O que é BDI?

A construção civil tem uma particularidade em relação a outras indústrias: seus clientes exigem o detalhamento do orçamento item a item, mostrando o preço de custo de cada um. E como não há quem sobreviva vendendo a preço de custo, a incidência de indiretos e as margens devem ser, de alguma forma, adicionados ao preço de custo para que o preço de venda ao cliente final apareça na própria planilha orçamentária, pois esta é também a quantificação da proposta comercial. Para resolver esse problema, foi estabelecida a prática de criar um índice único aplicado a todos os itens do orçamento, agregando a incidência de indiretos e as margens de forma global.

Há alguns problemas conceituais com o BDI. As duas últimas letras da sigla significam Despesas Indiretas, porém o BDI inclui também os Custos Indiretos (se você não conhece a diferença, veja o post anterior). Outro problema terminológico é quando afirma que inclui “impostos”, quando inclui também outros tipos de tributos. E há alguns tipos de tributos (impostos inclusive) que NÃO estão incluídos no BDI. O Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) é um exemplo. A letra B significa benefícios ou bonificação, no sentido de margem de lucro (e não no do Lucro em si, como está em sua definição).

Mas é claro que o maior problema não é o terminológico com o BDI, e sim os que trazem consequências práticas para a construtora. E calcular um índice único para toda a produção com orçamento aberto ao cliente é o maior desafio. Cada item tem características próprias criando fortes distinções e exigências da administração central entre eles. Mas o BDI, em geral, deve ser único para todo o orçamento. Portanto, para o cálculo do índice, a empresa tem que ter uma estimativa razoavelmente precisa de seus gastos e dos retornos da obra como um pacote fechado. E precisa conhecer bem suas despesas centrais a serem diluídas entre diversas obras, assim como a margem de lucro possível frente a seu mercado.

A definição do BDI (que não é necessariamente a forma como ele é efetivamente calculado pelas construtoras) é a seguinte: Continuar lendo O que é BDI?

Qual a diferença entre IPCA, IPC, IGP-M, ICV, INCC…

IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo: do IBGE (organismo do governo federal), foi criado para a correção de demonstrativos financeiros de companhias abertas (não se faz mais, esse tipo de correção foi extinto em 1996). A coleta é contínua e sistemática de variações de preços ao consumidor de famílias com renda até 40 salários mínimos. Os dados são coletados nas Regiões Metropolitanas de Belém, Recife, Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, e Brasília. São também coletados dados no município de Goiânia. Os dados são coletados entre o primeiro e o último dia do mês de referência, e a variação é divulgada entre os dias 8 e 12 do mês seguinte.

IPC – Índice de Preços ao Consumidor: da FIPE (uma fundação ligada à USP – Universidade de São Paulo), é medido na cidade de São Paulo com base num consumidor com renda entre um e vinte salários mínimos. A cesta é baseada na POF – Pesquisa de Orçamento Familiar, do IBGE, em constante atualização. A pesquisa é feita entre o primeiro e o último dia do mês de referência, e divulgada entre os dias 10 e 20 do mês seguinte. É o mais tradicional indicador do custo de vida das famílias paulistanas e um dos mais antigos do Brasil, começou a pesquisar em janeiro de 1939.

IGP-M – Índice Geral de Preços do Mercado: da Fundação Getúlio Vargas (entidade privada), foi criado para a correção de alguns títulos do Tesouro Nacional e para depósitos bancários pós-fixados com prazos acima de um ano. Depois, passou a ser utilizado para correções de contratos como aluguel e energia elétrica. É divulgado ainda no final do mês de referência porque a coleta é feita entre os dias 21 do mês anterior e o dia 20 do mês a que se refere. É composto por IPA – Índice de Preços por Atacado (60%), IPC – Índice de Preços ao Consumidor (30%) e o INCC – Índice Nacional de Custo de Construção (10%). A cada 10 dias é divulgada uma prévia parcial da variação mensal.

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Quantas Operações Urbanas cabem em São Paulo?

Parece que a prefeitura de São Paulo não entendeu muito bem o objetivo de uma Operação Urbana. Há tantas sendo previstas no município que uma grande parte do território do centro expandido estará dentro de operações urbanas! O conceito de foco num território para recuperá-lo promovendo desenvolvimento social, ambiental e econômico não funciona desse jeito. Aparentemente a prefeitura está entendendo este instrumento como uma ferramenta arrecadatória, mais uma vez sem transparência tributária para o consumidor final. Operação Urbana não é um instrumento para tributar o desenvolvedor imobiliário, é muito mais do que isso. Veja outro post deste blog que explica isso. É uma excelente oportunidade do poder público se beneficiar da mais-valia produzida pela valorização imobiliária especulativa.

Operações Urbanas em SP

Um ótimo exemplo de operação urbana é a recuperação de Continuar lendo Quantas Operações Urbanas cabem em São Paulo?

Dicas para projeto de iluminação (ou, por que bons restaurantes perdem clientes por serem escuros)

DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS NA FORMA DA LEI. CITE A FONTE.

por Ricardo Trevisan

Parece que os donos de restaurantes confundem iluminação agradável com falta de iluminação. Na tentativa de criar ambientes agradáveis, simplesmente reduzem a iluminação dos ambientes a tal ponto de ficar difícil saber o que estou realmente comendo (o que dizer então da cor do alimento…). E muitos restaurantes escolhem mal as lâmpadas e mesmo com iluminação fraca, convivem com a luz mais desagradável possível. Se o consumidor achar que o restaurante está tentando disfarçar ou esconder alguma coisa, certamente isso vai pesar muito na avaliação do estabelecimento.

O pior problema é que pouca gente sabe que existe um tipo de Continuar lendo Dicas para projeto de iluminação (ou, por que bons restaurantes perdem clientes por serem escuros)

O que é Operação Urbana?

DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS NA FORMA DA LEI. CITE A FONTE.

por Ricardo Trevisan, arquiteto e urbanista

Há uma explicação interessante sobre o que é Operação urbana no site do Prof. Dr. Csaba Deák, da FAUUSP: (…) um instrumento de intervenção de política urbana (…). Sua origem remonta às ZAC-s (Zones d’Aménagement Concerté) da França e nas experiências em São Paulo de Continuar lendo O que é Operação Urbana?