de preços, e há quem diga que esteja “esperando”. A crença vem de um histórico recente de altas inéditas nos preços imobiliários, que muita gente sonha em ver desfeita. O único fenômeno que poderia explicar a sonhada queda de preços seria o estouro de uma bolha imobiliária. Mas, para isso, precisaria haver uma. E há muitas evidências de que não estamos, pelo menos por enquanto, numa bolha. Continue lendo “O preço dos imóveis vai cair?”

A crise financeira de 2008

Os desdobramentos da crise de 2008 são sentidos até hoje em todo o mundo. Inclusive no Brasil, onde nossos raquíticos resultados de crescimento do PIB comprovam que a “marolinha” foi mais forte do que se pretendeu.

Esta história pode ser contada tomando por início o segundo mandato de Bill Clinton, ainda no ano 2000, quando a crise do momento era o estouro da bolha das “ponto-com”. As empresas de tecnologia baseadas na internet estavam em pleno crescimento, quase todas com capital tangível mínimo. Era difícil avaliar estas empresas, ninguém sabia ao certo seu potencial de criação de valor, ou de potencial geração de caixa futuro, ou valor de marca, ou qualquer outro parâmetro utilizado em outras empresas. Muitas delas cresciam com prejuízos em sequência. Para se ter uma ideia da falta de indicadores, algumas delas eram avaliadas pelo número de cliques que recebiam dos usuários. Isso criou um ambiente especulativo quando estas empresas abriram o capital, e a rápida circulação de suas ações nas mãos de investidores de curto prazo criaram uma elevação irreal de valor de mercado – uma bolha.

O estouro da bolha ocorreu em 2000, quando os investidores perceberam que o valor das negociações não eram coerentes com o potencial de geração de lucro das firmas. O mundo ainda estava se recuperando do estouro da bolha em 2001, quando houve os ataques de 11 de setembro. A confiança do investidor se retraiu ainda mais, e os efeitos na economia real já eram sentidos. Como sempre se faz em tempos de crise, as taxas de juros foram fortemente reduzidas.

Continue lendo “A crise financeira de 2008”