O que é custo de oportunidade?

Vários empreendedores utilizam a remuneração de poupança como parâmetro de custo de oportunidade, o que demonstra grande desconhecimento até conceitual sobre o tema. Custo de oportunidade é o que o investidor deixa de ganhar em outra opção por ter escolhido uma linha de investimento determinada. Exemplo: se eu compro um carrinho de cachorro quente, deixo de comprar um carrinho de pipoca, este é meu custo de oportunidade. Repare que são investimentos parecidos e com níveis de risco e liquidez semelhantes. Portanto, um investimento imobiliário, por exemplo, jamais teria a remuneração de poupança como custo de oportunidade, porque não possui nível de risco, nem de liquidez, semelhantes.

O risco, para as finanças, é variância. Ou seja, é o quão imprevisível será. Continuar lendo O que é custo de oportunidade?

A crise financeira de 2008

Os desdobramentos da crise de 2008 são sentidos até hoje em todo o mundo. Inclusive no Brasil, onde nossos raquíticos resultados de crescimento do PIB comprovam que a “marolinha” foi mais forte do que se pretendeu.

Esta história pode ser contada tomando por início o segundo mandato de Bill Clinton, ainda no ano 2000, quando a crise do momento era o estouro da bolha das “ponto-com”. As empresas de tecnologia baseadas na internet estavam em pleno crescimento, quase todas com capital tangível mínimo. Era difícil avaliar estas empresas, ninguém sabia ao certo seu potencial de criação de valor, ou de potencial geração de caixa futuro, ou valor de marca, ou qualquer outro parâmetro utilizado em outras empresas. Muitas delas cresciam com prejuízos em sequência. Para se ter uma ideia da falta de indicadores, algumas delas eram avaliadas pelo número de cliques que recebiam dos usuários. Isso criou um ambiente especulativo quando estas empresas abriram o capital, e a rápida circulação de suas ações nas mãos de investidores de curto prazo criaram uma elevação irreal de valor de mercado – uma bolha.

O estouro da bolha ocorreu em 2000, quando os investidores perceberam que o valor das negociações não eram coerentes com o potencial de geração de lucro das firmas. O mundo ainda estava se recuperando do estouro da bolha em 2001, quando houve os ataques de 11 de setembro. A confiança do investidor se retraiu ainda mais, e os efeitos na economia real já eram sentidos. Como sempre se faz em tempos de crise, as taxas de juros foram fortemente reduzidas.

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Avaliação de investimentos imobiliários (pequeno investidor)

por Ricardo Trevisan

Fui procurado algumas vezes por pessoas querendo fazer pequenos investimentos imobiliários (em geral para construir casas, pequenos conjuntos de casas, sobrados geminados, etc. para vender). Procuravam-me para avaliar o projeto físico (arquitetura) algumas vezes e, em outras, para avaliar o projeto financeiro do investimento. Alguns até haviam tido contato com profissionais de prospecção e avaliação de investimentos de grandes incorporadoras, mas mesmo estes mostravam cálculos e avaliações financeiras assutadoramente desastrosas e incorretas.

Publiquei neste mesmo blog um post sobre os riscos de se usar apenas a Taxa Interna de Retorno (TIR) para avaliações de investimento, usando uma comparação simples com um VPL (Valor Presente Líquido) simples. Naquele momento apresentei os dados de um artigo científico que descrevia os riscos da TIR por considerar que os fluxos de caixa positivos podem ser reinvestidos à mesma taxa (a própria TIR), o que não é verdade.

Mas ultimamente tenho visto erros mais primários, como planilhas que simplesmente ignoram a passagem do tempo. Vários estudos que vi apresentam o valor do dinheiro no tempo e a inflação sumariamente ignorados, e uma avaliação de simples subtração do tipo receitas menos custos e despesas.

O resultado disso é previsível, pois o investimento imobiliário tem duas características que deveriam levar a cuidados especiais: o alto volume de investimento (mesmo para pequenos empreendimentos) e o longo tempo do ciclo de produção.

Uma análise correta de investimento imobiliário deveria considerar alguns indicadores mais adequados, os riscos, a sensibilidade do investimento e a questão da passagem do tempo (a qual incluo no item risco). Quando publiquei o post sobre a TIR, mostrei que o VPL corrige o problema da taxa de reinvestimento, mas também tem seus problemas. O principal deles é que o VPL sozinho não mostra a relação que guarda com o investimento inicial. Uma forma simples de fazer isso é mostrar a relação que o VPL tem com o investimento (I), que algumas pessoas chamam (incorretamente, a meu ver) de lucratividade.

Também acho que a TIR-M (que inclui a taxa de reinvestimento) é bem adequada para a análise. Aliás, eu faria a análise com o maior número possível de indicadores, inclusive por payback descontado, mesmo para um empreendimento pequeno. A questão é saber escolher a taxa de comparação mais adequada. Eu prefiro usar uma taxa livre de risco, para depois incluir este elemento na conta. Essa separação ajuda a visualizar o que é risco e o que é taxa do custo financeiro.

É preciso fazer também uma análise de sensibilidade de cenários, pois num período longo de operação (caso da construção civil), é essencial estudar as variações do ambiente e seus impactos no projeto, o que pode ser feito com uma simulação de Monte Carlo a partir de dados públicos de mercado, como os relatórios do Banco Central.

Acredito que com essas dicas é possível fazer uma boa análise com rapidez e baixo custo.

Saiba mais:

Estudo de viabilidade econômico-financeira de empreendimentos imobiliários

Definição de incorporadora

Definição de incorporação imobiliária: art. 28, parágrafo único da Lei nº 4.591/64

Incorporação imobiliária é a atividade exercida com o intuito de promover e realizar a construção, para alienação total ou parcial, de edificações ou conjunto de edificações compostas de unidades autônomas.

Saiba mais:

Estudo de viabilidade econômico-financeira de empreendimentos imobiliários

Concentração do mercado de incorporação imobiliária

DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS NA FORMA DA LEI. CITE A FONTE.

Por Ricardo Trevisan

Comparando os dados de market share das incorporadoras imobiliárias no Brasil nos últimos cinco anos, fica evidente a tendência à concentração de mercado neste setor (ou, como preferem alguns seguidores da estranha tradução de Michael Porter para o português, nessa “indústria”).  Este fato confirma uma tendência global de qualquer indústria à oligopolização de mercados.

No caso das incorporadoras brasileiras, devemos essa concentração a uma série de fatores que transformou esse setor nos últimos anos: o amadurecimento dos players com a abertura de capital, o investimento estrangeiro em empresas locais, os fundos de investimento imobiliário, a securitização de recebíveis imobiliários e novas oportunidades que exigem capital intensivo (num nível inédito para as incorporadoras tupiniquins).

Até algum tempo atrás acreditava-se que alguns setores nunca seriam atingidos por tendências globais como oligopolização e internacionalização. Naquela época utilizava-se o exemplo das lavanderias. A 5-a-Séc acabou com o exemplo que se acredita seguro e acima de qualquer alteração.

Será que nossas incorporadoras estão de olho nas 5-a-Séc da construção civil?

Saiba mais:

Estudo de viabilidade econômico-financeira de empreendimentos imobiliários