O valor do suor: mais uma lição de 2020

O que não faltou em 2020 foi história para contar no futuro. Uma pequena contribuição eu deixo aqui na forma de relato pessoal sobre o trabalho realizado neste mesmo blog. Quando, no final de março, o isolamento social tomou as proporções gerais que vimos, dois cenários possíveis ficaram claros para quem produz material para a internet:

  1. Hipótese 1: as pessoas isoladas em suas casas, com menor tempo consumido por deslocamentos físicos, acessariam mais a internet, e o tráfego aumentaria;
  2. Hipótese 2: a inevitável crise econômica reduziria o interesse por conteúdo técnico ou especializado, e o tráfego diminuiria.

O que se seguiu nas semanas seguintes confirmava a primeira hipótese: em maio, os números de tráfego superava qualquer expectativa que pudéssemos antever no início do ano, batendo recordes diários. Naquele momento, parecia que poderíamos fazer muito pelas pessoas em isolamento, e talvez (imaginei) poderíamos até eventualmente ajudar alguém a manter sua renda na pandemia.

Mas essa ilusão não durou muito: a segunda quinzena de julho já mostrava tráfego similar ao do ano anterior. Quando entramos em agosto, o tráfego despencou a níveis que tínhamos em 2015.

A hipótese da crise se escancarava.

Foi quando me coloquei um objetivo para o fechamento do ano: lutar, com tudo o que havia à disposição, para salvar o ano. Isso significava superar o tráfego de 2019, e só seria conseguido produzindo muito material e com alta qualidade. E trabalhei nisso imediatamente, como os leitores frequentes devem ter percebido: trouxe novas referências bibliográficas, procurei aprofundar o conteúdo, e diversas semanas viram duas ou mais publicações pelo blog.

Mas os números não reagiam. Continuávamos com o tráfego de 2015. Era preciso fazer mais. Continuei neste ritmo até outubro. E nada. Os números continuavam baixos.

Em novembro, com a possibilidade de me dedicar mais ao blog, produzi a maior quantidade de publicações num único mês desde 2009. Foram textos em que busquei bases em artigos científicos, trouxe novos livros ao conhecimento do leitor, usei todo o material que eu tinha pré-preparado e disponibilizei tudo o que podia. Era a última tentativa possível de obter uma média superior a 2019.

E o tráfego não reagia. Continuávamos levemente abaixo do patamar de 2019 no resultado semanal. O pior era que o mês seguinte, dezembro, além de ser o último período do ano, é o mês em que tradicionalmente há uma queda. Isso sempre acontece, é uma sazonalidade natural da internet. Uma época em que as pessoas, em época de festas e férias, acessa menos a conteúdos técnicos e especializados.

E havíamos consumido quase todas as nossas forças em novembro. Mas não desanimei, e preparei, com o maior esmero possível, o material de dezembro, as últimas publicações do ano. Naquele momento, só restava torcer. Não havia mais tempo hábil de produzir o material com a qualidade que eu queria.

Adentramos o mês de dezembro esperando por quanto viria a ser a redução sazonal do final do ano, e avaliar o impacto.

Então, o impensável aconteceu: não houve a queda sazonal de dezembro. A hipótese 1 estava de volta. Estava mantido o tráfego de novembro nas duas primeiras semanas. Minhas projeções mostravam que, na melhor das hipóteses, fecharíamos o ano pouco abaixo dos níveis de 2019. Ainda consegui produzir mais um texto final antes do fechamento do ano (“O que é ESA?”).

Uma coisa inacreditável aconteceu no finalzinho do ano. Não foi nos últimos dias, mas nas últimas horas do dia 31 de dezembro: conseguimos bater os números de 2019 por poucas centenas de acessos. Para você ter uma ideia do que isso significa, é uma quantidade de acessos que costumamos ter em duas ou três horas. Era inacreditável. O esforço tinha sido recompensado aos 48 do segundo tempo.

Essa, para mim, foi uma das maiores lições de 2020. Perseverar quando as coisas estão indo bem, é fácil. O difícil é perseverar quando tudo indica que você não vai conseguir, quando você está perdendo há tempos, e nada indica que o cenário vai mudar.

A gente nunca sabe quando o vento vai mudar. Vale a pena continuar investindo. Sempre.

2 comentários em “O valor do suor: mais uma lição de 2020”

  1. Meu caro. Seus números nunca cairão, se depender deste seu leitor aqui. Admiro muito o seu trabalho e vivi, em 2020, um desafio semelhante. Grande abraço e sucesso em 2021.

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