William Deming e o milagre japonês

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Diz a lenda que quando os aliados ocuparam o Japão, após o término da Segunda Guerra Mundial, vários oficiais estrangeiros relataram “danos profundos na rede telefônica do país”. A estes relatos, os japoneses responderam não haver danos à rede, que ela estava funcionando como antes – ou seja, de forma intermitente. A cultura do país, até então, estava calçada na crença de que sua invencibilidade bélica milenar decorria muito mais de suas tradições que de tecnologia ou preocupações com a qualidade. Uma crença que desapareceu repentinamente.

A partir de então, os japoneses fizeram o que fazem melhor: correram atrás de suas necessidades com obstinação e disciplina. O país, que naturalmente já enfrenta escassez de recursos naturais, limitações territoriais e um clima hostil, estava naquele momento física e moralmente destroçado pela guerra. Conforme seria de se esperar por sua cultura, a sociedade nipônica queria então compreender onde falharam. E receberam, a partir de 1946, especialistas em diversas áreas técnicas. Continuar lendo William Deming e o milagre japonês

Instrumentos financeiros

Continuamos agora o assunto que iniciamos em Mercado Financeiro. Os instrumentos financeiros são os ativos negociados, basicamente divididos em:

  1. Instrumentos de dívida: o devedor assume a obrigação fixa de pagamento para o credor. Portanto, a rentabililidade não flutua (daí, renda fixa). São as debêntures, notas promissórias, etc.
  2. Instrumentos de participação: o aplicador de recursos passa a participar dos resultados do negócio financiado. Como os resultados variam (flutuam), a renda acompanha (renda variável). São as ações, opções, mercados futuros, etc.
  3. Intermediários: são as debênturescom limites de remuneração mínima (floor) e máxima (caps).

Os instrumentos são emitidos e lançados ao mercado uma única vez. Quando o aplicador adquire esses instrumentos dessa forma, trata-se de mercado primário. Daí em diante, esses mesmos instrumentos passam Continuar lendo Instrumentos financeiros

Projetos de cidades são de longo prazo

Cidades são planejadas e executadas em prazos longos. O normal é realizar projetos urbanos em pelo menos um ano de maturação (e isso para um projeto pequeno). Portanto, qualquer projeto um pouco mais relevante, que realmente seja sentido por uma parcela notável da população, como o redesenho de um trecho urbano, levará vários anos desde sua concepção inicial até seus efeitos serem sentidos pela população, passando pela ineficiência, burocracia e inchaço do governo brasileiro, pela estruturação de um “apadrinhamento” político interno do executivo, o convencimento (e articulação política) do legislativo, o aval do chefe do executivo e, finalmente, a destinação de verbas para sua real concretização.

Ou seja, os prazos de realização de efetivos benefícios, no caso das cidades, não correspondem aos prazos dos interesses políticos de nossos governantes. Não se realiza quase nada em quatro anos, e muito pouco em oito. E, não, a solução não é ampliar  os mandatos deles. A solução passa pela Continuar lendo Projetos de cidades são de longo prazo