Um dia histórico para a FAUUSP

img_3979
Ontem, 13 de dezembro de 2016, foi um marco para a história a faculdade que me formou arquiteto e urbanista. Referência nacional de excelência em pesquisa e ensino, a instituição ainda é, infelizmente, um tanto estanque a um assunto importante e absolutamente necessário para a sobrevivência do arquiteto recém-formado: a organização de sua prática profissional numa economia de mercado. Por diversos motivos que não serão aqui tratados, qualquer menção a aproximar a atividade do arquiteto de práticas de mercado costuma ser veementemente criticada nas dependências da instituição.

Mas algo diferente ocorreu ontem. Continuar lendo Um dia histórico para a FAUUSP

O melhor ano da história

ano

Meus amigos leitores,

Hoje escrevo para agradecer a vocês pelas quase 150.000 visitas a este blog apenas em 2016 (e ainda estamos em novembro!). Certamente nossas melhores expectativas não chegavam nem perto desse grande salto em relação a todos os anos anteriores.

Chegamos ao oitavo ano de existência efetivamente consolidados como referência, tanto no Brasil quanto internacional: aproximadamente 10% dos acessos (15.000) foram originados fora do Brasil, com grande peso para os Estados Unidos e países de língua portuguesa, principalmente Portugal, Angola e Moçambique. Grande abraço a todos os irmãos de língua materna!

Continuar lendo O melhor ano da história

Brasília para arquitetos

Muito já foi escrito e estudado sobre nossa capital federal, e não apenas por nós brasileiros. Nossa cidade nova tem um lugar especial no espírito dos arquitetos brasileiros, tanto para quem a adora quanto para seus críticos. De qualquer forma, para ambos os casos vale a visita, e recomendo que não se prendam apenas aos pontos de obviedades turísticas proporcionadas pelos edifícios de Oscar Niemeyer. A materialização dos ideais urbanistas do pós-guerra europeu no cerrado brasileiro é um importante elemento que denuncia a complexidade de nossa cultura, em especial de nossa identidade nacional. Continuar lendo Brasília para arquitetos

Mapa da futura rede de Metrô de São Paulo?

 

Mapa da Rede Metrô CPTM
Mapa da Rede Metrô CPTM

Circulou pelas redes sociais, já faz algum tempo, este mapa de uma pretensa futura rede de transporte de alta capacidade para a capital paulista e arredores. Apesar de obviamente não ser um documento oficial (vide a cor da linha 19), seus autores parecem ter se baseado em informações internas do planejamento estadual. Algumas proposições têm se mostrado condizentes com o rumo que as companhias estatais estão tomando. Por exemplo, a Linha 6 – Brasilândia-São Joaquim – já está em obras (veja aqui a informação oficial) e outras propostas do mapa estão sendo anunciadas.

Porém, ele parece ser um pouco desatualizado em alguns detalhes. Por exemplo, a linha 15 foi chamada de Prata, e não Branca. Além disso, algumas propostas recentes, como a Linha 18 (São Paulo – ABC) e a Linha 20 (Lapa – Afonsina / São Bernardo do Campo) também foram omitidas.

Como ponto positivo para o usuário, as Linhas 6, 18 e 20 foram propostas como Continuar lendo Mapa da futura rede de Metrô de São Paulo?

Como fazer habitação popular sem consumir recursos públicos 

A ideia pode parecer utópica, mas já foi testada o muito utilizada com sucesso nos países nórdicos – exatamente aqueles que fizeram real justiça social e apresentam as menores desigualdades sociais do planeta. E se algum argumento da riqueza desses países surgir, saiba que isso foi feito no início do século 20, quando enfrentavam condições de miséria e guerras, um cenário muito pior que o nosso atual. Não havia recursos públicos para nada.

A execução do conceito se iniciou na Holanda, quando o partido liberal assumiu o poder. Aquele país acabava de sair de uma guerra, havia fome, desemprego, e praticamente nada de indústria. O tamanco de madeira, hoje charmoso símbolo nacional, era um calçado barato e útil nos charcos de um país construído abaixo do nível do mar. O governo se associou a organização privadas ou paraestatais e construíram um primeiro conjunto habitacional, de alta qualidade e inserido no planejamento urbano de territorialização da cidade (o que não existe no Minha Casa Minha Vida). A propriedade do imóvel continuava pública, as unidades eram alugadas a famílias carentes por um valor mínimo. Famílias muito carentes, que não pudessem arcar com o valor mínimo, pagavam um valor simbólico ainda menor.

Aí está a grande vantagem do sistema (Wöningwët): o morador não precisa pagar a parcela da propriedade, apenas o aluguel (yield do valor do imóvel). No Minha Casa Minha Vida atual, o morador paga juros (yield do saldo devedor) mais a parcela de propriedade (principal). Além disso, Continuar lendo Como fazer habitação popular sem consumir recursos públicos