Como investir com mais segurança [proteja seu dinheiro]

Momentos de instabilidade – como o atual – tendem a levar mais pessoas físicas a buscar investimentos mais seguros. O problema é que o desconhecimento acaba prejudicando a rentabilidade de aplicações financeiras, em muitos casos sem necessidade. Algumas aplicações tradicionais (como a poupança) podem estar em momento de rentabilidade real negativa.

Um erro comum é entender todos os investimentos em renda variável como uma coisa só, e de alto risco. Não é bem assim. Existem, por exemplo, ações muito estáveis e seguras, e outras de alto risco e extremamente voláteis. De forma geral, quanto mais estável o produto da empresa, mais segura será a ação. É o caso de companhias grandes e consolidadas de energia elétrica e saneamento, entre outras.

Outro tipo de investimento de renda variável mais seguro é o fundo de investimento imobiliário (FII) do segmento logístico. Mas por que do logístico, e não outros? Porque os terminais logísticos e centros de distribuição são pouco afetados pelas crises. Todo mundo precisa continuar comendo, se vestindo, tomando remédios… e todo produto industrializado (mesmo que seja importado) passa, necessariamente, por um galpão logístico. Continuar lendo Como investir com mais segurança [proteja seu dinheiro]

Como dimensionar uma broca de concreto para fundação?

Atenção: a leitura deste texto não dispensa a consulta às normas técnicas vigentes, as quais podem ser alteradas sem prévio aviso. Toda obra deve ser projetada e acompanhada por profissional técnico habilitado, engenheiro civil ou arquiteto, com registro no CREA ou no CAU, e ART ou RRT recolhido.

As fundações em brocas escavadas de concreto são instituições nacionais. Se você não disser nada a um construtor experiente sobre como será a fundação de uma obra, na maior parte do território nacional, suporá ser em brocas escavadas e concretadas, coroadas por um bloco de concreto armado.

Apresento abaixo um método bastante prático para o dimensionamento das brocas (deixemos os blocos para outro post por enquanto), desenvolvido em 1975 por Aoki e Veloso.

Antes de adentrarmos aos cálculos, é importante ressaltar que, apesar de costumar ser escavada manualmente por trado, a broca é uma fundação profunda, ou seja, que busca uma cota de apoio de ponta mais profunda e conta com o atrito lateral em sua consideração teórica de tensões de ruptura geotécnica.

A tensão de ruptura total da broca é composta, portanto, pela soma de dois componentes: a tensão de ruptura geotécnica de ponta, e a tensão de ruptura lateral (por atrito): Continuar lendo Como dimensionar uma broca de concreto para fundação?

Docklands: origens das parcerias público-privadas em urbanizações

O final dos anos 1970 na Inglaterra foi a época das imensas áreas devolutas, ruínas de fábricas e armazéns completamente obsoletos. Muitas dessas áreas eram públicas, configurando uma situação que não iria se modificar sem iniciativas concretas. Porém, a situação fiscal dos governos locais era frágil, e havia grandes cortes nos gastos em setores aos quais essas terras haviam sido adquiridas.

Muitas delas pertenciam a corporações públicas, caso das autoridades das Docas. Estas detinham uma imensa área próxima à City de Londres, onde, em outros tempos, estivera situado o maior porto em operação do mundo – uma região conhecida como as Docklands de Londres. Disputas trabalhistas e a transferência de operações comerciais para outros portos da região acabaram com a viabilidade comercial portuária naquele local. Alguns anos mais tarde, o transporte em containers só consolidou essa ruína: as operações remanescentes foram transferidas para Tilbury, 30 milhas a jusante. Entre 1967 e 1980, todos os sistemas do porto foram desativados. A quantidade de empregados despencou de 30.000 postos no seu auge, para 2.000 trabalhadores em 1981. Continuar lendo Docklands: origens das parcerias público-privadas em urbanizações

Taxa de desconto e custo de capital para saneamento e energia: algumas notas

Setores que exigem grandes investimentos e longos prazos de maturação sempre conviverão com estes dois elementos constantes de elevação de riscos. E, aos olhos do investidor, mais riscos significam maior exigência de retornos – caso contrário, não haveria sentido em assumir os riscos do empreendimento. Assim sendo, para que haja investimento privado nesses setores, existem pelo menos duas condições básicas: um bom marco regulatório e uma taxa de retorno atraente. O segundo item, para cumprir a condição de atratividade, precisa, no mínimo, igualar o custo de capital total do empreendimento.

Existem vários métodos para esse cálculo, sendo o mais utilizado, em qualquer natureza de projeto contemporâneo, o WACC (Custo Médio Ponderado de Capital). Por este motivo, o WACC tem sido usado como referencial para investimentos em infraestrutura, pois procura retratar o investimento mínimo que viabiliza economicamente o projeto, indicando qual seria o custo de oportunidade do investidor, considerados os riscos específicos do negócio. Continuar lendo Taxa de desconto e custo de capital para saneamento e energia: algumas notas

Precificação em serviços de arquitetura e urbanismo: novo livro disponível

Olá, pessoal!

Já está disponível a nova publicação da série Gestão Arquitetônica, desta vez tratando do assunto Preços.

Decorrente de dois artigos científicos publicados recentemente por nós (assinei a autoria com os professores Dr. Gil Barros e Dra. Rosaria Ono, ambos da FAU-USP), o livro traz uma abordagem específica da precificação dos serviços prestados por arquitetos e urbanistas, traçando um paralelo que se faz urgente em relação ao que diz a literatura mais recente sobre o assunto, nas disciplinas de Empreendedorismo e Administração das Organizações. Continuar lendo Precificação em serviços de arquitetura e urbanismo: novo livro disponível