Vale a pena investir em ações?

O povo brasileiro ainda tem muito receio de investir em ações por desconhecer a real magnitude e natureza de seus riscos. Muitas vezes deixa de fazer esse tipo de investimento mesmo quando seria adequado a seu perfil, ou seja, aquele que aceita algum risco e não se assusta com a renda variável. Investir em ações significa investir em empresas brasileiras, ou seja, apostar no empreendedorismo e na competência de nossa nação. Ao comprar ações, o investidor ajuda a fortalecer o mercado de capitais nacional, além de transformar estes recursos em geradores de retornos diretos ao acionista, e indiretamente à sociedade na forma de empregos, atividade econômica e valor adicionado (medida que compõe o PIB nacional).

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Estudos sobre o retorno deste tipo de investimento não faltam, e quase todos demonstram um retorno muito interessante ao investidor no longo prazo, desde que não seja concentrado em apenas uma empresa ou em um portfolio de ativos altamente correlacionados entre si. Vamos separar esta análise em duas partes: risco e retorno. Continuar lendo Vale a pena investir em ações?

IPO do Facebook: bobagens ditas pela imprensa

A abertura de capital do Facebook ocorrida na semana passada me trouxe um espanto inesperado: a quantidade de bobagens ditas e escritas pela imprensa nacional. Nossos jornalistas demonstraram um inacreditável despreparo (quero acreditar nisso) ou uma grande vontade de manipular as informações (espero que não seja isso) quando lidaram com a tarefa de transmitir notícias básicas para o público não especializado no assunto.

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Uma empresa (quase) falida

O relato a seguir se passa nos Estados Unidos, em 1931. Mais detalhes podem ser obtidos no livro de Richard Tedlow New and Improved: The Story of Mass Marketing in America, New York, Basic Books, 1990.

Havia, naquela época, um comportamento inegável da Coca-Cola em comprar concorrentes que poderiam ser ameaças potenciais. Uma determinada vez apareceu uma empresa à venda, em situação desesperada. Já havia pedido falência pela segunda vez em doze anos, e um tribunal chegou a dizer que aquilo era só o resto de uma corporação. A Coca-Cola obviamente recusou, pois não era uma ameaça e não havia interesse em comprar uma empresa praticamente falida. Continuar lendo Uma empresa (quase) falida

Empresas latino-americanas – Paulo Feldmann

Responda rápido: quais montadoras de automóveis estão no Chile? Quais são as maiores cidades do Uruguai? Qual o produto mais representativo do PIB da Colômbia? Difícil, certo? A verdade é que conhecemos pouco de nossos vizinhos. Talvez seja mais fácil responder quais montadoras estão em Portugal, as maiores cidades do Japão e os produtos mais representativos do PIB italiano.

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O que Michael Porter tem a ver com planejamento urbano?

A pesquisa Origem e Destino 2007, do Metrô de São Paulo, mostra um problema que os paulistanos, em especial os urbanistas e engenheiros de tráfego conhecem bem: a extrema concentração dos empregos. Não é necessário muito esforço para perceber, pelos gráficos apresentados, que a população se desloca (e muito) todos os dias para chegar ao trabalho pela manhã e voltar para casa no fim do dia. E o pior é que esta concentração da atividade econômica gera concentração de outras atividades, pois universidades, clínicas, bares e restaurantes, entre tantos outros usos comerciais e de serviços procuram ficar próximos de onde as pessoas estão.

Concentração de domicílios - OD 2007 Metrô

Localização de empregos - OD 2007 Metrô

O resultado do fenômeno é a valorização de algumas poucas áreas da cidade em detrimento da estagnação de valores de muitas outras. Algumas tentativas são feitas no sentido de desconcentrar empregos, principalmente os especializados e de alta renda (são os que atraem o resto da cadeia produtiva para perto). Uma modalidade destas tentativas são as operações urbanas, que sempre miram a recuperação ou transformação de um trecho do território. Mas será que uma urbanização funcional e agradável e a oferta de imóveis adequados são suficientes para atrair empregos de qualidade de forma sustentada?

Talvez a melhor resposta para esta questão tenha sido encomendada por Ronald Reagan quando assumiu a presidência dos EUA pela primeira vez, no início dos anos 1980. Continuar lendo O que Michael Porter tem a ver com planejamento urbano?