A cidade utópica

O século 19 concentrou os problemas da industrialização em áreas urbanas repentinamente inchadas e despreparadas para o adensamento. Em questão de poucas décadas, a realidade humana se tornou mais sórdida, e seria quase impossível ao europeu da época dissociar a perda de qualidade ambiental do rápido processo de urbanização.

Num processo natural de reação, surgiram novas propostas de reformas sociais e econômicas em novas formas de comunidades, tais como os falanstérios (Owen) e familistérios (Fourier), as quais sugeriam profundas transformações sócio-culturais, muito além de ajustes físicos das formas urbanas. Era um momento de completo redesenho da organização humana à nova realidade industrial, mecanizada e exponencialmente mais ágil. Continuar lendo A cidade utópica

Série “Desenho Urbano” começa em 4 de abril

Olá!

Tenho grande prazer em anunciar aqui a você que na próxima segunda-feira, dia 4 de abril de 2022, iniciaremos nossa mais extensa e longa série de textos sobre um assunto de foco: o desenho urbano. Neste exato momento em que escrevo, já há mais de quinze textos preparados para publicações semanais (e continuo produzindo mais), um trabalho que demandou esforço inédito de preparação neste blog em quase treze anos de existência.

Blocos habitacionais de Brasília
Blocos habitacionais de Brasília

Estou muito confiante na perspectiva de poder auxiliar muitos estudantes, profissionais, técnicos e cidadãos curiosos sobro o assunto nos próximos meses, como temos feito há mais de uma década. A aventura humana do desenho urbano é uma das histórias mais empolgantes que conheço, o que faz dessa tarefa também um grande prazer pessoal.

O próprio rótulo do tema já é objeto de debate. Derivado do inglês urban design, talvez tivesse uma tradução mais adequada como “projeto urbano”, substituindo o termo design de forma mais coerente com seu objeto epistemológico. Continuar lendo Série “Desenho Urbano” começa em 4 de abril

O esvaziamento dos centros urbanos

Segundo Flávio Villaça, o planejamento urbano no Brasil passou por quatro grandes fases entre 1875 e 1992:

  1. 1875 – 1930: Planos de embelezamento
  2. 1930 – 1965: Planos de conjunto
  3. 1965 – 1971: Planos de desenvolvimento integrado
  4. 1971 – 1992: Planos sem mapas

1930 – 1965

Período em que houve a expansão do planejamento para todo o território da cidade, ciência e técnica passaram a ser incorporados aos planos. Seus principais objetivos eram a eficiência e funcionalidade, com grande foco em saneamento e transporte. A indústria automobilística permitiu o surgimento de muitos novos bairros, e este foi um dos principais fatores contributivos para o abandono dos centros. Exemplos emblemáticos de planos deste período são o Plano de Avenidas em São Paulo (Prestes Maia) e o Plano Agache no Rio de Janeiro. O Estado Novo marcou o período com o intervencionismo estatal, a população urbana chegou a 31%, e a tendência populista buscava a facilidade para a aquisição da casa própria num sistema de vendas a crédito. Continuar lendo O esvaziamento dos centros urbanos