Calculadora do cidadão

O Banco Central do Brasil (Bacen) disponibilizou uma interessante ferramenta para atualização monetária, utilizando diversos índices de preços e de remuneração do capital. Vale a pena consultar:

Calculadora do cidadão

https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/exibirFormCorrecaoValores.do?method=exibirFormCorrecaoValores&aba=1

 

 

 

 

XIX Cobreap 2017: cenários econômicos

(23/08/17) Estive em Foz do Iguaçu acompanhando o XIX Congresso Brasileiro de Engenharia de Avaliações e Perícias – Cobreap. E, como sempre, vou compartilhar com você os melhores momentos que pude observar.

Hoje vou falar especificamente da primeira palestra, ministrada pelo Arq. Mauro Gomes (SOBREA, IBAPE/RJ, mestre em economia UCAM). Ao contrário do que ocorreu no congresso da UPAV no ano passado (veja aqui), esta abertura não se aprofundou muito nos fundamentos macroeconômicos, preferiu fazer uma (não menos importante) revisão teórica pincelando um ou outro ponto do contexto atual.

Partindo do elevado déficit fiscal brasileiro, Gomes fez uma revisão de Hyman Minsky (ciclos de contração e expansão), um dos pais do estudo das crises sistêmicas. É de Minsky o conceito de ciclo de negócios (origem teórica do comportamento cíclico da economia, meados do século XIX). O pressuposto dessa linha teórica é o de que a economia capitalista move-se segundo um padrão estruturado. A variação em si não é uma crise (trata-se da flutuação natural onde mora parte do risco). Seguindo essa corrente, as crises econômicas não podem ser evitadas, apenas prevenidas. Continue lendo “XIX Cobreap 2017: cenários econômicos”

Retrospectiva da crise 2014-2016

A crise política virou crise econômica, que depois virou crise política de novo. Mas ficou meio esquecido que a origem disso tudo está nas políticas fiscal e monetária do governo na última década. A leniência com o desequilíbrio fiscal e a intervenção pesada do planalto no Bacen forçou a Selic meta artificialmente para baixo. Explico: quando um país não fecha suas contas no azul, o investidor pede um prêmio maior pelo risco (o risco-país). Desequilíbrios nas contas públicas ampliaram este risco, o que deveria elevar a Selic – mas ocorreu o contrário por intervenção política. Em países de nível educacional elevado, seria uma ação sumariamente condenada pela opinião pública. Mas não no Brasil da ignorância econômica. Nesta terra de consumo, o crédito fácil era comemorado, e o governo ficava livre para se endividar ainda mais.

Quem observou direito o cenário percebeu que a conta que não fechava não se sustentaria por muito tempo – em algum momento o orçamento do governo seria pressionado. E quem faz investimentos tem este tipo de percepção. O crescimento baseado no consumo é voo de galinha, logo cai. E a queda na poupança agregada ajudou a frear os investimentos. Produzindo pouco, o país ficava mais pobre em silêncio, enquanto as massas continuavam enfeitiçadas pelo consumo sem lastro. Aumentaram as dívidas das famílias, e o risco aumentava mais. Continue lendo “Retrospectiva da crise 2014-2016”

A redução do compulsório e o mercado imobiliário

Todo Banco Central que se preze limita a alavancagem bancária (volume de recursos de terceiros em relação aos recursos próprios). A limitação é feita com diversos instrumentos que servem também à política monetária, porque os bancos são multiplicadores de moeda na economia. Um desses instrumentos é aplicado ao seu rico dinheirinho que sobrou na poupança (e não me diga que você não está aproveitando os belos retornos de LCI e Tesouro com risco inferior ao da poupança…).

Funciona assim: o governo exige que uma parte dos depósitos em poupança fique bloqueado na conta movimento do banco no Bacen. O resto, o banco pode emprestar e ganhar o seu lucro na diferença, o spread. Esse bloqueio é chamado depósito compulsório, e reduz a multiplicação da moeda pelo sistema bancário. O que sobra, pode ser Continue lendo “A redução do compulsório e o mercado imobiliário”

Por que a inflação voltou?

Inflação é um bichinho esquisito, que se alimenta dele mesmo. E não é uma coisa só. A inflação brasileira, por tradição, nasce de desajustes monetários e fiscais do governo. Depois ganha uns impulsos quando nossa moeda se desvaloriza (inflação cambial), quando os custos de insumos básicos sobem por queda na oferta (inflação de custos). Além disso, muitos ofertantes precisam decidir preços com antecedência, e projetam o cenário futuro a partir do histórico disponível. Em outras palavras, se os preços vinham subindo, a formação de preços considera que continuarão subindo no próximo período, e ajusta seus preços para cima. E este movimento dá novo impulso à inflação e a torna permanente (inflação inercial). O governo deve, para evitar que tudo isso comece, controlar rigorosamente seus gastos e suas emissões monetárias. Quanto mais moeda há na economia, mais inflação aparece. É por isso que o Plano Real só deu certo e se consolidou com a Lei de Responsabilidade Fiscal em vigor.

Mas, nos últimos anos, nosso governo deixou de lado estas premissas, relaxou o controle monetário e fiscal e “maquiou” sua própria contabilidade para cumprir com suas metas fiscais “oficiais”, enquanto inundava o mercado com mais moeda em busca de crescimento econômico. O Brasil cresce muito pouco atualmente, perde para quase todos os países da América do Sul (Peru e Colômbia ganham de goleada de nós) e perde para os demais BRICS. Algumas vezes, o que freia o crescimento de um país é falta de moeda, e a solução é colocar mais moeda no mercado. Não foi o nosso caso. Mesmo com mais moeda em circulação, a economia não andou. E a inflação apareceu, ameaçando trazer ao Brasil um dos piores cenários econômicos possíveis, a estagflação (estagnação econômica + inflação).

Continue lendo “Por que a inflação voltou?”

A inflação está voltando…

Notícia do jornal O Estado de S. Paulo de ontem:

A alta dos alimentos não é fenômeno isolado e passageiro. Segundo alguns economistas, a pressão inflacionária está se espalhando e atingindo um número cada vez maior de produtos e serviços. Como a economia voltou a crescer, aumentou o risco de que a inflação suba de patamar ou fique em um nível elevado por muito tempo – mesmo se os preços dos alimentos caírem.

Quanto tempo teremos que esperar para o BC perceber que está indo na direção errada?