XIX Cobreap 2017: cenários econômicos


(23/08/17) Estive em Foz do Iguaçu acompanhando o XIX Congresso Brasileiro de Engenharia de Avaliações e Perícias – Cobreap. E, como sempre, vou compartilhar com você os melhores momentos que pude observar.

Hoje vou falar especificamente da primeira palestra, ministrada pelo Arq. Mauro Gomes (SOBREA, IBAPE/RJ, mestre em economia UCAM). Ao contrário do que ocorreu no congresso da UPAV no ano passado (veja aqui), esta abertura não se aprofundou muito nos fundamentos macroeconômicos, preferiu fazer uma (não menos importante) revisão teórica pincelando um ou outro ponto do contexto atual.

Partindo do elevado déficit fiscal brasileiro, Gomes fez uma revisão de Hyman Minsky (ciclos de contração e expansão), um dos pais do estudo das crises sistêmicas. É de Minsky o conceito de ciclo de negócios (origem teórica do comportamento cíclico da economia, meados do século XIX). O pressuposto dessa linha teórica é o de que a economia capitalista move-se segundo um padrão estruturado. A variação em si não é uma crise (trata-se da flutuação natural onde mora parte do risco). Seguindo essa corrente, as crises econômicas não podem ser evitadas, apenas prevenidas.

A continuidade esperada foi concretizada com uma recapitulação de Schumpeter, pai das quatro fases do ciclo econômico (boom, recessão, depressão, recuperação) e das ondas disruptivas (conhecidas hoje como ondas de Schumpeter). Este processo contínuo foi, e continua sendo verificado de fato, desde a Revolução Industrial. Entretanto, a duração de cada uma dessas ondas está ficando cada vez mais curta (a primeira durou 60 anos; a segunda, 55; a seguinte 50; depois 40; e finalmente 30 anos na última onda verificada). Além disso, o impacto econômico da cada onda tem sido cada vez mais globalizado e com maior magnitude.

A chegar neste ponto, Mauro Gomes voltou ao contexto atual em que 40% da força computacional do planeta está processando moeda virtual criptografada, como os BitCoins (criptomoeda). Neste mesmo contexto, as 3 maiores corporações mundiais estão hoje no Vale do Silício (nos anos 1990, estavam na região de Detroit) empregando menos de 150 mil trabalhadores (na década de 1990, era algo entre 1,2 e 1,4 milhões de empregados).

Após este parênteses, a palestra voltou para a teoria, desta vez no estudo de Kondratiev demonstrando as perturbações na oscilação econômica que deixam o comportamento da onda flutuante. Com este estudo, chegou à conclusão que o capitalismo se renova sempre e tende a não acabar nunca (conclusão esta que o levou à prisão soviética).

A OCDE considera que existe uma linha média de tendência de crescimento econômico ao longo da sucessão dos ciclos. Esta linha é corroborada pela análise do Ibovespa (IBOV) em dólar desde 1963. Este índice, apesar de seus inúmeros ciclos de crescimento e queda, apresenta uma valorização real ininterrupta em sua linha média (e hoje estamos abaixo dessa linha de tendência média – sugestivo?).

O Banco Central brasileiro (Bacen, ou BC) foi criado em 1964. Isso significa que, antes disso (e mesmo depois) o que imperava por aqui era o descontrole monetário. Após a crise das pontocom de 2000, os EUA inundaram o mundo de dólares, o que levou a taxa de juro real norte-americana a zero – ou até negativa, em alguns momentos (especialmente após a crise de 2008). Sem a remuneração da renda fixa, e com o consumo doméstico explodindo nos EUA, a precificação das commodities disparou (o que explica o crescimento econômico dos países emergentes e América Latina entre 2008 e 2014).

Analisando o mercado imobiliário em detalhe, Gomes encontra os seguintes ciclos econômicos:

  • 1965 – 79: crescimento
  • 1980 – 93: queda
  • 1994 – 2014: crescimento (consequência das emissões monetárias dos EUA, período em que nossos imóveis se valorizaram 238%)
  • 2015 – 16: queda

O índice FIPE/Zap de imóveis em estoque mostra picos de elevação de estoques em 1980, 1985 e 2014, prováveis momentos de dificuldade maior de comercialização (na palestra seguinte, que comentaremos aqui, Osório Gatto afirmou que uma taxa Selic nominal a 13% a.a. inviabiliza o mercado imobiliário).

Por fim, Gomes apresentou uma interessante ferramenta de análise através de indicadores ABRAINC / FIPE, em especial um Radar que fornece gráficos tipo “teia de aranha” contemplando as principais dimensões de atratividade do mercado imobiliário.

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