A cidade experimental holandesa

A Holanda esteve na vanguarda da arquitetura e do urbanismo modernos de início do século 20 em diversas vertentes. Seus objetivos de política pública já eram incomuns na virada do século, e o caráter progressista de suas propostas só se acentuou pelas décadas seguintes, incluindo a priorização de questões sociais, a construção de habitação social em escala, industrialização da construção, o planejamento de longo prazo e a gestão territorial local. Continuar lendo A cidade experimental holandesa

O que faltou perguntar sobre a Tabela de Honorários do CAU

O CAU/BR divulgou anteontem (22/08/2022) os resultados da pesquisa realizada entre profissionais sobre a Tabela de Honorários. Diversas evidências apontam para um desalinhamento entre a realidade de mercado e as recomendações de precificação do projeto de arquitetura do CAU, portanto a pesquisa é mais que bem-vinda e justificada.

Algumas dessas evidências eu tive inclusive a oportunidade de apresentar com a publicação de artigo científico sobre o assunto em parceria com professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

Entretanto, alguns aspectos da pesquisa são preocupantes quanto aos encaminhamentos que provavelmente gerarão. Apresentarei aqui apenas dois deles.

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A cidade-jardim de Ebenezer Howard

Da mesma forma que a cidade modernista “heróica”, a cidade-jardim também foi um modelo desenvolvido em resposta às questões de adensamento intenso e deficiências na salubridade habitacional urbana oitocentista.

Porém, a cidade-jardim surgiu como uma opção bastante diferente do modernismo racionalista em princípio: enquanto este último busca por uma solução nova para a construção de um futuro que se apartasse das tradições, a cidade-jardim olhará para elementos positivos do passado em busca de possibilidade de aproveitamento numa cidade que combinasse os melhores aspectos da cidade tecnológica com o que havia de bom na vida bucólica do passado.

Cidades-jardim de Ebenezer Howard
Cidades-jardim de Ebenezer Howard

Isso se traduz morfologicamente em subúrbios de baixa densidade, formados basicamente por residências unifamiliares. Apesar desse modelo de subúrbio já ser conhecido antes do modelo cidade-jardim, esse último trouxe algumas rupturas importantes em relação ao desenho urbano de baixa densidade anterior.

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A cidade do zoneamento funcional

A ideia da compartimentação funcional da cidade não era novidade per se, uma vez que Vitrúvio, Palladio e Viollet-le-Duc já haviam feito sugestões nesse sentido. Entretanto, o racionalismo modernista leva o conceito a uma escala radical num contexto de redesenho total do espaço urbano em relação aos modelos tradicionais.

Era também uma reação violenta à aproximação de usos incompatíveis na cidade oitocentista, levando o pensamento urbano da época à obsessão pela organização e distribuição de usos no solo. Seu extremo está presente da Carta de Atenas, a qual coloca as funções da cidade como elementos de base ao planejamento urbano, isolando usos em estruturas construídas distintas e bem definidas em relação à maneira como deveriam ser usadas: Continuar lendo A cidade do zoneamento funcional

A cidade do formalismo francês

Até a Segunda Guerra Mundial, a França era uma potência econômica e cultural mais influente que os Estados Unidos no mundo ocidental. Por consequência, havia em território francês intensa produção urbanística, sendo alguns dos pontos mais marcantes: Continuar lendo A cidade do formalismo francês