Sobre cuidado 

Tabitha King era uma funcionária do Dunkin’ Donuts que, apesar de jovem, já tinha dois filhos. Ela e o marido mal tinham o suficiente para pagar 90 dólares de aluguel num precário apartamento e passavam por situações extremas, como não ter dinheiro para comprar remédio para a filha.

Certo dia, recolhendo o lixo, tirou as cinzas de cigarro de folhas amassadas, abriu, e viu o início de um romance batido a máquina. Depois de ler, perguntou ao marido por que tinha jogado fora. Ele não via futuro no texto, achava que ficaria longo demais para vender para as revistas de sempre. Além disso, tratava do universo feminino, que ele dizia não conhecer. Ela insistiu que ele continuasse, e se propôs a ajudar no que pudesse. E ele continuou, mais por sua esposa que por acreditar no projeto, em que trabalhava nas escassas horas vagas.

O nome dele é Stephen King, e o livro, Carrie, a estranha, teve os direitos de publicação em brochura vendidos por 400 mil dólares.

Ninguém é escritor por acaso. É um trabalho solitário, e uma pessoa ao lado, apoiando, faz toda a diferença. Esta é uma homenagem a elas, em especial a minha esposa. Obrigado.

Meu último adeus ao Paulo

Conheci o arquiteto Paulo Bastos em circunstâncias muito diferentes da maioria das pessoas. Na época eu ainda trabalhava na prefeitura de Santo André e queria voltar à iniciativa privada, motivo pelo qual estava cursando uma segunda graduação em administração.

Conversei pessoalmente com ele em abril de 2010, numa entrevista de emprego. Seu jeito de falar, de olhar e sua visão de mundo me lembraram de imediato meu avô materno. E uma conversa rápida me trazia de volta a um mundo que eu não via há muito tempo, o da boa arquitetura, responsável e ética. Tal como a FAU ensinou.

Continuar lendo