A cidade operacional do pós-guerra

A Segunda Guerra foi devastadora para as cidades europeias. O déficit habitacional era estratosférico no armistício, o que provocada grandes êxodos humanos – conhecemos essa realidade do outro lado deste caminho, pois o Brasil foi o destino de muitos desses refugiados.

Receosos dos rumos vindouros em decorrência desse cenário, os norte-americanos injetaram grandes volumes financeiros na reconstrução as cidades por meio do Plano Marshall. Se as experiências do início do século haviam trazido espanto pela grandiosidade e velocidade da urbanização moderna, o pós-guerra traria sentido exponencial ao assombro dos europeus.

Dresden ao final da Segunda Guerra
Dresden ao final da Segunda Guerra

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A cidade alemã de Ernst May

A Alemanha resultante da Primeira Guerra Mundial era um país em frangalhos econômicos, uma situação que só viria a ser revertida após os anos vinte. Porém, uma série de elementos a colocaram também num contexto que permitiu muitas experimentações arquitetônicas, urbanísticas e com especial destaque para as iniciativas habitacionais.

As "siedlungen" alemãs: Roemerstadt (1927) e Westhausen (1930)
As “siedlungen” alemãs: Roemerstadt (1927) e Westhausen (1930)

De fato, aquele país produziu no período unidades habitacionais em uma escala tão grande que só seria vista em muitos outros países após a Segunda Guerra Mundial. E não era apenas um feito quantitativo, uma vez que o governo alemão conjugava essa produção com o teste de novas teorias para os programas habitacionais. Os exemplos de Berlim e Frankfurt traziam à realidade diversos ideais modernistas: controle urbanístico, industrialização e racionalização da construção, produção de habitação social, entre outros. Continuar lendo A cidade alemã de Ernst May

A cidade dos CIAM

Alguns eventos do final da década de 1920 demonstraram que havia uma vontade convergente, em diversos países do mundo e entre arquitetos trabalhando isoladamente, àquilo que viríamos a conhecer como Movimento Moderno.

Evidenciadas as semelhanças nos trabalhos de muitos arquitetos modernistas de diversos países, surge então a ideia de se criar uma associação internacional que agremiasse esses profissionais. A iniciativa se concretiza em 1928, num encontro realizado no castelo de La Serraz. Esse encontro ficou marcado como a primeira reunião internacional de arquitetos modernos.

O urbanismo da Carta de Atenas
O urbanismo da Carta de Atenas

Era apenas o início de uma longa série de eventos que mais tarde viriam a ser conhecidos como Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM). Foram realizados onze congressos ao longo de mais de trinta anos – o último foi realizado em Waterloo em 1959. Todos eles deixaram importantes registros à história do urbanismo, de uma forma ou de outra. Continuar lendo A cidade dos CIAM

A cidade de Camillo Sitte

A consolidação do urbanismo enquanto campo de conhecimento fomentou o surgimento de textos teóricos em quantidade muito superior ao que vinha sendo produzido até meados do século 19.

Um dos nomes mais proeminentes dessa virada foi, curiosamente, quem olhou para o passado com uma vertente referencial um tanto nostálgica: Camillo Sitte (Construção das cidades segundo seus princípios artísticos), admirador dos traçados e volumes construídos medievais, viu nas antigas cidades medievais algo que vinha se perdendo durante a urbanização periférica na zona das antigas muralhas de Viena (o ring): a riqueza de visuais, caminhos, narrativas e surpresas do olhar ao explorar o espaço urbano durante uma simples caminhada, tal qual o faria Gordon Cullen em forma de desenhos quase um século depois. Continuar lendo A cidade de Camillo Sitte

A cidade utópica

O século 19 concentrou os problemas da industrialização em áreas urbanas repentinamente inchadas e despreparadas para o adensamento. Em questão de poucas décadas, a realidade humana se tornou mais sórdida, e seria quase impossível ao europeu da época dissociar a perda de qualidade ambiental do rápido processo de urbanização.

Num processo natural de reação, surgiram novas propostas de reformas sociais e econômicas em novas formas de comunidades, tais como os falanstérios (Owen) e familistérios (Fourier), as quais sugeriam profundas transformações sócio-culturais, muito além de ajustes físicos das formas urbanas. Era um momento de completo redesenho da organização humana à nova realidade industrial, mecanizada e exponencialmente mais ágil. Continuar lendo A cidade utópica