XIX Cobreap 2017: cenários econômicos

(23/08/17) Estive em Foz do Iguaçu acompanhando o XIX Congresso Brasileiro de Engenharia de Avaliações e Perícias – Cobreap. E, como sempre, vou compartilhar com você os melhores momentos que pude observar.

Hoje vou falar especificamente da primeira palestra, ministrada pelo Arq. Mauro Gomes (SOBREA, IBAPE/RJ, mestre em economia UCAM). Ao contrário do que ocorreu no congresso da UPAV no ano passado (veja aqui), esta abertura não se aprofundou muito nos fundamentos macroeconômicos, preferiu fazer uma (não menos importante) revisão teórica pincelando um ou outro ponto do contexto atual.

Partindo do elevado déficit fiscal brasileiro, Gomes fez uma revisão de Hyman Minsky (ciclos de contração e expansão), um dos pais do estudo das crises sistêmicas. É de Minsky o conceito de ciclo de negócios (origem teórica do comportamento cíclico da economia, meados do século XIX). O pressuposto dessa linha teórica é o de que a economia capitalista move-se segundo um padrão estruturado. A variação em si não é uma crise (trata-se da flutuação natural onde mora parte do risco). Seguindo essa corrente, as crises econômicas não podem ser evitadas, apenas prevenidas. Continue lendo “XIX Cobreap 2017: cenários econômicos”

Proteja seu dinheiro: coloque o cinto

A ZeroHedge fez uma análise da crise do Dow Jones em 1937, em decorrência do New Deal (em amarelo).

Em 2008, os bancos centrais assumiram dívidas para garantir que Ensaio sobre a cegueira continue sendo uma obra de ficção. O que veio a seguir (linha verde, S&P 500), até hoje, repete com impressionante semelhança os anos 1930.

Ao que tudo indica, é hora de correr para a segurança: Tesouro Direto, CDI, LCI. Alguém falou poupança? Segurança sim, mas com o mínimo de perdas, por favor. Nada de poupança.

E isso me lembra muito Iron Maiden…

Run to the hill

Run for your life…

Por que a inflação voltou?

Inflação é um bichinho esquisito, que se alimenta dele mesmo. E não é uma coisa só. A inflação brasileira, por tradição, nasce de desajustes monetários e fiscais do governo. Depois ganha uns impulsos quando nossa moeda se desvaloriza (inflação cambial), quando os custos de insumos básicos sobem por queda na oferta (inflação de custos). Além disso, muitos ofertantes precisam decidir preços com antecedência, e projetam o cenário futuro a partir do histórico disponível. Em outras palavras, se os preços vinham subindo, a formação de preços considera que continuarão subindo no próximo período, e ajusta seus preços para cima. E este movimento dá novo impulso à inflação e a torna permanente (inflação inercial). O governo deve, para evitar que tudo isso comece, controlar rigorosamente seus gastos e suas emissões monetárias. Quanto mais moeda há na economia, mais inflação aparece. É por isso que o Plano Real só deu certo e se consolidou com a Lei de Responsabilidade Fiscal em vigor.

Mas, nos últimos anos, nosso governo deixou de lado estas premissas, relaxou o controle monetário e fiscal e “maquiou” sua própria contabilidade para cumprir com suas metas fiscais “oficiais”, enquanto inundava o mercado com mais moeda em busca de crescimento econômico. O Brasil cresce muito pouco atualmente, perde para quase todos os países da América do Sul (Peru e Colômbia ganham de goleada de nós) e perde para os demais BRICS. Algumas vezes, o que freia o crescimento de um país é falta de moeda, e a solução é colocar mais moeda no mercado. Não foi o nosso caso. Mesmo com mais moeda em circulação, a economia não andou. E a inflação apareceu, ameaçando trazer ao Brasil um dos piores cenários econômicos possíveis, a estagflação (estagnação econômica + inflação).

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A inflação está voltando…

Notícia do jornal O Estado de S. Paulo de ontem:

A alta dos alimentos não é fenômeno isolado e passageiro. Segundo alguns economistas, a pressão inflacionária está se espalhando e atingindo um número cada vez maior de produtos e serviços. Como a economia voltou a crescer, aumentou o risco de que a inflação suba de patamar ou fique em um nível elevado por muito tempo – mesmo se os preços dos alimentos caírem.

Quanto tempo teremos que esperar para o BC perceber que está indo na direção errada?