[e] A evolução da Escola Clássica

O século XX viu o surgimento de grandes empresas e, com elas, maior demanda por organização além do chão de fábrica. Naquele momento histórico ficou evidente a necessidade de um sistema de conhecimentos para a totalidade das operações organizacionais. Surgiram então, dentro dessas mesmas empresas, soluções para a organização interna e a profissionalização de sua administração, condições básicas para o crescimento sustentado de qualquer tipo de organização, independente de quem a administrasse. O final da década de 1920 viu o surgimento de duas importantes referências: Pierre du Pont (1870 – 1954) e Alfred Sloan (1875 – 1966).

Du Pont criou e implantou técnicas de administração, finanças e operações em duas grandes corporações: DuPont e General Motors. A primeira, fundada em 1802, cresceu rapidamente como fabricante de pólvora. Pierre assumiu sua presidência em 1915 e conduziu sua ampliação, modernização e diversificação, comprou outras empresas do mesmo ramo e expandiu negócios para a indústria química. As soluções criadas para a administração do conglomerado só precisariam ser revistas meio século depois. Ele introduziu o conceito de retorno sobre o investimento (return on investment, ROI) cuja forma de cálculo é hoje conhecida como fórmula DuPont.

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[e] De Henry Fayol a Peter Drucker

O engenheiro francês Henry Fayol publicou, em 1916, os princípios do processo administrativo:

  1. a administração é função distinta das demais funções da empresa (como operação, finanças, comercial, contabilidade, técnica, etc.)
  2. a administração compreende cinco funções: planejamento, organização, comando, coordenação e controle

Segundo Fayol, a administração é uma atividade comum a todos os empreendimentos humanos (família, negócios, governo), portanto todos deveriam estudá-la. Propôs também que a empresa é um sistema racional de regras e de autoridade com o objetivo primário de fornecer valor a seus consumidores. Seu pioneirismo reside na visão de que a administração deveria ser vista como função separada das demais funções da empresa, com maior impacto quando há separação do trabalho dos administradores das atividades operacionais. Como a separação de funções não significa obrigatoriamente a separação de pessoas, este princípio se aplicaria à prestação de serviços em organizações pequenas, como escritórios de arquitetura com reduzido número de colaboradores.

Fayol elencou dezesseis papeis dos gerentes: Continuar lendo [e] De Henry Fayol a Peter Drucker

Uma leitura do atual cenário macroeconômico

O ano de 2018, até o presente momento, apresentou instabilidades domésticas e externas relativamente incomuns. A greve de caminhoneiros, inédita em termos de escala e impactos macroeconômicos foi alimentada por fatores políticos de esvaziamento de poder, perda de representatividade e instabilidades presentes desde os protestos de 2013, e provocou importante interrupção na infraestrutura de produção e de consumo no país.

A atividade econômica retraída e baixas taxas inflacionárias no período recente contribuíram para a redução da taxa básica de juro da economia (Selic), criando um cenário de maior atratividade à tomada de crédito e investimentos. Os índices ainda baixos de confiança do consumidor e dos empresários adiam a retomada de investimentos em fatores de produção. Um primeiro movimento de inflexão na confiança foi registrado ainda no ano de 2017 em diversos setores, apontando para a entrada em nova fase do ciclo econômico (possível início da retomada da atividade econômica). Os setores em si também não se apresentam em fases semelhantes, pois alguns apresentam melhores índices que outros. Continuar lendo Uma leitura do atual cenário macroeconômico

O mito das casas sem gente – texto de Nabil Bonduki para a Folha

Caso você não saiba, sou um ferrenho defensor de posições políticas centrais. Nenhum país do mundo teve qualquer salto de desenvolvimento sob extremismos, seja de esquerda ou de direita, e atribuo a isso a falta de abertura dos radicais para aceitar ou adotar as vantagens do lado oposto (que sempre existem). Prefiro sempre os centro absoluto (tão criticados de forma ignorante no Brasil) ou centro-esquerda.

Prova de meu comprometimento com esta postura é trazer aqui para o blog o que cada posição política tem de melhor, e acabo de ver um texto que prova isso. Hoje tive contato com um texto muito lúcido e fundamental de Nabil Bonduki para o jornal Folha de São Paulo, que faço questão de aqui reproduzir para você.

Segue o texto na íntegra:

[O mito das casas sem gente – Nabil Bonduki]

Após o desabamento da torre de vidro, reapareceu uma tese que vem se tornando um mito: o déficit habitacional de 6,35 milhões de unidades seria equacionado ou atenuado se os domicílios vagos existentes no país —6,1 milhões, segundo o censo de 2010— fossem utilizados.

“Temos mais casa sem gente do que gente sem casa” é uma afirmação recorrente que vem sendo repetida por lideranças do movimento de moradia, por jornalistas e, até mesmo, por especialistas.

Essa aparente paridade entre déficit e vacância gera um bom discurso, uma crítica genérica à “especulação imobiliária” e a ilusão de que o problema habitacional poderia ser resolvido com facilidade.

Uma análise apurada, no entanto, mostra outra realidade. Parte significativa dos domicílios vagos se localiza onde não há déficit. Sem a zona rural, o número de domicílios vagos cai para 4,7 milhões. Continuar lendo O mito das casas sem gente – texto de Nabil Bonduki para a Folha

O crédito no Brasil e as Letras Imobiliárias Garantidas (LIG)

Já falamos por aqui sobre a atual tendência de profundas alterações no modelo de financiamento imobiliário brasileiro, em especial a insuficiência da dupla FGTS e SBPE como fontes de financiamento e a necessidade de funding alternativo. O momento, não por acaso, coincide com o amadurecimento de nosso mercado de capitais e redução na taxa básica de juro da economia (taxa Selic). Este cenário é propício para a criação de novos instrumentos financeiros (em geral, títulos) lastreados no mercado imobiliário, um método amplamente utilizado em todo o mundo para o financiamento do crédito imobiliário. Continuar lendo O crédito no Brasil e as Letras Imobiliárias Garantidas (LIG)