Concessões com outorga oneram o cidadão

Temos visto, em especial nos últimos tempos, algumas concessões de serviços públicos indo a leilão nos quais gestores públicos comemoram ágios (ou superágios) e os exibem como troféus ao público, como se fossem grandes vantagens públicas. O mesmo já ocorreu diversas vezes no país também em processos de privatizações. O que falta contar – inclusive ao público – é quem paga essa conta.

Não existe mágica: para equilibrar o fluxo de caixa do investidor, só existe uma forma de entrada de recursos, constituída pelas linhas de receitas da concessão. E essas receitas só existem nas seguintes formas:

  1. Tarifas cobradas diretamente dos usuários: tarifa de metrô, pedágio em rodovia, conta de água e esgoto, etc. Nesta modalidade, o cidadão-usuário paga essa conta diretamente à concessionária;
  2. Contraprestação paga pelo poder público à concessionária. Porém, de alguma forma, o Estado precisa arrecadar recursos para tal pagamento. Portanto, seja essa origem tributária ou não, a sociedade será de alguma forma onerada para o pagamento dessa conta;
  3. Aportes públicos nos ativos concedidos, e aqui aplica-se também o comentado no item anterior;
  4. Receitas extraordinárias da concessão, que conformam uma grande miríade de possibilidades. Porém, na prática de grande parte das concessões, essas receitas são marginais no montante total de receitas periódicas da concessionária. Sem falar que alguém será onerado no pagamento dessas tarifas e, em ativos públicos, esse ônus costuma ser difuso e repassado de forma generalizada à sociedade.

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Construção sem movimento de terra

Se você está pensando em construir, deixo aqui uma dica valiosa que pode trazer uma significativa economia para a sua obra: invista num bom projeto que aproveite a topografia do terreno de forma inteligente. Com certeza você já ouviu isso, eu sei, mas estou repetindo mais uma vez porque tenho visto que poucos proprietários seguem a dica. O resultado é que acabam gastando muito mais que o necessário.

O sintoma de um projeto mal-elaborado aparece logo no início da obra: se você observar bem, vai perceber que a regra é fazer movimentos de terra de volumes desproporcionais em residências unifamiliares. Não é raro ver máquinas de terraplenagem típicas de obras grandes, como abertura de rodovias, fazendo malabarismos épicos em obras relativamente pequenas – observe que estou falando de obras pequenas para os padrões da construção civil, ainda que a casa seja grande. Isso é algo incompreensível e incompatível com a necessidade do cliente em 99% dos casos. Continuar lendo Construção sem movimento de terra

De quê o governo tem medo?

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Quando Paul Volcker emplacou com sucesso a cartilha do controle monetário no Fed, no início da década de 1980, estabeleceu um novo padrão mundial de responsabilidade fiscal e monetária. Estímulos monetários sem limites à economia, como, por exemplo, a emissão monetária pulverizada que levou à crise do Encilhamento brasileiro (1889-1891), foram riscados da caixa de ferramentas dos governos centrais em todo o planeta.

A consequência disso é que os tesouros nacionais se utilizam atualmente da negociação de títulos públicos em mercado aberto (open market) para diversas finalidades. As duas principais são: Continuar lendo De quê o governo tem medo?

A urgência da infraestrutura nacional

Quando falamos sobre infraestrutura nacional – ou melhor, sobre suas carências – parece que estamos num assunto tratado à exaustão nos últimos anos. Ou décadas. Desnecessário ficar aqui me repetindo sobre deficiências e efeitos sociais decorrentes, pois esse solo já é arado o suficiente.

O assunto aqui é um pouco diferente. Quem batalha por um país melhor preparado tem um constante incômodo: o de ter que dormir com o problema todos os dias sem que a velocidade de reversão do cenário catastrófico que vivemos seja sentida pela população. Continuar lendo A urgência da infraestrutura nacional

O que é OKR

OKR (Objectives and Key Results) é uma metodologia (framework) de otimização de planos de negócios organizacionais originada na Intel, amplamente desenvolvida pelo Google (atual Alphabet) e atualmente amplamente utilizada por grandes organizações em todo o mundo. Em outras palavras, OKR é uma metodologia de pensamento crítico e disciplina contínua.

A metodologia OKR é utilizada em vários níveis internos da organização, podendo haver diversos OKR por níveis, desde que estejam em harmonia com os objetivos organizacionais de alto nível (OKR estratégico). Assim sendo, pode haver OKR de uma equipe, área, unidade de negócios, e assim por diante. Continuar lendo O que é OKR