Planos de negócios para escritórios de arquitetura e urbanismo [e]

Hoje farei aqui a abertura de um assunto que deve vir a tomar o espaço deste blog em uma sequência de textos nos quais falaremos sobre aspectos de planejamento e gestão dos escritórios de arquitetura e urbanismo. Fique à vontade para comentar, fazer sugestões ou solicitações, a ideia é abrir um debate tão amplo quanto possível sobre estas que (segundo os próprios arquitetos titulares dos escritórios brasileiros) são grandes dificuldades enfrentadas diariamente no espaço de trabalho dos arquitetos por excelência.

Ao longo dos anos de 2018 a 2020, foi realizada uma pesquisa no âmbito do curso de pós-graduação em arquitetura e urbanismo da FAU-USP (primeira publicidade dada aos resultados em 17/12/2020, na defesa de tese) sobre os desafios e aspectos críticos para a construção de planos de negócios para escritórios de arquitetura e urbanismo. Há muito o que comentar sobre esse estudo, que nos alimentou com um volume muito grande de informações, e pretendemos divulgar o máximo possível, de forma organizada a partir de agora, de diversas formas: através de organizações profissionais de classe, publicação de artigos científicos, por este blog, e assim por diante. Fique à vontade para sugerir que assunto você gostaria que fosse abordado primeiro – e para isso também escrevo hoje, abrindo o espaço de comentários abaixo para suas sugestões. Continuar lendo Planos de negócios para escritórios de arquitetura e urbanismo [e]

Os erros da China (antes do boom econômico)

 

Quem olha para a pujança econômica da China super-industrializada de hoje, após a entrada do país na Organização Mundial do Comércio, pode se esquecer dos erros cometidos ao longo dos anos 1970 e 1980. Mas essa é uma observação pertinente – e importante, pois estabelece o cenário doméstico (e em países vizinhos) para o que viria a acontecer nas décadas seguintes.

Em 1949, quando da revolução comunista, a China apresentava um padrão de desenvolvimento extremamente desequilibrado: 90% da infraestrutura industrial do país concentrava-se em aproximadamente 100 “portos abertos”. Quase 20% estava apenas em Shangai. Essas cidades estavam sob controle estrangeiro, a ponto dos chineses serem tratados como forasteiros. Um parque de Shangai chegou ao extremo de fixar um aviso que proibia a entrada de cachorros e chineses.

A consequência disso foi uma postura extremamente antiurbana por parte dos novos dirigentes comunistas, os quais levantaram a bandeira da revolução no campo, acreditando que ali residiam os valores mais genuinamente chineses não corrompidos. Além disso, os primeiros anos após a revolução foram marcados por intenso êxodo rural, a as cidades estavam completamente despreparadas para receber essa população migratória.

Numa tentativa de reverter este fluxo, o governo chinês da época colocou como meta a industrialização do campo. Essa política ficou famosa como hsan chan xia xiang (“a juventude instruída ruma para as montanhas e para o campo”). Assim, o governo despachou milhões de jovens recém-graduados para áreas rurais, com a missão de formar uma liderança de promoção do desenvolvimento. Continuar lendo Os erros da China (antes do boom econômico)

Minha Casa Minha Vida e a falência do transporte público

Os programas habitacionais nacionais invariavelmente levaram (e continuam levando) habitação social para além dos confins da periferia urbana. O programa Minha Casa Minha Vida mantém essa tradição. Um dos problemas que essa política traz é dificultar ainda mais a solução de mobilidade urbana, obrigando o maior contingente de mão de obra a se deslocar por grandes distâncias.
Muitos novos empreendimentos estão surgindo onde havia, até meses atrás, áreas verdes além dos extremos da mancha urbana. Essas implantações aumentam a ilha de calor, ampliam o aquecimento global, impermeabilizam ainda mais o solo, aumentam os problemas de inundações urbanas em chuvas de verão. Isso sem falar que Continuar lendo Minha Casa Minha Vida e a falência do transporte público

A economia não vai tão bem assim…

Aparentemente, nossa economia vai bem. A inflação está sob controle há 18 anos. Há ascensão social na base da pirâmide. O desemprego está num dos níveis mais baixos de nossa história. O Brasil é mercado atraente para empresas estrangeiras e internacionaliza suas próprias empresas. Tudo vai bem. Aparentemente.

Mas na vida real, o brasileiro já percebeu que seu salário maior também foi acompanhado de elevação de preços, principalmente em setores de competitividade geograficamente limitada, como algumas modalidades de prestação de serviços.  E que não para por aí, vendo índices oficiais de inflação (como o IPCA) insistentemente acima da meta colocada pelo próprio governo.

Percebeu que os estrangeiros que investem aqui (a) fogem de mercados em colapso, como o europeu, e (b) já não investem tanto no Brasil quanto no México e no Chile (citando apenas nossos concorrentes mais próximos). Continuar lendo A economia não vai tão bem assim…

IPO do Facebook: bobagens ditas pela imprensa

A abertura de capital do Facebook ocorrida na semana passada me trouxe um espanto inesperado: a quantidade de bobagens ditas e escritas pela imprensa nacional. Nossos jornalistas demonstraram um inacreditável despreparo (quero acreditar nisso) ou uma grande vontade de manipular as informações (espero que não seja isso) quando lidaram com a tarefa de transmitir notícias básicas para o público não especializado no assunto.

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