Poder simbólico e o mercado profissional [GA]

Escritório de arquitetura

Este texto dá continuidade aos anteriores sobre a concorrência em mercados profissionais, hoje tratando sobre o espaço de mercado no qual os grupos competem entre si em prol de seus próprios interesses. Nesse jogo, alguns grupos são mais bem-sucedidos que outros, controlam mais recursos. Este é o ponto de partida para esse tipo de análise: o reconhecimento da existência de grupos dominantes e subordinados.

Adotaremos aqui a definição bourdiana para poder: a capacidade de impor uma definição específica da realidade que seja desvantajosa para outros. O poder mais óbvio é a força física, mas é pouco usada na disputa entre grupos inclusive por ser ineficiente. Assim, esse tipo de poder é delegado ao Estado. Um segundo tipo de poder é o econômico, com suas estruturas igualmente óbvias.

Entretanto, existe uma terceira forma de poder, desta vez não tão óbvia, mais potente, eficiente e onipresente que as anteriores: o poder simbólico. Trata-se da manipulação de símbolos, conceitos, ideias e crenças para o atingimento de seus objetivos. Em seu nível mais elevado (de toda a sociedade), o poder simbólico é conhecido como “cultura”. Continuar lendo Poder simbólico e o mercado profissional [GA]

Habitus e o mercado profissional

Futuro

Este texto dá continuidade aos textos anteriores sobre a análise de mercados profissionais, desta vez apresentando o papel da experiência doutrinária e como ela se vincula à prática das estruturas dos mercados. Tal experiência também é conhecida como “habitus”, um constructo psicológico (está na cabeça das pessoas) e social (grupos de pessoas e classes profissionais o possuem em comum). Trata-se de um conjunto de disposições interiorizadas que induz a pessoa a agir e reagir de determinadas maneiras, de forma padronizada. É o produto do que a maioria das pessoas chama de “socialização”.

O elo-chave entre classe e indivíduo é a família, a responsável por transmitir o habitus da classe para a criança. O habitus gera percepções, atitudes e práticas. É também o filtro pelo qual a pessoa interpreta o mundo à sua volta, organizando mentalmente nossas percepções das práticas dos demais e regulando nossas próprias ações. Ou seja, é uma estrutura estruturante. Continuar lendo Habitus e o mercado profissional

Mercados profissionais, cultura e sistemas simbólicos

Ona BCN

Continuo hoje a análise de mercados profissionais iniciado no texto Mercados profissionais: base de análise, adicionando agora as características culturais e de sistemas simbólicos [1]. Tal abordagem adiciona questões desafiadoras presentes no cotidiano profissional e a questão da estrutura de competição interna ao campo, como veremos abaixo.

A Escola de Frankfurt defendia a ideia de que a cultura desempenha uma função ideológica de legitimação da estrutura de classes existente. O argumento é que a cultura possui também o papel de impedir qualquer reconhecimento de diferenças de classe. Bourdieu trouxe um entendimento ligeiramente diferente desse ao observar que a cultura não exatamente oblitera as classes ao evitar seu reconhecimento, mas age no sentido de legitimar as classes existentes ao difundir um reconhecimento errôneo. Nesse contexto, a cultura é um sistema de símbolos que revela, o tempo todo, a posição de classe do profissional. Ou seja, a cultura do próprio campo profissional não alega a inexistência de diferenças entre profissionais; pelo contrário, demonstra a existência de diferenças e as justifica a partir de argumentos que, apesar de incorretos, são amplamente aceitos pelos próprios profissionais. Continuar lendo Mercados profissionais, cultura e sistemas simbólicos

Mercados profissionais: base de análise [GA]

Tecnologia

Garry Stevens bem identificou [1] que diversas bases de análise de mercados de profissões, assim como de empresas de atuação profissional, não contribuem em quase nada para a sobrevivência, muito menos para a perenidade desses empreendedores no mercado. Assim, abordagens baseadas no “senso comum” estão desaparecendo (por vezes, junto com seus seguidores), dando lugar a outras mais sofisticadas e mais aplicáveis a nossos ambientes de negócios contemporâneos. Tratarei nesse texto sobre uma dessas abordagens, um conjunto de ferramentas que Scott Lash considera ter grande poder de análise, portanto, muito útil para o posicionamento estratégico profissional.

Tais ferramentas são especialmente valiosas aos profissionais que lidam com a produção, reprodução e negociação de produtos culturais, caso de arquitetos, designers, autores e artistas em geral. Segundo Scott Lash, “a sociologia geral da cultura de [Pierre] Bourdieu não é apenas a melhor, é também a única que interessa”. Tal direcionamento objetivo cai como uma luva para a análise de mercados profissionais pela forte personificação da oferta ao mercado e da construção de marca, em especial na América Latina, onde a tradição empresarial em geral tem grande peso de identificação de pessoas no valor de marcas [2]. Continuar lendo Mercados profissionais: base de análise [GA]

Como medir financeiramente um projeto de investimento imobiliário?

Existem muitas formas de se fazer isso, mas o investidor imobiliário costuma utilizar as formas mais tradicionais de verificação de qualidade econômico-financeira de projetos: Taxa Interna de Retorno (TIR) e Valor Presente Líquido (VPL), ainda que estejam cientes de suas limitações. Em parte, isso acontece por haver referenciais setoriais consolidados para esses dois indicadores. Vamos demonstrar aqui, de forma simples, como ambos funcionam. Para isso, apresentaremos um exemplo simples em conformidade com o que se pratica atualmente no mercado brasileiro.

VPL

O Valor Presente Líquido é o mais simples de entender, porque consiste numa operação simples de trazer todos os fluxos financeiros a valor presente e somá-los no período em que está sendo feita a análise, quase sempre o período zero (n=0). Esta operação é feita em regime de juros compostos: Continuar lendo Como medir financeiramente um projeto de investimento imobiliário?