Vale a pena investir em ações?


O povo brasileiro ainda tem muito receio de investir em ações por desconhecer a real magnitude e natureza de seus riscos. Muitas vezes deixa de fazer esse tipo de investimento mesmo quando seria adequado a seu perfil, ou seja, aquele que aceita algum risco e não se assusta com a renda variável. Investir em ações significa investir em empresas brasileiras, ou seja, apostar no empreendedorismo e na competência de nossa nação. Ao comprar ações, o investidor ajuda a fortalecer o mercado de capitais nacional, além de transformar estes recursos em geradores de retornos diretos ao acionista, e indiretamente à sociedade na forma de empregos, atividade econômica e valor adicionado (medida que compõe o PIB nacional).

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Estudos sobre o retorno deste tipo de investimento não faltam, e quase todos demonstram um retorno muito interessante ao investidor no longo prazo, desde que não seja concentrado em apenas uma empresa ou em um portfolio de ativos altamente correlacionados entre si. Vamos separar esta análise em duas partes: risco e retorno.

Risco

Existem dois tipos de riscos. Um deles é definido pelo contexto geral, pelo ambiente em que a empresa está inserida. Se há uma crise financeira internacional como a de 2008, uma grande catástrofe, algum fato que mude a confiança do investidor em todo o mercado, não há como escapar, o que pode ser feito é apenas minimizar seus efeitos sobre o patrimônio migrando para ativos mais seguros. Este risco não se minimiza com a diversificação da carteira, é não-diversificável, chamado também de risco sistemático (lembre-se de que num momento de crise os índices de mercado estão em baixa, portanto estão baratos, podem ser bons momentos para a compra).

O outro tipo de risco é dado pelo conjunto de características específicas da empresa, como seus processos, seu investimento em imobilizado produtivo, seu perfil de endividamento (estrutura de capital), o mercado em que atua, a força de suas marcas, etc. Portanto, se o investidor dividir suas aplicações em ações de diversas empresas cujos retornos tenham correlação negativa entre si, este risco pode ser minimizado (teoricamente falando, pode até ser zerado). Ou seja, é um risco diversificável, não-sistemático. Portanto, se o investidor compra uma carteira com muitos tipos diferentes de ações, este risco tende a ser minimizado. A carteira de mercado mais conhecida no Brasil é um índice composto pelos principais papéis negociados na Bovespa, que por enquanto ainda é a única bolsa de valores no Brasil, chamado Ibovespa. Este índice, cuja carteira é renovada a cada quatro meses, representa mais de 80% do número de negócios e do volume financeiro verificados no mercado à vista da Bovespa. Aplicar neste tipo de índice reduz muito o risco diversificável, e pode ser comprado na bolsa em forma de ETF (fundo de índice).

Retorno

Investidores experientes ou profissionais conseguem trabalhar seus investimentos em prazos muito curtos, às vezes comprando e vendendo no mesmo dia (daytrade), mas este comportamento não é indicado para o investidor comum. Primeiro, porque tem mais dificuldade em prever o comportamento do mercado em prazos pequenos, e segundo, porque tem menor tolerância e disponibilidade para perdas eventuais. Este mercado pode ser extremamente volátil no curto prazo.

Porém, no longo prazo a história é diferente. Quando se faz comparativos de rentabilidade em prazos alongados, como vários anos ou décadas, o investimento em ações costuma ser melhor que investimentos em câmbio, poupança, renda fixa e títulos públicos. Isso se verifica tanto no Brasil como no exterior. E faz sentido, por um motivo simples: trata-se do retorno de quem investiu em seu próprio empreendimento (capital próprio), portanto a expectativa de retorno tem um patamar mínimo acima de outros investimentos citados. Se esse patamar mínimo não é atingido durante muito tempo, a empresa passa por pelo menos um das seguintes processos:

  1. sofre mudanças em sua gestão e passa a atingir o resultado esperado;
  2. se enfraquece no mercado e deixa de compor o Ibovespa;
  3. é vendida para outra empresa maior, e deixa de compor diretamente o Ibovespa;
  4. encerra suas atividades e deixa de compor o Ibovespa.

Repare que quem investe diretamente em uma única empresa corre estes riscos (diversificáveis), mas quem investe num portfolio mais amplo (como o Ibovespa), tem este risco minimizado. E como o índice tem seus componentes atualizados periodicamente, a tendência é que ele tenha predominância das empresas com melhor retorno ao acionista.

Ou seja, um investimento de longo prazo (mais de cinco anos, por exemplo) em uma carteira diversificada e constantemente atualizada (como a do Ibovespa, por exemplo) tem grandes chances de obter retorno superior ao de outros investimentos que as pessoas físicas costumam fazer, como poupança, fundos de renda fixa, títulos do tesouro nacional, câmbio, etc.

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