Brasília para arquitetos


Muito já foi escrito e estudado sobre nossa capital federal, e não apenas por nós brasileiros. Nossa cidade nova tem um lugar especial no espírito dos arquitetos brasileiros, tanto para quem a adora quanto para seus críticos. De qualquer forma, para ambos os casos vale a visita, e recomendo que não se prendam apenas aos pontos de obviedades turísticas proporcionadas pelos edifícios de Oscar Niemeyer. A materialização dos ideais urbanistas do pós-guerra europeu no cerrado brasileiro é um importante elemento que denuncia a complexidade de nossa cultura, em especial de nossa identidade nacional.

Passear por Brasília é percorrer registros tridimensionais em larga escala de fundamentos que por um lado pretendiam um novo mundo, mas por outro não consegue se furtar de nos deixar evidências de uma época em seus múltiplos aspectos: econômicos, sociais, culturais, políticos… E a ideia de seus idealizadores, assim como de seus principais influenciadores estrangeiros, era a crença na capacidade humana de planejamento total. E há grandes riscos nessa totalização, assim como em qualquer outra. Deixar escapar aquilo que não se percebe, estar despreparado para o imponderável e a falta de flexibilidade para as futuras mudanças nas manifestações humanas são obviamente algumas delas.

O urbanista atento perceberá logo de início, ao adentrar o Plano Piloto pelas Asas Sul ou Norte, a presença de usos imprevistos nos interstícios urbanos, aquilo que escapou ao plano na prancheta ou foi deliberadamente relegado, sobrevivendo nas frestas da cidade pelas (cada vez mais) diversas necessidades humanas. São martelinhos de ouro, churrasquinhos de praça, aluguéis e lavagem de automóveis, talvez até manifestações religiosas que pouco interesse despertaria em projetistas racionalistas.

E não será necessária muita atenção para perceber o grande mérito do projeto urbano, a realização eminentemente nacional do desenho urbano modernista. A escala de um novo momento da humanidade, um momento urbano inédito, herança da aglomeração industrial do século 18 (mais que da revolução comercial europeia precedente). Uma densidade demográfica que não condena a cidade à sensação de aperto que ocorre em nossas cidades coloniais ou de surtos de urbanização provocadas por ciclos econômicos, posteriormente adaptadas às necessidades de uma sociedade em surto de industrialização e substituição de importações.

Não vou repetir aqui tudo o que você já leu e estudou sobre Brasília. Apenas recomendo fortemente que sua visita fuja das obviedades, e sua sensibilidade profissional seja provocada a perceber as sutilezas urbanas à que a nova geração de nativos brasilienses já se habituou.

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Torre de telecomunicações (Congresso Nacional ao fundo)

Não deixe de visitar a maquete de Brasília no subsolo da Praça dos Três Poderes. Um bom local para iniciar a visita à cidade e absorver o plano em sua escala real.

Maquete de Brasília na Praça dos Três Poderes

Maquete de Brasília na Praça dos Três Poderes

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Museu Nacional

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Catedral

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Catedral

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Congresso Nacional

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Palácio do Itamaraty

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Memorial JK

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Asa Sul

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Setor de Autarquias Sul

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Detalhe da Esplanada dos Ministérios

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Setor Bancário Sul

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Setor Bancário Sul

 

 

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