Demanda aeroportuária: introdução

Demanda por aeropportos

Este é o quarto texto da nova série sobre o setor de aeroportos. Este conjunto de textos não segue uma sequência contínua, de forma que recomendamos sempre utilizar a ferramenta “Pesquisar” no menu lateral.

O investimento em aeroportos, sejam novos, reformas ou ampliações, sempre exige volumes elevados de investimentos (capital-intensivo), o retorno só ocorre no longo prazo, e envolve uma série de riscos, sendo um dos mais relevantes a flutuação de demanda. O estudo de demanda aeroportuária é vital para todas as partes diretamente envolvidas e comprometidas com o investimento, incluindo órgãos de governo, investidores privados, reguladores e financiadores.

Conhecer a demanda é essencial para a construção de projeções futuras, as quais direcionarão os projetos de toda a infraestrutura necessária para a operação em condições que ainda não existem. Toda a negociação de contratos existentes e licitação de novos contratos públicos, sejam de concessões ou não, dependem completamente das informações de demanda. Este tipo de informação afetará tanto receitas quanto os custos e despesas futuras.

Mais recentemente, a participação de operadores de capital aberto tem crescido em relação ao total desse mercado. Isso faz com que as informações de projeção de demanda extrapolem o perímetro deste mercado, influenciando a própria precificação desse tipo de contrato em mercados de capitais.

O cálculo de demanda em aeroportos costuma ser estudada em três dimensões interdependentes: natureza do tráfego, natureza do mercado e natureza da operação.

Natureza do tráfego

Composta por passageiros, aeronaves, carga aérea e mala postal. A demanda de passageiros se divide entre (a) passageiros embarcados e desembarcados (passageiro OD), e (b) passageiros em conexão ou em trânsito, cuja principal diferença entre essas duas categorias está na utilização ou não de instalações do aeroporto para interface urbana (acesso terrestre, meio-fio, saguão, checkin etc.).

O volume de passageiros direciona o dimensionamento de acesso terrestre, estacionamento e terminal de passageiros (TPS). O tráfego de aeronaves (operações de pouso e decolagem) direciona a concepção e dimensionamento do sistema de pistas (pouso e decolagem, inclusive pistas de táxi) e pátio de aeronaves. A demanda de aeronaves direciona a concepção da torre de controle (TWR) incluindo seus sistemas, e a concepção e dimensionamento do sistema de combate a incêndio (SCI).

O volume de tráfego de carga aérea é informação de base para o dimensionamento do terminal de cargas (TECA), e é composto por volumes de frete tradicional, de carga expressa (exige instalações de processamento rápido), e de mala postal (cada vez menor).

Natureza do mercado

Sua principal classificação é entre demanda doméstica e internacional, pois esta última exige uma série de instalações (facilities) adicionais que impactam o planejamento e a operação do aeroporto: controles de imigração, alfândega, saúde dos portos, e procedimentos operacionais mais restritivos. A demanda internacional representa uma expectativa de receitas mais elevada, acompanhada de uma estrutura de custos operacionais também mais dispendiosa ao operador.

Natureza da operação

Divide-se entre operação regular e não-regular, cuja distinção é observada na previsibilidade prévia de horários de pousos e decolagens, bem como informações de suas origens e destinos. Operações regulares estão sujeitas a normas e regras sobre sua regularidade, continuidade e frequência.

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