Uma leitura do atual cenário macroeconômico


O ano de 2018, até o presente momento, apresentou instabilidades domésticas e externas relativamente incomuns. A greve de caminhoneiros, inédita em termos de escala e impactos macroeconômicos foi alimentada por fatores políticos de esvaziamento de poder, perda de representatividade e instabilidades presentes desde os protestos de 2013, e provocou importante interrupção na infraestrutura de produção e de consumo no país.

A atividade econômica retraída e baixas taxas inflacionárias no período recente contribuíram para a redução da taxa básica de juro da economia (Selic), criando um cenário de maior atratividade à tomada de crédito e investimentos. Os índices ainda baixos de confiança do consumidor e dos empresários adiam a retomada de investimentos em fatores de produção. Um primeiro movimento de inflexão na confiança foi registrado ainda no ano de 2017 em diversos setores, apontando para a entrada em nova fase do ciclo econômico (possível início da retomada da atividade econômica). Os setores em si também não se apresentam em fases semelhantes, pois alguns apresentam melhores índices que outros.

Por outro lado, o mercado de capitais doméstico já teve alguma recuperação desde o pior momento do índice Ibovespa (38.000 pontos em 22 de janeiro de 2016), o qual atualmente opera por volta dos 77.000 pontos (mais de 100% de rentabilidade nominal). Índice este com valorização superior a aplicações alternativas, mas ainda abaixo de sua linha de tendência de longo prazo (seja em real ou em dólar). As baixas taxas de juros reais incentivaram o lançamento de diversos novos fundos de investimento imobiliário (FII), que se beneficiam deste cenário.

A renda fixa, cada vez menos atraente ao investidor, também sofre modificações entre seus produtos. A poupança, que já foi a aplicação financeira mais popular entre os brasileiros, sofre cada vez mais concorrência de instrumentos alternativos. A securitização, opções offshore, o tesouro direto e diversos tipos de letras apresentam-se como novas opções alternativas de renda fixa ao varejo.

O custo de oportunidade em queda nas aplicações financeiras de baixo risco também melhoram a atratividade no investimento em ações de empresas nacionais, melhorando as condições de financiamento de projetos de grande porte.

A atual política nacional desestatizante, focada no controle fiscal e monetário mais rígidos, acompanhada de uma tendência de longo prazo de queda nas taxas de juros e do amadurecimento de nosso mercado de capitais estabeleceram um cenário que favorece o financiamento de longo prazo para a infraestrutura no país. A busca da austeridade fiscal e responsabilidade monetária sinalizam um cenário positivo ao investidor deste tipo, mas a proximidade das eleições presidenciais de outubro de 2018 não permite uma leitura clara sobre a manutenção destas políticas.

No cenário externo, a iminente ameaça de conflitos armados entre Estados Unidos e Coréia do Norte desestabilizou mercados globais. Após a resolução momentânea desta tensão, conflitos comerciais entre Estados Unidos e China voltaram a retirar a confiança do consumidor. Além disso, a questão da retirada da Grã-Bretanha da União Européia (Brexit) contribui como elemento de insegurança quanto ao futuro dos mercados globais.

A elevação na taxa de juro básica dos Estados Unidos pelo Fed provocou a migração monetária para os T-Bonds, cujo efeito mais sensível foi a desvalorização de moedas menos fortes ao redor do globo. No Brasil, a desvalorização do real frente ao dólar e ao euro significa uma nova fonte de pressão inflacionária no curto prazo. Resta saber se a atividade econômica recessiva será suficiente para conter uma elevação generalizada de preços a ponto de inverter a tendência de redução na Selic. A manutenção da taxa em 6,50% ao ano desde 21 MAR 2018 mostra uma postura cautelosa do Copom, à espera dos próximos desdobramentos.

A taxa elevada de desemprego e a renda reduzida das famílias ainda limitam o consumo das famílias, apesar da redução do custo financeiro do crédito. À medida que o emprego e renda se elevarem (um primeiro movimento nesse sentido já foi iniciado), o consumo deve ser potencializado pelo crédito assim facilitado.

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